sábado, 16 de fevereiro de 2013

50 Tons de Cinza

No clássico de Edgar Allan Poe, a carta roubada que pertencia ao rei foi escondida em cima da lareira, na frente dos olhos de todos que a procuravam desesperadamente. Onde estava a carta? Em um lugar óbvio, na frente de todo mundo para quem quisesse ver. Por que “50 Tons de Cinza” faz tanto sucesso é o que muita gente com muito tempo livre e pessoas que querem entender a banalidade ou o sentido da vida se perguntam. A resposta está ali, em cima da lareira, na frente de todo mundo. Fui OBRIGADO a ler “50 Tons de Cinza”, o Harry Potter para mulheres adultas em sua grande maioria sexualmente frustradas. Digo que fui OBRIGADO porque, como antropólogo sem diploma no meu tempo livre e tempo ocupado, tive que ler o que milhões de mulheres de todo o mundo leem e se regozijam. Respondendo a pergunta, por que essa obra faz tanto sucesso? A resposta, repito, é mais clara do que água de poço: porque é ruim, mal escrito, banal, raso e, agora sim para tocar nas feridas das feministas bigodudas, porque mostra claramente que as mulheres, apesar de tantos sutiãs queimados e de toda essa onda de feminismo e igualdade de sexos, seguem atraídas enormemente pelo homem dominador e, não menos, são atraídas pelo poder. Antes de começar a comentar sobre a obra, me parece curioso que escritores ingleses têm roubado a cena ultimamente no mundo do entretenimento simplório literário. Os americanos são os produtores da grande maioria do lixo cultural eletrônico, mas, pelo menos ultimamente, não conseguem superar os ingleses em termos de lixo escrito, vide o sucesso de Rowland com seu bruxinho sem sal e agora a misteriosa inglesa de Grey (é brilhante a analogia da cor com o sobrenome do autor, algo digno de historinhas vampirescas). O epicentro da história de Grey e sua amante submissa e virgem é o erotismo. O livro vende e atrai milhões de mulheres, pois preenche um nicho de mercado que não havia sido jamais explorado com esse vigor. Rowland encheu seus bolsos fazendo livros para crianças e adolescentes e agora temos o mercado de donas de casa com desejos guardados e imensa vontade subliminar e contida de voltar aos tempos pré-maio de 1968. O erotismo de “50 Tons de Cinza” é de uma pobreza técnica e literária que fez com que eu me constrangesse enquanto lia. É pobre, a linguagem é vazia, infantil, medíocre. O excesso de diálogos que nada dizem, expressões como “tu és muita areia para o meu caminhãozinho” são de uma miséria textual banal. Todo esse público pobre de Grey explica seu fascínio ao dizer que nunca o erotismo havia sido tão bem posto em papel o que é de uma ignorância histórica revoltante. D.H. Lawrence, no início do século XX já escrevia obras recheadas de sexualidade e com um rigor estético louvável. Charles Bukowski, à sua forma, expressava toda a sua devassidão com um simplismo literário que atingia níveis de erotismo e vulgaridade altos, mas com riqueza literária, apesar da simplicidade de suas palavras. Até no desértico mundo literário brasileiro tem um personagem que foi genial quando expressava o sensualismo da mulher brasileira, das morenas das plantações de cacau baianas. Falo de Jorge Amado, um verdadeiro gênio da literatura erótica, com classe. O que prova o lamentável best-seller do momento? O que já havia anunciado anteriormente, comprova que o movimento feminista é coisa de machorra de bigode. As mulheres de fato, que trabalham, vestem terno, têm cachorros no lugar de filhos e que reclamam da falta de tempo mesmo tendo empregada e infindável quantidade de eletrodomésticos, sem contar que agora possuem a ajuda do homem até em tarefas domésticas, estas mulheres, desde as épocas das cavernas, procuram e almejam o macho dominador, o macho alfa, aquele que mija em volta da caverna para deixar bem claro que macho nenhum deve aproximar-se de sua fêmea, aquele que arrasta sua mulher pelos cabelos quando esta se comporta mal. Esse, segue sendo, apesar de toda a hipocrisia do feminismo, o homem desejado pela maioria das mulheres, pelo menos as femininas, um comportamento normal e ordinário no meio de qualquer comunidade de mamíferos. Outra comprovação que pode enfurecer o público feminino é que o conteúdo do livro e sua história de quinta categoria demonstram que estas mulheres, por mais que alguma, em meio a ataques de autoestima e orgulho falsos, negue, são atraídas ENORMEMENTE pelo poder. A estética masculina obviamente que atrai as mulheres, mas é um livro, nenhuma leitora sabe como é a aparência de Grey, se obcecam na personagem simplesmente pelos seus hábitos já citados de macho dominador e, mais do que tudo, pelo seu poder que é expressado através de suas extensões fálicas como seu carro de alta gama, seu helicóptero, sua mansão e etc. Isto atrai. Isto é o que a maioria das mulheres quer de um homem. Jamais pensei que seria capaz de ler tal obra, mas o meu dever de observador pessimista da sociedade atual é mais forte do que qualquer coisa. E, para completar, confesso que também li o livro em poucos dias como afirma a maioria das leitoras e o fiz porque a linguagem é tão pobre e escassa (consegue ser pior que Paulo Coelho!), que, enxugando a obra, deveríamos tê-la impressa em apenas 50 páginas o que já seria um desperdício de celulose.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Palpites Fase de Grupos Libertadores 2013

