Depois de ter acertado 15 dos 16 classificados as oitavas de final da Champions League sendo traído apenas pela classificação surpreendente dos dinamarqueses do Copenhague (apostei no Rubin Kazan) eis aqui meus palpites para essa fase decisiva da maior competição de clubes do mundo.
Roma vs Shakhtar Donetsk: aposto na recuperação do time capitalino que, após um início de temporada lamentável, encontrou o seu rumo e vem jogando bem.
AC Milan vs Tottenham: o time de Redknap faz uma campanha brilhante nessa temporada tanto na liga inglesa enquanto na Champions League onde venceu um grupo que contava com o atual campeão Inter Milan. Um excelente nível coletivo aliado a grandes destaques individuais como a revelação Bale faz com que o time londrino seja o meu favorito no confronto com o gigante italiano.
Valencia vs Schalke: apesar dos reforços de nome o time alemão não conseguiu ainda demonstrar bom futebol e chegou a ocupar por muitas rodadas a zona de rebaixamento do campeonato alemão. Conseguiu a classificação e terá pela frente um time que, apesar de ter perdido seus principais jogadores, conseguiu manter uma estrutura competitiva e é meu favorito para conseguir a classificação.
Inter Milan vs Bayern Münich: no confronto mais atrativo das oitavas, o atual campeão mundial enfrenta o atual vice-campeão europeu em uma espécie de revanche da final da temporada passada. A equipe italiana vem muito mal na temporada o que me faz apostar no gigante bávaro que tampouco vem bem, mas que é meu candidato devido à qualidade individual de seus jogadores.
Lyon vs Real Madrid: dessa vez aposto que a touca francesa será jogada no lixo. O time de Mourinho, excetuando-se o massacre do Camp Nou vem demonstrando excelente nível nessa temporada e não deverá encontrar maiores dificuldades para eliminar os franceses.
Arsenal vs Barcelona: pobre do Wenger e companhia, mais uma vez caíram nas garras catalãs. Dá Barça brincando.
Marseille vs Manchester U: o time de Ferguson parece ter encontrado o seu futebol e deve passar com certa tranquilidade pelo maior clube do país rival.
Copenhague vs Chelsea: o clube dinamarquês foi a surpresa maior entre os classificados e o responsável por evitar meus 100% de aproveitamento nos palpites dos classificados da primeira fase. Chegou longe demais. Por mais que o Chelsea esteja em uma fase hedionda, deve garantir a classificação com facilidade.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
O Regulamento
Muitos amigos leitores manifestaram inquietude com os critérios do meu ranquim mais uma vez divulgado com suas devidas atualizações. Como são ou esquecidos e/ou preguiçosos, não lembram ou/nem procuraram divulgações anteriores com todos os critérios devidamente explicados. Pela segunda e última vez o farei. Guardem bem o mês dessa publicação: dezembro 2010. Para que não esqueçam, tentei associar a data como o mês em que, pela primeira vez um time africano disputou uma final de Mundial Interclubes. Falando nisso, os colorados que tanto gostam de adicionar a palavra “FIFA” ao final do seu título de 2006, será que não seria melhor que o Mundial seguisse sendo disputado como era antes? Caso assim fosse o glorioso Campeão de Tudo teria sim jogado o jogo tão sonhado contra a Inter Milan fazendo valer o investimento de milhares de torcedores e ainda por cima, em caso de derrota, estaria livre de gozações devido à importância do adversário e de seu poderio. Mas não foi.
Hoje em dia é FIFA e um time pode ser campeão do mundo jogando apenas contra o campeão sul-coreano e o Mazembe.
Bom, vamos ao que de verdade importa: os meus critérios, mais justos impossível.
As pontuações distribuídas são as seguintes:
Mundial Interclubes: 25 pontos;
Libertadores e Champions League: 20 pontos;
Campeonatos Brasileiro, Argentino, Italiano, Alemão e Inglês: 15 pontos;
Campeonato Espanhol: 11 pontos;
Copa dos Campeões da África, da Ásia, da CONCACAF e da Oceania: 9 pontos;
Campeonatos Francês, Holandês, Uruguaio e Português: 8 pontos;
Campeonatos de outros países europeus e sul-americanos: 4 pontos;
Campeonatos de outros países da África, Ásia, Oceania e CONCACAF: 3 pontos.
Os países que têm dois campeonatos independentes por ano como Argentina e Chile têm sua pontuação dividida. O campeão do Apertura e do Clausura argentinos por exemplo ganham, cada um, 7,5 pontos e a mesma lógica vale para títulos divididos entre dois ou mais clubes.
Bom, a escolha da pontuação é o único momento de meu ranquim que pode ser questionado, o resto é impecável.
Há algum fator que não seja taça no armário? Não, o ranquim é organizado por um gremista a quem somente interessa título e que ignora fatores abstratos como posição em ranquins obscuros, tamanho de estádio, maior torcida, títulos invictos, marketing ou etc. Muitos estranham a posição do Barcelona, mas se analisarmos friamente, apesar de toda a onda, é um clube que conquistou a Europa “apenas” três vezes.
Quem participa do processo de ranqueamento? Todos os clubes de todos os países cujas seleções nacionais já tenham participado de pelo menos 50% das edições das copas do mundo. São eles: Brasil, Itália, Alemanha, Argentina, México, França, Inglaterra, Espanha, Iugoslávia, Bélgica, Suécia, Uruguai, União Soviética e Tchecoslováquia.
A Alemanha já foi dois países e Iugoslávia, União Soviética e Tchecoslováquia não existem mais! Ok, mas os países que foram formados a partir desses dois países são incluídos como suas ex-nações porque de outra maneira, devido a sua “juventude” estariam em desvantagem em relação aos demais. Mas e se em uma copa dois ex-soviéticos classificam? Conta apenas como uma copa a mais no currículo de nossa fictícia União Soviética. Esse ano Eslovênia e Sérvia, ambos os países da extinta Tchecoslováquia disputaram a copa, mas apenas uma participação foi contabilizada na conta tcheca.
Essa medida é tomada com o intuito maior do ranquim: evitar distorções. Exemplo: O Linfield da Irlanda do Norte já foi campeão norte-irlandês mil vezes. Estaria, assim, muito bem posicionado no ranquim, mas é fato conhecido por todos que o futebol nesse país é pobre e com essa medida essas distorções são evitadas.
A Holanda tem nove participações em copas do mundo, por que Ajax, PSV e Feyenoord aparecem na lista?