Grupo 1: Barcelona, Nacional, Boca Juniors, Toluca O Boca Juniors fez a melhor contratação entre todos os participantes da competição, Martínez, ex-Corinthians e deve ganhar o grupo. A segunda vaga será uma disputa acirrada, mas vou de Barcelona. Grupo 2: Sporting Cristal, Libertad, Palmeiras, Tigre Em um grupo parelho, fica a expectativa sobre como o Palmeiras irá encarar a Libertadores quando comece a série B. Apostaria no Libertad para ganhar o grupo e uma disputa entre Palmeiras e Tigre pelo segundo lugar. Vou de Palmeiras. Grupo 3: Arsenal, The Strongest, Atlético Mineiro, São Paulo Dificilmente os dois brasileiros deixarão escapar a vaga. Vou de São Paulo como campeão do grupo e Atlético vice Grupo 4: Vélez Sarsfield, Peñarol, Emelec, Iquique O Vélez conseguiu menos do que merecia nas suas últimas participações na Libertadores. Manteve a base, dessa vez não perdeu jogadores, pelo contrário, confirmou a permanência de Pratto e ainda fez uma contratação surpreendente, Fernando Gago. Ganha o grupo e aposto no Emelec para a segunda vaga. Grupo 5: Corinthians, San José, Millonarios, Tijuana O Corinthians é outro que manteve o seu grupo e é o melhor time do Brasil. Deve ganhar o grupo deixando a segunda vaga para o Millonarios, apesar de que o surpreendente Tijuana do turco Mohamed também pode incomodar. Grupo 6: Santa Fe, Cerro Porteño, Real Garcilaso, Tolima Aposto no Cerro para ganhar o grupo, mas em uma disputa acirrada contra Santa Fe e Tolima apostando nos bogotanos para conseguir a segunda vaga. Grupo 7: Deportivo Lara, Universidad de Chile, Newells Old Boys, Olimpia Aposto no Newells pela manutenção da base apesar do fraco desempenho na pré-temporada, mas tem um técnico experiente e bons jogadores e completo o grupo com a classificação da Universidad. Grupo 8: Fluminense, Huachipato, Caracas, Grêmio O Huachipato surpreendeu ao ganhar o último campeonato chileno, mas não acho que possa tirar a vaga de Fluminense e Grêmio nessa ordem.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Viva Costa Crociere!

Fazer um cruzeiro é a forma de turismo mais indicada para quem quer simplesmente descansar, fugir do inferno de viver e trabalhar em uma cidade. Essa foi a conclusão mais óbvia que cheguei após minha primeira experiência em um cruzeiro. Evidentemente que há inúmeros estilos de cruzeiros. O crescimento econômico brasileiro e o aumento da renda da classe média, associado aos preços mais acessíveis desta forma de turismo fizeram com que os cruzeiros se tornassem uma das preferências da nova classe média brasileira e também dos novos ricos. Os cruzeiros são a Miami de outrora. Com a intenção de conquistar novos mercados, as empresas deste setor diversificaram seus produtos e oferecem, principalmente ao público brasileiro que é um dos maiores consumidores deste setor, propostas que se adequam mais ao seu estilo: são propostas cafonas e que consideram a pobreza intelectual e de espírito deste nicho de mercado. Mesmo considerando que adorei o meu cruzeiro, jamais pagaria para fazer um em território brasileiro. A minha experiência foi distinta. Estava em um barco que passava longe da costa brasileira, saía do porto de Miami e era de bandeira italiana, com seu público conformado por uma maioria esmagadora de alemães e italianos, seguidos por franceses, americanos e argentinos. Havia brasileiros, mas em louvada minoria. Quando esse típico brasileiro de cruzeiro, paulista acima do peso esturricado em roupas de marcas que não fazem a mínima questão de esconder pelo menos um pouco os logotipos de suas grifes reconhecidas e endeusadas pelo público vazio nacional, acompanhados por crianças obesas e consumistas e regidos por mulheres ainda mais sem graça, enfim, quando esse típico brasileiro caricato está em minoria, sua presença é tolerável. Eles se sentem em tanta desvantagem que não aparecem e tornam a experiência em um cruzeiro “europeu” algo quase perfeito. Não vou falar das belezas naturais de praias caribenhas e muito menos da abundância e fartura de boa comida no barco. Nem da amabilidade impressionante de seus funcionários, especialmente filipinos, porque seria falar o que todo mundo já imagina. Farei uma rasa análise dos subgrupos que compunham essa micro sociedade em alto-mar e de como essa comunidade funciona. Antes de tudo, o público deste cruzeiro era um público de pessoas velhas, europeus velhos em sua grande maioria. Além dos velhos, casais com filhos. O resultado era uma paz total e ausência de qualquer tipo de alteração do fluxo das coisas. O motivo principal que fazem essas pessoas embarcarem em cruzeiros deste tipo é a intenção de fugir um pouco do frio que assola o hemisfério norte e gozar das belezas tropicais. Também, considerando principalmente os alemães, é um momento de sair um pouco da rigidez social de seu país e passar dez dias sem pensar em muita coisa. No entanto, para mim, o que mais me fez adorar essa experiência e querer repeti-la o mais rápido possível foi a experiência de viver em uma sociedade perfeita. Essa sensação é mais forte frente a sul-americanos atentos como eu do que frente aos europeus que, em sua grande maioria vivem em cidades europeias onde a comunidade funciona a perfeição com algumas exceções. Não obstante, para mim, foi como