Para evitar a impossibilidade de um clube forte de um país mais fraco entrar no ranquim, qualquer clube de qualquer país europeu ou sul-americano que venha a conquistar a Champions League ou a Libertadores entra no ranquim, apenas os clubes, não o país e é por isso que temos esse tridente holandês bem como Porto e Benfica entre outros.
E o brilhante Mazembe, é campeão continental, mas não aparece no ranquim! O continente do Mazembe é a África, um continente que jamais ganhou uma Copa e por isso não dá direito aos seus clubes de, no momento da conquista continental entrar por essa via no ranquim.
O Real Madrid tem nove Champions Leagues, por que aparece o AC Milan como o maior vencedor? Resposta: evitar, mais uma vez, injustiças.
Como a Libertadores começou a ser disputada em 1960, contamos somente os campeões europeus a partir desse ano. O mesmo vale para os campeonatos nacionais. O Brasil foi o último país ranqueado a ter um torneio nacional organizado em 1967. Assim sendo, contamos todos os torneios nacionais a partir de 1967. O quê evito com isso?
Uma imparidade dos países mais antigos como a Inglaterra, que possui seu campeonato estruturado desde o fim do século XIX.
Por que as copas não estão incluídas? Em primeiro lugar porque não há essa competição em alguns países, na América do Sul, por exemplo, somente o Brasil tem e é ainda muito recente e agora a Colômbia. Além disso, são competições que causariam distorções porque são, em sua maioria, disputadas com desprezo pelos maiores clubes e causaria um crescimento enganoso de clubes com menos expressão.
Por que não são considerados títulos secundários como Europa League, Sul-Americana, Recopa e etc? Porque seria premiar o fracasso. Um time que disputa a Europa League ou a Sul-Americana fracassou na temporada anterior e não conseguiu sequer uma vaga para a principal competição do continente. O Bayern Münich, por exemplo, perdeu a final da Champions League com a Inter Milan, ficou com zero ponto por isso e daí o Atl Madrid, que não conseguiu nem ficar entre os quatro melhores da Espanha ganhou a Europa League e ganha pontos? Negativo. São torneios caça-níqueis que premiam o fracasso.
A Recopa a mesma coisa, pois dá a chance de o campeão da “segunda divisão” continental ser premiado. Em poucas palavras, seria o mesmo que dar pontos para os campeões das séries B, C, D...
Esclarecido. Quem quiser o ranquim completo com os 290 clubes ou quaisquer outros dados como número de clubes por países, número de clubes por países entre os 50 maiores, maiores clubes de cada país, ranquins nacionais, ranquins continentais ou ranquins das ligas, é só pedir que chega de graça e sem custo de frete.
Hoje em dia é FIFA e um time pode ser campeão do mundo jogando apenas contra o campeão sul-coreano e o Mazembe.
Bom, vamos ao que de verdade importa: os meus critérios, mais justos impossível.
As pontuações distribuídas são as seguintes:
Mundial Interclubes: 25 pontos;
Libertadores e Champions League: 20 pontos;
Campeonatos Brasileiro, Argentino, Italiano, Alemão e Inglês: 15 pontos;
Campeonato Espanhol: 11 pontos;
Copa dos Campeões da África, da Ásia, da CONCACAF e da Oceania: 9 pontos;
Campeonatos Francês, Holandês, Uruguaio e Português: 8 pontos;
Campeonatos de outros países europeus e sul-americanos: 4 pontos;
Campeonatos de outros países da África, Ásia, Oceania e CONCACAF: 3 pontos.
Os países que têm dois campeonatos independentes por ano como Argentina e Chile têm sua pontuação dividida. O campeão do Apertura e do Clausura argentinos por exemplo ganham, cada um, 7,5 pontos e a mesma lógica vale para títulos divididos entre dois ou mais clubes.
Bom, a escolha da pontuação é o único momento de meu ranquim que pode ser questionado, o resto é impecável.
Há algum fator que não seja taça no armário? Não, o ranquim é organizado por um gremista a quem somente interessa título e que ignora fatores abstratos como posição em ranquins obscuros, tamanho de estádio, maior torcida, títulos invictos, marketing ou etc. Muitos estranham a posição do Barcelona, mas se analisarmos friamente, apesar de toda a onda, é um clube que conquistou a Europa “apenas” três vezes.
Quem participa do processo de ranqueamento? Todos os clubes de todos os países cujas seleções nacionais já tenham participado de pelo menos 50% das edições das copas do mundo. São eles: Brasil, Itália, Alemanha, Argentina, México, França, Inglaterra, Espanha, Iugoslávia, Bélgica, Suécia, Uruguai, União Soviética e Tchecoslováquia.
A Alemanha já foi dois países e Iugoslávia, União Soviética e Tchecoslováquia não existem mais! Ok, mas os países que foram formados a partir desses dois países são incluídos como suas ex-nações porque de outra maneira, devido a sua “juventude” estariam em desvantagem em relação aos demais. Mas e se em uma copa dois ex-soviéticos classificam? Conta apenas como uma copa a mais no currículo de nossa fictícia União Soviética. Esse ano Eslovênia e Sérvia, ambos os países da extinta Tchecoslováquia disputaram a copa, mas apenas uma participação foi contabilizada na conta tcheca.
Essa medida é tomada com o intuito maior do ranquim: evitar distorções. Exemplo: O Linfield da Irlanda do Norte já foi campeão norte-irlandês mil vezes. Estaria, assim, muito bem posicionado no ranquim, mas é fato conhecido por todos que o futebol nesse país é pobre e com essa medida essas distorções são evitadas.
A Holanda tem nove participações em copas do mundo, por que Ajax, PSV e Feyenoord aparecem na lista?
Para evitar a impossibilidade de um clube forte de um país mais fraco entrar no ranquim, qualquer clube de qualquer país europeu ou sul-americano que venha a conquistar a Champions League ou a Libertadores entra no ranquim, apenas os clubes, não o país e é por isso que temos esse tridente holandês bem como Porto e Benfica entre outros.
E o brilhante Mazembe, é campeão continental, mas não aparece no ranquim! O continente do Mazembe é a África, um continente que jamais ganhou uma Copa e por isso não dá direito aos seus clubes de, no momento da conquista continental entrar por essa via no ranquim.
O Real Madrid tem nove Champions Leagues, por que aparece o AC Milan como o maior vencedor? Resposta: evitar, mais uma vez, injustiças.
Como a Libertadores começou a ser disputada em 1960, contamos somente os campeões europeus a partir desse ano. O mesmo vale para os campeonatos nacionais. O Brasil foi o último país ranqueado a ter um torneio nacional organizado em 1967. Assim sendo, contamos todos os torneios nacionais a partir de 1967. O quê evito com isso?
Uma imparidade dos países mais antigos como a Inglaterra, que possui seu campeonato estruturado desde o fim do século XIX.
Por que as copas não estão incluídas? Em primeiro lugar porque não há essa competição em alguns países, na América do Sul, por exemplo, somente o Brasil tem e é ainda muito recente e agora a Colômbia. Além disso, são competições que causariam distorções porque são, em sua maioria, disputadas com desprezo pelos maiores clubes e causaria um crescimento enganoso de clubes com menos expressão.
Por que não são considerados títulos secundários como Europa League, Sul-Americana, Recopa e etc? Porque seria premiar o fracasso. Um time que disputa a Europa League ou a Sul-Americana fracassou na temporada anterior e não conseguiu sequer uma vaga para a principal competição do continente. O Bayern Münich, por exemplo, perdeu a final da Champions League com a Inter Milan, ficou com zero ponto por isso e daí o Atl Madrid, que não conseguiu nem ficar entre os quatro melhores da Espanha ganhou a Europa League e ganha pontos? Negativo. São torneios caça-níqueis que premiam o fracasso.
A Recopa a mesma coisa, pois dá a chance de o campeão da “segunda divisão” continental ser premiado. Em poucas palavras, seria o mesmo que dar pontos para os campeões das séries B, C, D...
Esclarecido. Quem quiser o ranquim completo com os 290 clubes ou quaisquer outros dados como número de clubes por países, número de clubes por países entre os 50 maiores, maiores clubes de cada país, ranquins nacionais, ranquins continentais ou ranquins das ligas, é só pedir que chega de graça e sem custo de frete.
sábado, 18 de dezembro de 2010
Meu Ranquim Atualizado
Duas vezes por ano eu divulgo a atualização do melhor ranquim de clubes do mundo, o meu. A cada final de temporada europeia que é representada com a final da Champions League e cada final de Mundial Interclubes, novos números são divulgados. Geralmente não há grandes alterações, mas é importante a escalada da Inter Milan e a entrada da LDU no grupo dos maiores clubes do futebol mundial.
Abaixo o ranquim dos 50 maiores clubes do futebol mundial e devidas pontuações: são 17 representantes da CONMEBOL, 31 clubes filiados à UEFA e dois clubes da CONCACAF.
1. Bayern Münich (Alemanha) – 445
2. Real Madrid (Espanha) – 395
3. AC Milan (Itália) – 390
4. Peñarol (Uruguai) – 327
5. Juventus (Itália) – 315
6. Boca Juniors (Argentina) – 300
7. Manchester U (Inglaterra) – 290
8. Ajax (Holanda) – 274
9. Inter Milan (Itália) – 270
10. Liverpool (Inglaterra) e Independiente (Argentina) – 265
12. Nacional (Uruguai) – 263
13. Porto (Portugal) – 242
14. River Plate (Argentina) – 230
15. São Paulo (Brasil) – 225
16. Barcelona (Espanha) – 217
17. Benfica (Portugal) – 184
18. PSV (Holanda) – 156
19. Olimpia (Paraguai) – 147
20. Santos (Brasil) e Estudiantes (Argentina) – 135
22. Estrela Vermelha (Sérvia) – 121
23. Flamengo (Brasil) – 120
24. Palmeiras (Brasil) e Internacional (Brasil) – 110
26. Vélez Sarsfield (Argentina) e Dynamo Dresden (Alemanha) – 105
28. Dinamo Kiev (Ucrânia) – 96
29. Grêmio (Rio Grande do Sul) – 95
30. Celtic (Escócia) – 94
31. Feyenoord (Holanda) – 93
32. Arsenal (Inglaterra) e Dortmund (Alemanha) – 90
34. Steua Bucarest (Romênia) – 88
35. Colo-Colo (Chile) – 84
36. Vasco (Brasil) e Sparta Praga (República Tcheca) – 80
38. Marseille (França) – 76
39. Borussia MG (Alemanha) – 75
40. SC Anderlecht (Bélgica) – 72
41. Atl Madrid (Espanha) – 69
42. Partizan Belgrado (Sérvia) – 68
43. América (México) – 67,5
44. Hamburg (Alemanha) – 65
45. Cruz Azul (México) – 64,5
46. Saint-Etienne (França) – 64
47. Corinthians (Brasil) e Rosario Central (Argentina) – 60
49. LDU (Equador) – 58
50. Lyon (França) – 56
Rosario Central e Dynamo Dresden são os únicos clubes posicionados entre os 50 maiores que não disputam as divisões especiais de seus países atualmente. O Rosario Central foi rebaixado na temporada passada enquanto que os alemães disputam a terceira divisão germânica.
O clube com mais títulos mundiais é o AC Milan com quatro conquistas; os maiores campeões continentais são AC Milan e Independiente, cada um com sete taças europeias e sul-americanas respectivamente. O maior campeão nacional é o maior clube do mundo, o Bayern Münich, 21 vezes campeão alemão.
Em toda a lista estão ranqueados 290 clubes de 39 países.
O país que mais clubes possui no ranquim é a Lituânia com 20 clubes. Brasil e México ocupam a segunda colocação com 17 clubes entre os 290 ranqueados cada. No entanto, entre os 50 maiores clubes do mundo, o país com mais representantes é o Brasil com oito seguido por Argentina com seis e Alemanha com cinco.
No ranquim brasileiro, o líder é o São Paulo seguido por Santos e Flamengo.
Analisando as ligas, a mais competitiva é a argentina seguida pelas ligas brasileiras e italianas empatadas na segunda posição.
Abaixo o ranquim dos 50 maiores clubes do futebol mundial e devidas pontuações: são 17 representantes da CONMEBOL, 31 clubes filiados à UEFA e dois clubes da CONCACAF.