viver em um território alternativo imerso em uma sociedade perfeita. Por que chamo essa “comunidade” ou “sociedade” de perfeita? Um barco dessa envergadura é um território flutuante, mas é um território. “Vivem” neste território entre três mil e sete mil pessoas em média o que forma a população de muitas pequenas cidades europeias. Nessa sociedade tudo funciona. Não há malandragem, não há preocupação, se tem que preocupar com praticamente nada. Ninguém vai tentar tirar vantagem de alguém. As pessoas cruzam o olhar e sorriem. Já no segundo dia a psicose de jamais deixar um objeto abandonado em cima de uma cadeira se acaba. Não há que planejar nada, não há trânsito, estamos sempre a no máximo cinco minutos de nossos objetivos. O restaurante está sempre reservado para a mesma hora na mesma mesa. O próprio barco organiza passeios onde os hóspedes se preocupam com absolutamente nada. Tudo funciona a perfeição e cumprindo horários e as pessoas convivem em perfeita harmonia em uma espécie de comunismo internacional oceânico. Se preocupar com nada é o diferencial dos cruzeiros que sustentam a minha ideia apresentada inicialmente de que é a melhor forma de turismo quando a ideia é simplesmente relaxar. Não há preocupação com onde comer, em que hotel ficar, para quem pedir informações, simplesmente tudo está pronto e definido. Dito isto, vale a pena, antes de terminar, analisar rapidamente os subgrupos que compõem os cruzeiros Costa pelo Caribe. Já comentei da faixa etária e agora falo um pouco das nacionalidades. Os italianos davam a notória impressão de ser a maioria; no entanto, em uma palestra sobre a empresa e o nosso barco, descobri que não, que a maioria era de alemães. Os italianos, no entanto, são mais barulhentos e parecem ser 90% da população do barco. Apesar de que sua animação pode cansar a alguns de vez em quando, seu carisma é inegável. Os alemães, pelo seu lado, parecem que sabem que são uma raça superior e olham tudo “de cima”. Não participam muito das atividades, a exceção de suas crianças, mas admiram e observam com um esboço de sorriso no rosto. Eles gostam de ver, mas não gostam de participar no que parece ser um sentimento de que isto não é pra nós que somos superiores. Os franceses têm uma diferente forma de discrição. Eram em bom número, mas falam extremamente baixo, seu idioma que dá a impressão de que sempre estão tentando ser sensuais tem um tom que não chega aos ouvidos dos outros grupos, mas, diferentemente dos alemães, participam das atividades coletivas. Ambos, italianos e franceses, demonstram um amor incontido por seus países e assim manifestam a cada “confronto” racial. Os americanos não conseguem disfarçar um certo desconforto de estar em minoria. Acostumados a serem sempre os donos do mundo e a ditar as regras sociais ou pelo menos estarem presentes em todos os cantos do planeta, eles não se sentem muito confortáveis e reclamam em grande parte do tempo. São impacientes e acostumados a essa funcionalidade americana que é difícil de se ver refletida em outro rincão. Reclamam da comida e de qualquer coisa que não funciona exatamente como eles ESPERVAM que funcionasse. Sigo com os argentinos que são dotados de um carisma incomparável e único. Os jovens mantêm aquele ar superior típico dos argentinos e os velhos são simplesmente PERSONAGENS. A Argentina também salvou um pouco a pátria e surtiu o barco, pobre em beleza e juventude, com algumas mulheres. Os escandinavos simplesmente não se misturam com as raças inferiores já que até alemães são lixo para eles. Por fim, o brasileiro, felizmente em minoria, mas com os velhos problemas de sempre. Falam alto, insistem na breguice de carregar acessórios que demonstrem que são brasileiros como se isso fosse um sinal de superioridade, tentam a todo o momento passar uma ideia de sofisticação até que desistem quando se dão conta de que o público europeu se importa com nada e com ninguém e a eles pouco importa se os transeuntes estão fardando roupas de marca, roupas baratas ou estão nus. Não faltou a representante da mulher de meia idade brasileira que não aceita o fim de sua era e insiste em parecer gostosa o que acaba resultando na tradicional e acentuada vulgaridade clássica da mulher brasileira. E, claro, não pode faltar a tentativa de burlar o sistema dos brasileiros pseudo-malandros que, mesmo depois de quebrar a cara, com arrogância, forte volume e inglês medíocre protestam contra o seu fracasso. Sobre os destinos, passamos por Bahamas, Turks & Caicos, Jamaica, Ilhas Caimã, Honduras e México. Todas as praias são espetaculares, se tivesse que dizer alguma acho que a ilha de Turks é a mais bonita, mas a Jamaica e Honduras têm montanhas com florestas em frente ao mar o que fazem a paisagem ainda mais fenomenal. As praias virgens da ilha de Cozumel também são impressionantes. Como maior destaque, mergulhar e ver os corais e também destaco como inesquecível a praia das arraias.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Eduardo, O Iconoclasta Relutei bastante antes de começar a considerar Lionel Messi o maior jogador de todos os tempos. Antes de Messi, os que me conhecem mais sabem que sempre considerei Maradona como sendo o melhor de todos os tempos e difícil de ser alcançado. Messi me surpreende a cada jogo. É imparável, não tem altos e baixos, não se lesiona, parece ser uma máquina perfeita de jogar futebol. É evidente que o fato de ser um nerd da bola o ajuda. Messi é 100% focado no futebol, jamais chegou perto de se tornar uma celebridade. Sai de férias e volta antes por livre e espontânea vontade. Messi não me convence com suas declarações politicamente corretas desprezando os seus recordes pessoais. É fácil de notar que ele é um obcecado por seus recordes particulares também, mas de uma maneira saudável. Quando Cristiano Ronaldo ainda tinha esperanças de ser o maior do mundo, notava-se que essa era a sua razão de viver, enquanto que Messi consegue, por ser um monstro, um gênio da bola, conciliar as duas coisas com perfeição. Messi faz mais gols que qualquer um; Messi é o maior definidor que já vi. Ao mesmo tempo, Messi tem a visão de jogo e distribui passes de forma genial comparando-se aos especialistas dessa arte como Iniesta, Zidane e etc. Voltando ao foco total de Messi na sua profissão, vale salientar que não sabemos o que poderia ser Maradona caso fosse 20% tão profissional como é Messi. Ás vezes me pergunto o que seria Maradona se tivesse tido uma vida regrada e se não fosse um personagem tão extravagante e pitoresco o que, não nego, o faz um mito, algo que Messi nunca será e não tem interesse em o ser. No entanto, é difícil se basear no “se”. E se Ronaldo não tivesse tido tantas lesões? Jamais saberemos. Semelhanças entre os dois há muitas, mas a maior, além de terem o mesmo passaporte e de terem jogado no Barcelona, é o controle IMPRESSIONANTE da bola que jogador algum jamais teve. A distância da bola e do pé jamais excede os centímetros máximos para possibilitar que um adversário os roube a bola. Maradona batia faltas melhor, mas Messi, com sua gana e obstinação tradicional, está trabalhando nisso e já fez vários gols de falta nesse último ano. Messi ainda não ganhou uma Copa do Mundo o que é verdade; mas temos que salientar que jogou a última em um time que não tinha técnico e faz parte de uma das piores seleções argentinas de todos os tempos. Não justifica totalmente, mas complica sua vida. Muitos dizem que Maradona ganhava tudo sozinho no Napoli e isso é parcialmente verdade. Não jogava no maior time do mundo como Messi e sim num clube médio e, ainda assim, na liga mais difícil da Europa, foi duas vezes campeão com o modesto Napoli. No entanto, quem diz que Maradona ganhou a Copa de 86 sozinho se equivoca redondamente. Como afirmar isso de um elenco que contava com monstros do calibre de Bochini, Brown, Passarella, Burruchaga, Clausen, Cuciuffo, Valdano, Enrique, Pumpido, Trobbiani e Ruggeri? Além dos destaques individuais era uma seleção bem treinada, quase sem erros táticos, diferentemente do horror, da baderna argentina de 2010 (in) controlada por Diego. Era um timaço, mas, claro, Maradona era o fator diferencial. Messi é correto não ganhou uma Copa do Mundo, mas acho que, atualmente, a maior competição de todas é a Champions League e essa Messi deita e rola. Hoje qualquer grande clube europeu é melhor que qualquer seleção a exceção da Espanha e talvez da Alemanha se falamos da atualidade, mas os clubes europeus, por serem praticamente seleções internacionais, são superiores aos times nacionais. Um exemplo: o Barcelona é melhor que a Espanha, pois tem o diferencial de Messi. Alguns podem estranhar que ainda não mencionei Pelé e aí estará a justificação de meu título. Afirmo que, entre todos os grandes jogadores da história, o único que vi material insuficiente para ter opinião própria é Di Stefano. Os demais, através de vídeos, os conheço melhor do que a maioria das pessoas de hoje conhece de Messi e companhia. De Pelé já vi, mais ou menos, cem jogos. Pelé era sim um jogadoraço e sua principal diferença com relação aos demais era o seu estado físico sobrenatural. Ele atropelava defensores que não pareciam atletas profissionais e muitas vezes realmente não o eram considerando que mais ou menos 42% dos jogos disputados por Pelé em sua carreira foram amistosos e muitas vezes em lugares que, mesmo hoje, ainda possuem um futebol amador. Mas enfim, Pelé, mesmo jogando contra verdadeiros profissionais, tinha essa incrível vantagem física e uma capacidade definidora magnífica, ainda mais que podia marcar gols com qualquer uma de suas pernas. O que destaco é que essa impressão que Pelé obviamente me causa, não é a mesma que a que Messi ou Maradona me causam. Pelé era genial, mas não passava uma ideia de fazer algo que um humano não poderia fazer. Maradona e Messi ainda mais, dá a impressão de que o que ele faz é impossível e resultado de uma habilidade superior impossível de definir. Sem nem entrar na discussão de que Messi sempre joga entre e contra os melhores do mundo o que faz uma grande diferença se constatamos que Pelé jamais jogou fora do Brasil se não contamos a sua patética passagem pelo extinto Cosmos. Messi não ganhou uma Copa? Mas e Pelé? Jamais jogou uma Champions League, jamais jogou sequer em um time pequeno da Europa e por isso critico tanto Neymar que parece ser um craque de nível internacional, mas que não joga entre os melhores, é, vulgarmente comparando, ser o melhor jogador do mundo de basquete, mas nunca jogar na NBA. Não dá, simplesmente não dá. Outro argumento que sempre aparece: mas Pelé fez mais de mil gols. Ora, aí não podemos ser tão ingênuos. Como já disse antes, Pelé jogou 42% de amistosos em sua carreira e sabem quantos gols foram feitos em amistosos? 