1. Bayern Münich (Alemanha) – 445
2. Real Madrid (Espanha) – 395
3. AC Milan (Itália) – 390
4. Peñarol (Uruguai) – 327
5. Juventus (Itália) – 315
6. Boca Juniors (Argentina) – 300
7. Manchester U (Inglaterra) – 290
8. Ajax (Holanda) – 274
9. Inter Milan (Itália) – 270
10. Liverpool (Inglaterra) e Independiente (Argentina) – 265
12. Nacional (Uruguai) – 263
13. Porto (Portugal) – 242
14. River Plate (Argentina) – 230
15. São Paulo (Brasil) – 225
16. Barcelona (Espanha) – 217
17. Benfica (Portugal) – 184
18. PSV (Holanda) – 156
19. Olimpia (Paraguai) – 147
20. Santos (Brasil) e Estudiantes (Argentina) – 135
22. Estrela Vermelha (Sérvia) – 121
23. Flamengo (Brasil) – 120
24. Palmeiras (Brasil) e Internacional (Brasil) – 110
26. Vélez Sarsfield (Argentina) e Dynamo Dresden (Alemanha) – 105
28. Dinamo Kiev (Ucrânia) – 96
29. Grêmio (Rio Grande do Sul) – 95
30. Celtic (Escócia) – 94
31. Feyenoord (Holanda) – 93
32. Arsenal (Inglaterra) e Dortmund (Alemanha) – 90
34. Steua Bucarest (Romênia) – 88
35. Colo-Colo (Chile) – 84
36. Vasco (Brasil) e Sparta Praga (República Tcheca) – 80
38. Marseille (França) – 76
39. Borussia MG (Alemanha) – 75
40. SC Anderlecht (Bélgica) – 72
41. Atl Madrid (Espanha) – 69
42. Partizan Belgrado (Sérvia) – 68
43. América (México) – 67,5
44. Hamburg (Alemanha) – 65
45. Cruz Azul (México) – 64,5
46. Saint-Etienne (França) – 64
47. Corinthians (Brasil) e Rosario Central (Argentina) – 60
49. LDU (Equador) – 58
50. Lyon (França) – 56
Rosario Central e Dynamo Dresden são os únicos clubes posicionados entre os 50 maiores que não disputam as divisões especiais de seus países atualmente. O Rosario Central foi rebaixado na temporada passada enquanto que os alemães disputam a terceira divisão germânica.
O clube com mais títulos mundiais é o AC Milan com quatro conquistas; os maiores campeões continentais são AC Milan e Independiente, cada um com sete taças europeias e sul-americanas respectivamente. O maior campeão nacional é o maior clube do mundo, o Bayern Münich, 21 vezes campeão alemão.
Em toda a lista estão ranqueados 290 clubes de 39 países.
O país que mais clubes possui no ranquim é a Lituânia com 20 clubes. Brasil e México ocupam a segunda colocação com 17 clubes entre os 290 ranqueados cada. No entanto, entre os 50 maiores clubes do mundo, o país com mais representantes é o Brasil com oito seguido por Argentina com seis e Alemanha com cinco.
No ranquim brasileiro, o líder é o São Paulo seguido por Santos e Flamengo.
Analisando as ligas, a mais competitiva é a argentina seguida pelas ligas brasileiras e italianas empatadas na segunda posição.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Porto Alegre x Medelín
Fazia muito tempo em que não passava um período tão grande sem vir a Porto Alegre desde que me mudei para Medelín. Quase um ano se passou sem eu tocar o solo gaúcho.
Esse período mais longo longe da cidade conforma uma melhor posição para uma análise das diferenças notadas na cidade e torna fértil o campo de uma análise que farei mais uma vez: as diferenças de viver em Porto Alegre e Medelín, o que é melhor ou pior em cada uma dessas cidades tão drasticamente diferentes.
Minha relação com Porto Alegre é conturbada, instável, de amor e ódio. Sempre gostei muito de Porto Alegre e, influenciado pelo sentimento bairrista local, poderia dizer que amava Porto Alegre. O fim desse amor, ou melhor dizendo, a primeira desilusão amorosa foi quando fui para Londres em 2005 para lá ficar por um período de dois anos. É inevitável a comparação do estilo e modo de vida das duas cidades.
Evidentemente já havia saído do país antes disso inclusive tendo ido como turista à Londres, mas viver em uma cidade é diferente de fazer turismo; o dia a dia torna possível a comparação enquanto que o turismo apenas oferece análises rasas de realidades diferentes.
Voltei de Londres e passei a odiar Porto Alegre. Sentia falta da segurança, do sistema de transporte excelente, mas, antes de tudo, sentia falta da beleza presente em todos os lugares e do fator rua. Em Londres eu expendia meu tempo livre na rua; em Porto Alegre, devido a nossa cópia errônea de um estilo de vida americano, não temos na rua um lugar agradável de lazer guardado alguns pontos de exceção na cidade.
Agora tenho um endereço em uma terceira cidade e, em todas as minhas visitas a Porto Alegre que havia feito, todas muito rápidas, quando chegava aqui sentia aquele amor adolescente voltando aos poucos já que comparava Porto Alegre com Medelín, uma cidade que aprendi a não gostar.
Agora a visão e análise é outra. Farei uma comparação da qualidade de vida nessas duas cidades dividida de maneira não tão organizada em três partes: análise das duas cidades, análise dos hábitos e do povo local, algo que para mim é fundamental na qualidade de vida de qualquer região e depois uma análise mais complexa que abrange o meu ambiente em cada lugar, essa “microrregião”, ou melhor dito, esse “microcosmo” que eu faço parte. Ao final uma conclusão que nada conclui.
Tanto Porto Alegre quanto Medelín são cidades feias. No entanto, na região mais rica da cidade em Medelín onde vivo, é um ambiente extremamente agradável. Ainda há pedaços de bosques nativos e pode-se dizer que é uma cidade à parte onde tudo é bonito e agradável. Fora dessa região, uma cidade simplesmente monótona e igual, mas sempre com a intensa presença do verde. Porto Alegre tem uma organização social distinta e curiosa. A maioria pode se impressionar, mas a organização social da capital gaúcha é muito semelhante a do Rio de Janeiro. Ambas são cidades em que pobres e ricos vivem muito perto. Onde termina um bairro de classe média alta em Porto Alegre inicia um bairro pobre. Essa organização faz com que não existam regiões como a que eu vivo em Medellín, pois em Porto Alegre a mistura é sempre notória.