522, ou seja, 41%. Se retiramos os gols marcados por Pelé em amistosos, chegamos ao número de 522 que é ainda um grande número, mas é terrenal. E os gols de Messi? Vale salientar que esse recente recorde de ser o maior artilheiro em um ano ao ter feito 91 gols, não se contam os gols marcados em amistosos com o Barcelona, somente os gols oficiais. Messi fez outros 12 gols em amistosos que não foram contados. O jogo dos amigos do Messi contra os amigos de fulano, contam os gols? Obviamente que não; os gols dos amigos do Pelé contra os amantes da Xuxa contam os gols? Sim, caros amigos. Os gols de Pelé jogando pelo exército? Sim! Os gols de Pelé jogando um tempo com a camisa de um time e outro com a de outro? Sim! Guarda costeira brasileira contra exército uruguaio? Amistosos contra oponentes do cacife de Congo B e Haiti? Sim! E jogando por Seleção Paulista, Combinado Santos-Vasco, Sindicato dos Atletas e Seleção do Sudeste? Enfim, o número de gols do Pelé é tão verídico e crível quantos os 995 gols marcado por Túlio Maravilha. E ok, quando ele jogava pelo Cosmos, considerando que o futebol americano até hoje patina, imaginem naquela época em que se jogava em campos do verdadeiro futebol americano ou de baseball, era oficiais, sim, dá para aceitar, mas também foram 66 gols ganhados aí de lambuja. Outro ponto. Peguem a lista de jogos das copas que Pelé jogou e vejam os resultados. Tem 7x5, 6x3 e por aí vai. Hoje, todos os jogos da Copa são 0x0, 1x0 ou 2x1. O mesmo acontece em todos os outros lugares do mundo a exceção da Inglaterra. Então se fazem menos gols, se prioriza mais a parte defensiva e, mesmo assim, Messi não para de empilhar gols. Messi já marcou 288 gols e tem 25 anos! Messi e Maradona jamais fizeram um filme com Silvester Stalone, isso deve ser dito em pró do Rei, para não me chamarem de injusto. Para seguir com os gols de Pelé, segue a lista de competições em que Pelé marcou seus gols: Torrneio Rio-São Paulo – 49 Campeonatos Nacionais – 541 Copas Nacionais – 66 Copas Internacionais – 27 Seleção – 77 Amistosos – 522 Ok, nessa época Rio-São Paulo era importante, não existia campeonato realmente brasileiro até 1967, as tais “copas nacionais” eram duvidosas, mas enfim, era o que tinha. Eu sempre defino o Santos de Pelé como uma espécie de Globetrotters. Um grupo esportivo que jogava amistosos pelo mundo. Eu, como não gosto de amistoso , nem de torneios caça-níqueis ou de segunda importância, gostaria de fazer o cálculo de quem foi o maior artilheiro do futebol mundial historicamente contando apenas gols válidos por campeonatos nacionais, Libertadores ou Champions League e Mundial Interclubes, além, claro, de gols jogando por seleções, leia-se Copa América ou Euro e Copa do Mundo e também poderíamos acrescentar a Copa das Confederações, nada mais. Se contássemos assim, Pelé teria 34 gols em Campeonatos Brasileiros, 17 gols em Libertadores, 7 em Mundiais Interclubes, isso pelo Santos. Pelo Cosmos teria 31 gols pela liga nacional e nada mais. Podemos até deixar todos os gols pela seleção brasileira, incluindo os amistosos e o número de gols realmente importantes de Pelé seria 166. Analisemos Messi. Messi já marcou 319 gols em 431 jogos. Por tratar-se de um jogador moderno, não se contam gols em jogos beneficentes e nem em amistosos do Barcelona. Os únicos amistosos que eu mantive foram os com a seleção, pois também mantive os de Pelé. Desdobrando os números, desses 288 são com a camisa do Barcelona e 31 com a seleção argentina. São 195 gols pela Liga; 22 pela Copa do Rei; Incríveis 56 pela Champions League (Pelé nunca disputou um jogo de Champions League); 10 gols pela Supercopa da Espanha; 1 gol pela Supercopa Europeia; 4 em Mundiais Interclubes. Vou fazer exatamente o mesmo cálculo que fiz com Pelé que dará o número total de gols realmente importantes de Messi. Seriam, então, seus 31 gols com a seleção somados aos 195 gols de liga, mais 56 de Champions League e os 4 em Mundiais. Total? Incríveis 286. Claro que o primeiro contra-argumento pode ser que Pelé não jogou mais torneios brasileiros por que esses não existiam. Aí minha tréplica seria. Primeiro: por que jogar num país em que não existe sequer um torneio nacional? Deveria ter ido pra Europa. Ah, mas nessa época os jogadores não saíam tanto do país; verdade, mas os craques sim saíam, vide Evaristo de Macedo que, nos anos 50, jogou nada mais nada menos do que no Real Madrid e no Barcelona, sem contar outros vários. Segundo, ok, mantemos o número anterior com os gols nos torneios de meia tigela que existiam no país neste então, mas não ignoremos o fato de estes gols serem menos importantes. A minha conclusão, se há de ser sucinto é que não de pode considerar um jogador como o maior de todos os tempos tendo ele tido uma carreira tão insignificante em nível clubístico. Ok, Pelé ganhou duas copas do mundo (a de 66 não jogou), mas Messi ganhou três Champions League que são, como disse anteriormente, o torneio mais importante e qualificado do futebol mundial atualmente, sendo que foi artilheiro em duas delas e se encaminha para ser o maior artilheiro histórico desta competição prontamente. Pelé nunca foi campeão brasileiro enquanto que Messi já ganhou, aos 25 anos, cinco. Para mim, comparar Pelé com Messi é como comparar um globe-trotter com Michael Jordan. Para fechar, uma lista dos maiores artilheiros do futebol mundial, MAS considerando apenas gols em competições nacionais e na principal competição continental, ou seja, Libertadores, Champions League, Copa dos Campeões da CONCACAF, etc e Mundial Interclubes e lembrando que contabilizo os gols em jogos de seleções mesmo estes sendo amistosos, para dar uma ajuda ao Pelé coitado. Eusébio (Moçambique) – 622 Gerd Müller (Alemanha) – 507 Gunnar Nordahl (Suécia) – 490 Uwe Seeler (Alemanha) – 487 Jimmy McGrory (Escócia) – 416 Romário (Brasil) – 384 Di Stéfano (Argentina) - 364 Messi (Argentina) – 286 Pelé (Brasil) – 166 gols

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

El Fútbol

Dicen que el fútbol es una parodia de la vida, que podemos analizar muchos aspectos de la vida humana a través del deporte más lindo y popular del planeta y es verdad. Es difícil de entender lo que es el amor si nunca se ha sido hincha de un equipo; Nunca se va a entender lo que es la vergüenza si nunca has hecho un gol en contra; Nunca se va a saber lo que es placer en su totalidad si nunca has anotado un gol; Nunca se podrá entender la fuerza de los sentimientos heridos y negativos si nunca has anotado un gol de visitante; Nunca se podrá entender lo que es la humillación si nunca te metieron un caño en frente a la popular; Nunca vas a entender lo que es la injusticia si te echan por un penal que no cometiste; Nunca se va a entender la locura si nunca has ido a un clásico en Argentina; La perfección no existe si nunca has visto a Messi jugar; Nunca vas a saber lo que es el dolor si nunca te han pegado un bochazo en la zona más delicada; Nunca vas a entender lo que es la demencia si nunca te has tirado al piso para rechazar un ataque adversario en una cancha transformada en charco por más que el partido no valía nada; Nunca se va a comprender el arte si nunca has visto a Maradona jugar; Nunca vas a entender los misterios de la vida si nunca has jugado al fútbol.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Copa Libertadores da América 2013

Mais uma edição da maior competição entre clubes da América do Sul (mais o México) está a caminho. Após o sorteio na sede da Confederação Sul-Americana de Futebol em Luque, no Paraguai, já sabemos, e dessa vez sem aquele horror de Bolívia 1, Argentina 3, Brasil 4, quais serão os grupos da primeira fase e também, obviamente, os confrontos da chamada primeira fase ou pré-Libertadores. Antes de dar meus palpites sobre quem conseguirá as vagas para a fase de grupos, destaco que será difícil para um time não-brasileiro competir com os representantes do Brasil. A diferença de poder econômico aumenta a cada ano, o Brasil cada vez mais se aproxima do poderio econômico dos clubes europeus, enquanto que, do outro lado, os times argentinos, os de maior sucesso no futebol desse continente, sofrem para conseguir repatriar veteranos e também têm muitas dificuldades de segurar seus juvenis mais talentosos. O resultado é um futebol local em decadência, sem muita qualidade técnica, repleto de veteranos e de juvenis que não duram muito mais de seis meses ou um ano nos seus clubes reveladores. Resta, claro, o infinito talento do futebol local que não cansa de revelar novos jogadores e a capacidade de disputa dos times argentinos e, também, dos uruguaios. Vale destacar alguns pontos que realmente chamam a atenção dos observadores mais atentos. O campeão da Sul-Americana anterior, antes do São Paulo, foi o Independiente. Um grande sim, mas LANTERNA do Campeonato Argentino, o mais difícil torneio nacional de clubes do planeta; esse ano quase aconteceu a mesma coisa. O Tigre, penúltimo colocado no último Torneo Inicial que conseguiu apenas uma mísera vitória contra oito empates e o mesmo número de derrotas, chegou à final. Isso mostra o poder de competitividade dos times desse país, mas claro, o que eu sempre defendo: o talento, QUASE sempre, se sobressai e, se analisamos os clubes brasileiros, vemos que a situação é completamente diferente. Devido à falta de grandes talentos, poucos saem, até porque, com a Europa em crise e considerando que se paga mais impostos por lá, os jogadores preferem ficar. Também há cada vez mais investidas por partes destes clubes em cima dos clubes argentinos, por motivos já destacados anteriormente. Para um argentino é um muito vantajoso jogar no Brasil, tanto financeiramente como pela distância dos dois países. Dito isto, primeiro destacarei os clubes grandes que participarão dessa edição da copa e, depois, os palpites para a primeira fase: Grêmio: o começo da gestão de Koff é confuso; ficou Luxemburgo, o melhor técnico brasileiro e os principais jogadores a exceção de Naldo. Falta qualidade e peças de reposição para disputar o título. Zé Roberto, até o momento, é o principal nome do time, juntamente a Moreno, de boa temporada em 2012. Kléber ficou devendo e outro atacante de velocidade deve chegar além de, no mínimo, dois zagueiros, até porque Werley foi suspenso. Olimpia: o gigante paraguaio vem de um segundo semestre abaixo do esperado e deverá reforçar-se se quer disputar a competição continental como protagonista. Os seus principais nomes são o primo de Messi, Maxi