Medelín é uma cidade sectária. Da classe média para baixo todos vivem ou no centro da cidade ou nas montanhas que rodeiam a cidade. É uma organização urbana semelhante à de São Paulo com suas periferias bárbaras. Em Medelín não há pobres em bairros ricos e vice-versa. Em Medelín não há espaços públicos de lazer como há em Porto Alegre. Não há parques nem um lago com uma orla como a do Guaíba que torna um bairro como Ipanema uma atração turística para as camadas populares que não podem pagar por lazer. No meu bairro em Medelín, o mais caro e bonito da cidade, não há parques nem um lago. Em muitas partes do bairro não há nem calçada o que torna essa área apenas propícia para os carros, mais ou menos no estilo Los Angeles ou Miami. As classes mais abastadas vão, nos seus carros, aos incontáveis xópins e centros comerciais que se espalham pelo bairro e consomem, gastam dinheiro. As classes populares, sem tanto poder aquisitivo, são obrigadas a ficarem em seus bairros onde podem consumir em estabelecimentos adequados aos seus orçamentos. Soma-se a ausência de um verdadeiro sistema de transporte que torna a ida de essas populações aos bairros mais ricos mais difíceis.
Essa situação faz com que esse meu bairro esteja sempre agradável: limpo e sem vandalismos enquanto que bairros porto-alegrenses como Ipanema sejam devastados pela marginalia que baixa nos fins de semana e pelos próprios moradores vândalos que vivem muito perto e de forma muito acessível dos bairros mais nobres.
Muito mais diferente do que as cidades em si, as populações dessas duas localidades se diferem em gênero, número e grau. Um cambojano é mais semelhante a um gaúcho do que um cara de Medelín. Exageros à parte, há inúmeros fatores que fazem com que os porto-alegrenses sejam tão distintos aos cidadãos de Medelín. Para começo de análise o fator mais antagônico entre esses dois grupos é o humor e a educação, ou melhor dito, o que significa “educação” em cada um desses rincões. O povo da capital de Antioquia entende que é educado cumprimentar a todos e com um jogo de palavras que seria visto como um excesso para os gaúchos e que era excessivo para mim quando lá cheguei. Tive que adaptar minha forma de interagir para não ser taxado de mal educado. Depois de um ano longe de Porto Alegre, confesso que me sinto insultado quando me vejo envolvido em uma interação banal entre duas pessoas ou mais desconhecidas. Não há “bons dias” nem “boas tardes” e é difícil de encontrar simpatia. Os gaúchos atuam de forma brusca e direta enquanto que os colombianos atuam sempre de uma forma que ao princípio pode parecer falsa, mas depois se revela ser extremamente natural.
No entanto toda essa formalidade também tem seu lado negativo. É raro encontrar nas relações humanas colombianas um grau de intimidade que esteja acima de qualquer regra de convívio social. Não há a extremada intimidade nem entre amigos nem entre familiares o que me causa certo desconforto.
Deixando as formalidades de lado, vamos aos hábitos e a primeira grande divergência entre os dois grupos analisados é a diversidade de personalidades dos gaúchos e a uniformidade colombiana. Na Colômbia as pessoas são tão iguais, gostam tanto das mesmas coisas que arriscaria a dizer que ricos e pobres gostam e desfrutam das mesmas coisas. No Rio Grande do Sul é exatamente o contrário. Os gaúchos são sectários em relação a hábitos dependendo da classe social. Isso é bom ou ruim? Depende. Eu preferiria que todos fossem iguais como na Colômbia, mas com os meus gostos o que é impossível. Se fosse então obrigado a escolher uma forma social melhor, ficaria com a gaúcha, pois dá a chance de se ter grupos de pessoas diferentes que usufruem e consomem coisas distintas. Vou tentar colocar na prática através de exemplos.
Em Medelín todos os cidadãos gostam apenas de músicas típicas locais. Esse comportamento demonstra algo mais do que o óbvio. Em Medelín não há o interesse em buscar, procurar, questionar. Tudo é aceito. Ouve-se o que o rádio oferece. Em Medelín todos acham que o ápice da diversão de um ser humano é reunir-se com amigos ou parentes em uma casa no meio das montanhas, ouvir música sertaneja e beber cachaça até a inconsciência. Aliás, a cachaça tem que estar presente sempre. Não há confraternização interpessoal em que a cachaça não esteja presente. Outra vez: esse dado tem mais significância do que o que transparece num primeiro momento. A limitação intelectual do povo que resulta em um senso de humor deplorável faz com que a reunião de pessoas se torne insuportável sem a presença de um elemento que altere suas percepções e aí que entra a cachaça.
O quê o pobre e o rico fazem em um fim de semana em Medelín? Vão para uma casa de campo embriagar-se ouvindo sertanejo e fazendo sopão no pátio.
Em Porto Alegre o sectarismo de classes é gritante. Quem ouve sertanejo em Porto Alegre? Os pobres. Quem bebe cachaça? Os pobres. As classes mais abastadas têm hábitos completamente diferentes e soma-se a esse comportamento o fator cosmopolita dos cidadãos de classes médias e superiores em Porto Alegre. Todos se interessam por artistas de outros países. Todos têm interesse em viajar, buscar novos destinos enquanto que os pobres seguirão sempre na sua mesmice consumindo o que o rádio os oferece, o que a grande mídia quer que eles consumam, exatamente como acontece em Medelín com a diferença de que lá isso funciona com todo mundo.
Mas nem tudo são flores em Porto Alegre. É difícil de encontrar em Medelín seres tão repugnantes como vemos em cada esquina por aqui. Os homens de Medelín são, como já citei em muitos textos anteriores, muito semelhantes em hábitos aos habitantes do interior de São Paulo, Minas Gerais e Goiás: gordinhos esturricados em roupas pseudo-féxions e adoradores de música sertaneja e que vêem o Estados Unidos como o lugar mais bacana do planeta, com destaque para Miami e Las Vegas. No entanto, é difícil de encontrar em Medelín os nossos babacas de plantão, aqueles caras que acham que o tamanho de seus músculos é a coisa mais importante do mundo, que praticam jiu-jítsu e que vão à praia de sunga arder em uma fogueira de vaidades e de preferência encontrar alguém para brigar como um pitbull. Em Medelín são menos. Os que se interessam pelo corpo são os homossexuais enquanto os gordinhos sertanejos exibem suas barrigas inchadas de cachaça com certo orgulho.
E o meu microcosmo, a última parte da análise, o quê é isso? Simples, é o mundo à parte em que eu vivia em Porto Alegre e que é composto por pessoas que me acompanham há mais de 10 anos no mínimo. Caras que ficam de mau humor caso a música seja ruim. Caras que desfrutam uma noite de sexta-feira ou de sábado na frente de uma churrasqueira sem necessidade alguma de consumir álcool e que tem em seu ponto mais forte e apreciável a capacidade de falar besteiras ou abordar um assunto mais sério com o mesmo humor inteligente que torna qualquer tema agradável. É bom passar uma noite de quinta ou sexta jogando um jogo de tabuleiro ou vendo um filme na casa de um amigo na paz, sem necessidade de excessos, apenas desfrutando da companhia de cada amigo eterno. Esse microcosmo construído ao longo da vida e composto por integrantes selecionados a dedo é impossível de ser recriado.
Prometi uma conclusão, mas alertei que essa poderia concluir nada ou muito pouco. Qual cidade é melhor? Difícil de dizer. Eu não gosto de nenhuma das duas, e não sei se posso considerar alguma delas superior. Uma ganha em determinados quesitos, mas perde em outros. Medelín é mais bonita em sua área fora das montanhas, mas Porto Alegre é mais rock and roll, é mais rica culturalmente, mais diversa, multicultural, ainda repleta de personagens; em Medelín não há tantas figuras extremamente babacas, mas todos são simplórios, comuns, sem senso de humor e obsessivos com a aparência. O quê é melhor: um time com 7 jogadores terríveis e 4 craques ou um time com 11 jogadores medianos?
Em Medelín não há espaço para a diferença, em Porto Alegre somos obrigados a viver juntos com a diferença o que é extremamente desagradável. Em Medelín o trânsito é caótico e os motoristas se comportam como verdadeiros bárbaros enquanto que na capital gaúcha pode-se dizer que o trânsito é civilizado. Em Medelín rostos e corpos femininos são destruídos por hediondas e numerosas cirurgias plásticas; em Porto Alegre há nossas “belezas naturais” que, no entanto, são mal humoradas. Em Medelín, apesar de haver obviamente as mulheres da pá virada, há grande quantidade de boas mulheres enquanto que em Porto Alegre venera-se a promiscuidade. Em Medelín ninguém fuma enquanto que em Porto Alegre muita gente ainda fuma, especialmente as mulheres e até algumas de nossas belezas naturais fumam e perdem a sua aura de imediato.
A solução então seria morar em Paris ou Londres, com os preços de Quito e com as mulheres suecas, comida brasileira, amabilidade de Medelín, ironia, clima e rock and roll britânicos, filosofia francesa, caráter alemão, fibra polaca, chocolates belgas e suíços, honestidade escandinava, demência e futebol argentinos, tranquilidade uruguaia meus irmãos e amigos ao lado e com minha pequena grande mulher me vendo envelhecer.
PS: para quem leu o texto “Quito”, descobri o número de colombianos que vivem no Equador: 500 mil. Explicado porque eu vi tantos cafeteiros por lá.
Esse período mais longo longe da cidade conforma uma melhor posição para uma análise das diferenças notadas na cidade e torna fértil o campo de uma análise que farei mais uma vez: as diferenças de viver em Porto Alegre e Medelín, o que é melhor ou pior em cada uma dessas cidades tão drasticamente diferentes.
Minha relação com Porto Alegre é conturbada, instável, de amor e ódio. Sempre gostei muito de Porto Alegre e, influenciado pelo sentimento bairrista local, poderia dizer que amava Porto Alegre. O fim desse amor, ou melhor dizendo, a primeira desilusão amorosa foi quando fui para Londres em 2005 para lá ficar por um período de dois anos. É inevitável a comparação do estilo e modo de vida das duas cidades.
Evidentemente já havia saído do país antes disso inclusive tendo ido como turista à Londres, mas viver em uma cidade é diferente de fazer turismo; o dia a dia torna possível a comparação enquanto que o turismo apenas oferece análises rasas de realidades diferentes.
Voltei de Londres e passei a odiar Porto Alegre. Sentia falta da segurança, do sistema de transporte excelente, mas, antes de tudo, sentia falta da beleza presente em todos os lugares e do fator rua. Em Londres eu expendia meu tempo livre na rua; em Porto Alegre, devido a nossa cópia errônea de um estilo de vida americano, não temos na rua um lugar agradável de lazer guardado alguns pontos de exceção na cidade.
Agora tenho um endereço em uma terceira cidade e, em todas as minhas visitas a Porto Alegre que havia feito, todas muito rápidas, quando chegava aqui sentia aquele amor adolescente voltando aos poucos já que comparava Porto Alegre com Medelín, uma cidade que aprendi a não gostar.
Agora a visão e análise é outra. Farei uma comparação da qualidade de vida nessas duas cidades dividida de maneira não tão organizada em três partes: análise das duas cidades, análise dos hábitos e do povo local, algo que para mim é fundamental na qualidade de vida de qualquer região e depois uma análise mais complexa que abrange o meu ambiente em cada lugar, essa “microrregião”, ou melhor dito, esse “microcosmo” que eu faço parte. Ao final uma conclusão que nada conclui.
Tanto Porto Alegre quanto Medelín são cidades feias. No entanto, na região mais rica da cidade em Medelín onde vivo, é um ambiente extremamente agradável. Ainda há pedaços de bosques nativos e pode-se dizer que é uma cidade à parte onde tudo é bonito e agradável. Fora dessa região, uma cidade simplesmente monótona e igual, mas sempre com a intensa presença do verde. Porto Alegre tem uma organização social distinta e curiosa. A maioria pode se impressionar, mas a organização social da capital gaúcha é muito semelhante a do Rio de Janeiro. Ambas são cidades em que pobres e ricos vivem muito perto. Onde termina um bairro de classe média alta em Porto Alegre inicia um bairro pobre. Essa organização faz com que não existam regiões como a que eu vivo em Medellín, pois em Porto Alegre a mistura é sempre notória.
Medelín é uma cidade sectária. Da classe média para baixo todos vivem ou no centro da cidade ou nas montanhas que rodeiam a cidade. É uma organização urbana semelhante à de São Paulo com suas periferias bárbaras. Em Medelín não há pobres em bairros ricos e vice-versa. Em Medelín não há espaços públicos de lazer como há em Porto Alegre. Não há parques nem um lago com uma orla como a do Guaíba que torna um bairro como Ipanema uma atração turística para as camadas populares que não podem pagar por lazer. No meu bairro em Medelín, o mais caro e bonito da cidade, não há parques nem um lago. Em muitas partes do bairro não há nem calçada o que torna essa área apenas propícia para os carros, mais ou menos no estilo Los Angeles ou Miami. As classes mais abastadas vão, nos seus carros, aos incontáveis xópins e centros comerciais que se espalham pelo bairro e consomem, gastam dinheiro. As classes populares, sem tanto poder aquisitivo, são obrigadas a ficarem em seus bairros onde podem consumir em estabelecimentos adequados aos seus orçamentos. Soma-se a ausência de um verdadeiro sistema de transporte que torna a ida de essas populações aos bairros mais ricos mais difíceis.