Biancuchi, o zagueiro Cáceres tem propostas de outros clubes, mas, se ficar, é um bom nome e também destaco o bom uruguaio ex-Estudiantes, Salgueiro. São Paulo: o maior clube do Brasil melhorou muito na segunda metade da temporada passada e coroou com o título da Sul-Americana conquistado de forma polêmica. Perde Lucas, seu principal jogador, mas deve investir pesado nessa volta à Libertadores. Nacional: o Bolso vem sem muitas novidades até o momento. Tem dois nomes de experiência na defesa, Lembo e Scotti e, como grande e histórico nome, ele, Recoba, ainda ativo e autor do gol do título uruguaio. Boca Juniors: o maior campeão da Libertadores dos últimos anos e atual vice-campeão está de festa e confiante depois da volta de Bianchi que não trabalha há oito anos, desde a derrota para o Once Caldas na final de 2004. Apesar da crise econômica dos times argentinos, surgem bons nomes sugeridos por Bianchi como Burrito Martínez, Cata Díaz e até Gago que pede um contrato de OITO anos para encerrar sua carreira no clube. Mas, o que gera mais especulação em Buenos Aires é a possível volta de Riquelme ao clube, tendo em vista que é amigo íntimo do novo velho treinador. O Boca é sempre favorito. Palmeiras: depois da decepção da última temporada e com a volta à segunda divisão, o clube, em crise, tem uma Libertadores pela frente, no que é, para mim, um absurdo. Times de segunda divisão não deveriam disputar uma competição internacional. Parece que o craque do time, Barcos, permanecerá. Falou-se em Riquelme e nota-se intenção de reforçar o grupo para o que vem, mas acho que dificilmente conseguirão manter o foco tendo em vista que em maio começa o maior desafio do ano para o clube, a volta à elite. Vélez Sarsfield: o clube mais regular da Argentina nos últimos anos vem, mais uma vez, como favorito. Mantém o seu técnico pelo quinto ano consecutivo e tentará, dessa vez, não esbarrar numa decisão por pênaltis ou derrotas no último minuto para conquistar o continente pela segunda vez. A base, pelo menos dessa vez, será mantida e alguns reforços pontuais devem ser trazidos. É, hoje, o melhor time argentino. Peñarol: o maior clube do continente é sempre uma grife forte dentro de qualquer competição sul-americana. Fala-se em alguns reforços que podem ajudar. Aposta-se na recuperação do veterano Pacheco, Estoyanoff segue no elenco e sempre é uma boa opção de ataque, outro veteraníssimo histórico uruguaio pode compor a dianteira do time e me refiro a Zalayeta, ex-Juventus. O paraguaio Aureliano Torres aporta experiência na metade do campo e, falando de experiência, seguem Darío Rodríguez e Olivera em atividade. Um time veterano que aposta mais na mística do que na qualidade. Corinthians: o atual campeão mundial é, sem sombra de dúvidas, um dos favoritos. Possui um excelente elenco, parece que suas principais peças ficarão e algumas contratações devem ser feitas. É forte em todos os setores do campo e tem boas figuras individuais. Fluminense: o atual campeão brasileiro ainda não anunciou reforços para a Libertadores, mas tem um elenco forte e experiente com destaques individuais de nível internacional como o goleador Fred e Deco, um craque. Já consolidado pelas últimas conquistas como um grande clube, tentará, mais uma vez, alcançar uma conquista inédita em sua história. Agora os palpites da primeira fase: Tigre x Deportivo Anzoátegui: apesar da péssima campanha do time de Vitória na última temporada no âmbito local, se falam de reforços importantes e soma-se a isso a maior tradição do futebol argentino o que me faz ir de Tigre. LDU x Grêmio: uma parada duríssima. A LDU começou um processo de renovação de seu elenco experiente e apostará mais em jogadores jovens que, em sua maioria, disputarão a primeira Libertadores de suas carreiras. 13 foram as contratações. O outro aliado dos equatorianos é a sempre temível altura de Quito. Vou de Grêmio pela maior experiência do plantel e pela manutenção da mesma base. Tolima x César Vallejo: os times peruanos têm demonstrado estar abaixo da média das últimas competições continentais. Do outro lado um Tolima que vem de boas campanhas em nível doméstico e que também proporcionou boas participações na Libertadores chegando a eliminar o Corinthians de Ronaldo há dois anos atrás. Vou de Tolima. Defensor x Olimpia: os dois clubes ainda farão contratações, mas, hoje, vejo os uruguaios mais fortes. Há de se considerar o poder econômico dos paraguaios em nível doméstico e o excesso de vendas prematuras do futebol uruguaio, mas, ainda assim, aposto nos violetas. São Paulo x Bolívar: acontecerá o óbvio: os bolivianos ganharão o jogo pela mínima diferença em seus domínios e depois serão goleados pelo poderoso paulista. León x Deportes Iquique: considerando que os mexicanos são os clubes mais ricos após os brasileiros, boas contratações deverão ser feitas. Do outro lado o contrário. Um clube pequeno do Chile que fez boa campanha e que já começou a perder seus principais destaques da campanha para o

sábado, 22 de dezembro de 2012

Madonna, Arena, Cachorros e O Hiper-Modernismo