Essa situação faz com que esse meu bairro esteja sempre agradável: limpo e sem vandalismos enquanto que bairros porto-alegrenses como Ipanema sejam devastados pela marginalia que baixa nos fins de semana e pelos próprios moradores vândalos que vivem muito perto e de forma muito acessível dos bairros mais nobres.
Muito mais diferente do que as cidades em si, as populações dessas duas localidades se diferem em gênero, número e grau. Um cambojano é mais semelhante a um gaúcho do que um cara de Medelín. Exageros à parte, há inúmeros fatores que fazem com que os porto-alegrenses sejam tão distintos aos cidadãos de Medelín. Para começo de análise o fator mais antagônico entre esses dois grupos é o humor e a educação, ou melhor dito, o que significa “educação” em cada um desses rincões. O povo da capital de Antioquia entende que é educado cumprimentar a todos e com um jogo de palavras que seria visto como um excesso para os gaúchos e que era excessivo para mim quando lá cheguei. Tive que adaptar minha forma de interagir para não ser taxado de mal educado. Depois de um ano longe de Porto Alegre, confesso que me sinto insultado quando me vejo envolvido em uma interação banal entre duas pessoas ou mais desconhecidas. Não há “bons dias” nem “boas tardes” e é difícil de encontrar simpatia. Os gaúchos atuam de forma brusca e direta enquanto que os colombianos atuam sempre de uma forma que ao princípio pode parecer falsa, mas depois se revela ser extremamente natural.
No entanto toda essa formalidade também tem seu lado negativo. É raro encontrar nas relações humanas colombianas um grau de intimidade que esteja acima de qualquer regra de convívio social. Não há a extremada intimidade nem entre amigos nem entre familiares o que me causa certo desconforto.
Deixando as formalidades de lado, vamos aos hábitos e a primeira grande divergência entre os dois grupos analisados é a diversidade de personalidades dos gaúchos e a uniformidade colombiana. Na Colômbia as pessoas são tão iguais, gostam tanto das mesmas coisas que arriscaria a dizer que ricos e pobres gostam e desfrutam das mesmas coisas. No Rio Grande do Sul é exatamente o contrário. Os gaúchos são sectários em relação a hábitos dependendo da classe social. Isso é bom ou ruim? Depende. Eu preferiria que todos fossem iguais como na Colômbia, mas com os meus gostos o que é impossível. Se fosse então obrigado a escolher uma forma social melhor, ficaria com a gaúcha, pois dá a chance de se ter grupos de pessoas diferentes que usufruem e consomem coisas distintas. Vou tentar colocar na prática através de exemplos.
Em Medelín todos os cidadãos gostam apenas de músicas típicas locais. Esse comportamento demonstra algo mais do que o óbvio. Em Medelín não há o interesse em buscar, procurar, questionar. Tudo é aceito. Ouve-se o que o rádio oferece. Em Medelín todos acham que o ápice da diversão de um ser humano é reunir-se com amigos ou parentes em uma casa no meio das montanhas, ouvir música sertaneja e beber cachaça até a inconsciência. Aliás, a cachaça tem que estar presente sempre. Não há confraternização interpessoal em que a cachaça não esteja presente. Outra vez: esse dado tem mais significância do que o que transparece num primeiro momento. A limitação intelectual do povo que resulta em um senso de humor deplorável faz com que a reunião de pessoas se torne insuportável sem a presença de um elemento que altere suas percepções e aí que entra a cachaça.
O quê o pobre e o rico fazem em um fim de semana em Medelín? Vão para uma casa de campo embriagar-se ouvindo sertanejo e fazendo sopão no pátio.
Em Porto Alegre o sectarismo de classes é gritante. Quem ouve sertanejo em Porto Alegre? Os pobres. Quem bebe cachaça? Os pobres. As classes mais abastadas têm hábitos completamente diferentes e soma-se a esse comportamento o fator cosmopolita dos cidadãos de classes médias e superiores em Porto Alegre. Todos se interessam por artistas de outros países. Todos têm interesse em viajar, buscar novos destinos enquanto que os pobres seguirão sempre na sua mesmice consumindo o que o rádio os oferece, o que a grande mídia quer que eles consumam, exatamente como acontece em Medelín com a diferença de que lá isso funciona com todo mundo.
Mas nem tudo são flores em Porto Alegre. É difícil de encontrar em Medelín seres tão repugnantes como vemos em cada esquina por aqui. Os homens de Medelín são, como já citei em muitos textos anteriores, muito semelhantes em hábitos aos habitantes do interior de São Paulo, Minas Gerais e Goiás: gordinhos esturricados em roupas pseudo-féxions e adoradores de música sertaneja e que vêem o Estados Unidos como o lugar mais bacana do planeta, com destaque para Miami e Las Vegas. No entanto, é difícil de encontrar em Medelín os nossos babacas de plantão, aqueles caras que acham que o tamanho de seus músculos é a coisa mais importante do mundo, que praticam jiu-jítsu e que vão à praia de sunga arder em uma fogueira de vaidades e de preferência encontrar alguém para brigar como um pitbull. Em Medelín são menos. Os que se interessam pelo corpo são os homossexuais enquanto os gordinhos sertanejos exibem suas barrigas inchadas de cachaça com certo orgulho.
E o meu microcosmo, a última parte da análise, o quê é isso? Simples, é o mundo à parte em que eu vivia em Porto Alegre e que é composto por pessoas que me acompanham há mais de 10 anos no mínimo. Caras que ficam de mau humor caso a música seja ruim. Caras que desfrutam uma noite de sexta-feira ou de sábado na frente de uma churrasqueira sem necessidade alguma de consumir álcool e que tem em seu ponto mais forte e apreciável a capacidade de falar besteiras ou abordar um assunto mais sério com o mesmo humor inteligente que torna qualquer tema agradável. É bom passar uma noite de quinta ou sexta jogando um jogo de tabuleiro ou vendo um filme na casa de um amigo na paz, sem necessidade de excessos, apenas desfrutando da companhia de cada amigo eterno. Esse microcosmo construído ao longo da vida e composto por integrantes selecionados a dedo é impossível de ser recriado.