Com certo atraso venho à tona falar do xou da Madonna em Porto Alegre e da despedida do Olímpico. Aproveito para falar também de cachorros, a paixão mundial e da nossa era que, pelo visto, seguirá após o fracasso do fim do mundo. O xou da Madonna e a destruição do estádio Olímpico e sua futura substituição pela moderna, iluminada e arrogante Arena são dois marcos da nossa sociedade. Um caso é pontual, o caso do estádio, obra de concreto, física; o outro é simplesmente psicológico, mas não menos importante. Comecemos pela Madonna, primeiro as damas e, sem pesquisar antes, acho que a Madonna é mais velha que o Olímpico, então respeito aos mais velhos. Madonna foi, durante décadas, um símbolo da cultura popular, um mito do entretenimento. Foi, assim como Michael Jackson, pioneira em muitas coisas que fez e/ou produziu. Madonna, a cada semana, chocava o mundo com seu estilo provocativo de mulher rebelde e enigmática. Michael Jackson, antes de suas polêmicas relacionadas às crianças, inovava a cada novo trabalho, mas sempre com mais evidência na sua arte; Madonna, por outro lado, era a pivô de escândalos comportamentais que sempre conseguiam se reproduzir e continuar surpreendendo a sua imensa audiência. Madonna se renovava e sempre conseguia impressionar por sua ousadia e coragem. Vocês não vão acreditar! A Madonna beijou uma MULHER na boca em pleno palco! A Madonna beijou a figura de um Jesus Cristo negro! Essas duas safadezas da vovó Madonna hoje não impressionariam nem o mais pudico dos mortais. Madonna ficou para trás. Madonna surpreende mais ninguém, o mito, não por falta de talento ou ousadia, acabou e acabou pela concorrência desleal. Madonna nunca será rebaixada ao esquecimento porque, como dizem os marqueteiros, o primeiro a fazer alguma coisa sempre será lembrado, mais até do que o que faz tal coisa melhor, mas Madonna já não exerce fascinação, pois as gerações crescem e os novos ícones do entretenimento, com mais ou menos talento, se vulgarizam cada vez mais e conquistam a atenção do grande público. Lady Gaga é a nova Madonna? Não, não acho que tenhamos uma “nova Madonna” e sim um novo estilo. Dificilmente nos deixamos, atualmente, impressionar por qualquer forma de comportamento ou qualquer forma de arte. Há algumas semanas atrás um psicopata invade uma escola e mata mais de 20 crianças entre seis e oito anos; o mundo se surpreende (cada vez menos, considerando que isso já havia acontecido 40 vezes antes apenas no Estados Unidos), mas esquecerá e o fará bem rápido. A nossa era não é fiel. Temos sentimentos fisiológicos. O que é espetacular hoje, é condenado ao ostracismo amanhã, estará, como dizem os mais afetados, “out”, temos sede de novidades e pouca fidelidade para tudo. O beijo de Madonna na boca de uma pessoa do mesmo sexo em público já está vulgarizado. Isso acontece em séries bem educadinhas como Gray`s Anatomy a cada episódio e tira o sono de ninguém, não consegue nem excitar aos mais depravados. Jogar-se em cima do público, os devaneios de festivais como Woodstock, não, nada disso chamaria mais a atenção hoje. Madonna beijou um Jesus negro? Ok, Marylin Mason É o demônio e Paris Hilton divulgou sem dó nem piedade uma noite sua de paixão na Internet para qualquer vivente ver. Não dá mais para competir. O Olímpico também não pode mais competir. Doa a quem doer, o Olímpico poderia ser considerado um vestígio de uma civilização antiga, praticamente uma pirâmide egípcia ou um coliseu romano. Era uma verdadeira vergonha que um lugar com essas condições, onde pessoas que pagam mais caro que frequentadores de cinema e teatros, sentem no chão, tomem chuva na cabeça, usem banheiros de animais e comam lixo. Vale lembrar que o Olímpico, quando construído nos anos 50, era sinônimo de avanço tecnológico e hoje eu considero absurdo que possa receber eventos dessa natureza. O Olímpico será substituído, aliás, já foi, e nada mais apropriado do que ter seu último evento com outro símbolo do passado, “construído” na mesma época e que também tende a desaparecer aos poucos. Quem chega para tomar o lugar de Madonna e dos velhos e antiquados estádios de futebol gaúchos e brasileiros são símbolos da nossa atualidade, estádios repletos de luzes, de neons, de pirotecnias; jovens artistas cheios de ideias mais mirabolantes, na maioria das vezes ideias estas que fogem do propósito da arte e se focam exclusivamente nas tentativas de deixar uma imagem marcante que dure, pelo menos, uma semana, até algum outro aparecer com algo novo, com um xou 360° ou que coma um animal vivo no palco. Madonna e Olímpico são símbolos de uma época em que cachorro era bicho, e não parte da família, onde crianças eram vítimas de ataques de cachorros e não acusados de terem provocado o pitbull que nunca havia atacado alguém, onde as mulheres ainda pensavam em constituir uma família antes de pensar em competir com o homem, colocar silicone ou tornar a sua vida profissional o ponto mais importante de suas tristes vidas. Eu não gosto da Madonna, mas a respeito por pioneira. Mais do que um símbolo homossexual repugnante, se analisamos a carreira da coroa, podemos considerá-la importante para a arte do século XX. Se então compararmos a sua produção musical com o que o mundo “pop” produz hoje, Madonna era melhor e mais versátil. Sobre o Olímpico, lá tive boas memórias, foi o primeiro estádio que eu entrei e, lá dentro, me apaixonei por um clube de futebol, algo que, se pensamos faz sentido nenhum. No entanto, Madonna e Olímpico dão adeus e cedem seus lugares ao atual, ao “in”, ao novo, efêmero e fugaz.