Prometi uma conclusão, mas alertei que essa poderia concluir nada ou muito pouco. Qual cidade é melhor? Difícil de dizer. Eu não gosto de nenhuma das duas, e não sei se posso considerar alguma delas superior. Uma ganha em determinados quesitos, mas perde em outros. Medelín é mais bonita em sua área fora das montanhas, mas Porto Alegre é mais rock and roll, é mais rica culturalmente, mais diversa, multicultural, ainda repleta de personagens; em Medelín não há tantas figuras extremamente babacas, mas todos são simplórios, comuns, sem senso de humor e obsessivos com a aparência. O quê é melhor: um time com 7 jogadores terríveis e 4 craques ou um time com 11 jogadores medianos?
Em Medelín não há espaço para a diferença, em Porto Alegre somos obrigados a viver juntos com a diferença o que é extremamente desagradável. Em Medelín o trânsito é caótico e os motoristas se comportam como verdadeiros bárbaros enquanto que na capital gaúcha pode-se dizer que o trânsito é civilizado. Em Medelín rostos e corpos femininos são destruídos por hediondas e numerosas cirurgias plásticas; em Porto Alegre há nossas “belezas naturais” que, no entanto, são mal humoradas. Em Medelín, apesar de haver obviamente as mulheres da pá virada, há grande quantidade de boas mulheres enquanto que em Porto Alegre venera-se a promiscuidade. Em Medelín ninguém fuma enquanto que em Porto Alegre muita gente ainda fuma, especialmente as mulheres e até algumas de nossas belezas naturais fumam e perdem a sua aura de imediato.
A solução então seria morar em Paris ou Londres, com os preços de Quito e com as mulheres suecas, comida brasileira, amabilidade de Medelín, ironia, clima e rock and roll britânicos, filosofia francesa, caráter alemão, fibra polaca, chocolates belgas e suíços, honestidade escandinava, demência e futebol argentinos, tranquilidade uruguaia meus irmãos e amigos ao lado e com minha pequena grande mulher me vendo envelhecer.
PS: para quem leu o texto “Quito”, descobri o número de colombianos que vivem no Equador: 500 mil. Explicado porque eu vi tantos cafeteiros por lá.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Quito
A minha primeira percepção do Equador depois de estar vivendo já há quase dois anos na Colômbia foi que são dois países muito diferentes apesar da proximidade. Esperava encontrar enormes semelhanças, mas estas são menos do que eu tinha em mente.
O fator de maior diferencial entre os dois países é o comportamento das pessoas. Não sei se fiquei muito exigente quanto à amabilidade dos povos depois de estar a tanto tempo em Medelín, mas o fato é que a população de Quito é mais fria e em muitas situações mal educada e mal humorada. A questão da maior frieza dos cidadãos de Quito confirma minha teoria sobre a influência do clima nas pessoas. Em Quito a temperatura dificilmente passa dos 25 graus e, pela noite, chega a nove ou 10 graus em média.
Não se pode dizer que as pessoas em Quito sejam ranzinzas. Em muitos pedidos de informação recebi bom trato, mas não há aquele carinho excessivo dos colombianos que se aflora ainda mais quando se é estrangeiro. Senti falta de ser chamado de “meu amor” por qualquer senhora nas ruas ou em qualquer estabelecimento comercial. Os equatorianos, e quando digo “equatorianos” me refiro às pessoas de Quito, são de poucas palavras, poucos sorrisos e sim ajudam, mas com uma informação básica e jamais ajudam mais do que o que foi perguntado. É comum receber respostas curtas e grossas, como um sim ou não. “Tu sabes onde é a entrada ao estádio?”. A resposta é “não”, bem assim, curtos e grossos.
As semelhanças com a Colômbia aparecem, infelizmente, na música. Escuta-se a mesma porcaria do que na Colômbia e o reggaeton existe, mas não é tão popular. Outro fato interessante quando comparamos esses dois países e o grande número de colombianos em Quito. Há em grande quantidade e por todos os lados. É comum encontrar-se padarias e restaurantes que servem comida colombiana.
No entanto, além de colombianos, Quito é repleta de árabes, chineses e indianos. Muitos fazem a mesma coisa que seus compatriotas em países de primeiro mundo: são donos de restaurantes de comida típica. Na esquina de meu hotel havia um restaurante de afegãos e desde minha primeira noite tive contato com vários grupos de árabes. Chineses por toda a cidade também em sua maioria donos de estabelecimentos de alimentação. Aproveitei essa presença árabe para matar as saudades da pita, falafel ou shawara, nunca lembro das diferenças entre eles, mas gosto de todos. Carne espetada girando em frente a um forno na vertical dentro de um pão árabe com iogurte, alface e molho de alho. Simplesmente excelente e ao custo de um dólar e meio.
Falando em preços, o Equador é um país que tem o dólar americano como sua moeda oficial. Não sei se por isso ou por qualquer outro motivo, mas esse pequeno país deve ser o mais barato do continente para comer fora. Come-se um prato com camarão, frango, carne, corvina ou etc por menos de dois dólares. Os restaurantes da área turística oferecem pratos entre cinco e sete dólares. Ainda falando em comida, esse seria outro grande diferencial entre Colômbia e Equador. Come-se extremadamente bem no Equador, não apenas considerando os baixos preços, mas sim a excelente qualidade da comida. A comida típica de Quito não é o famoso ceviche que é da costa equatoriana; em Quito o prato mais tradicional é um caldo de pata, algo que soa detestável e deve ser, pois não provei por pura falta de interesse em sopas e caldos; queria provar o cuy que é uma carne de um roedor, mas é difícil de encontrar. Come-se muitos mariscos, camarões e frutos do mar em geral, mas recomendo provar os produtos como pães, bolachas e tortas das padarias da cidade que são de excelente qualidade.
Para destacar dois lugares em especial, vou de Café Español e La Boca del Lobo. O primeiro é uma mescla de café com delicatessen. Oferecem uma grande gama de presuntos espanhóis e excelentes queijos franceses e suíços. Chocolates e doces também estão presentes e todos de muita qualidade. O outro estabelecimento citado é o restaurante de decoração mais espetacular que já vi. É difícil de definir o seu estilo, mas eu diria que é uma grande mistura de estilos incompatíveis que têm como resultado uma aberração espetacular. Há móveis clássicos, luzes em neon, objetos decorativos de vidro, bonecos chineses, muitas cores, muito vidro e luzes, objetos místicos, candelabros etc. Sei que isso pode soar como o lugar mais cafona do mundo, mas é simplesmente uma ode ao kitch de estética única e genial.
Esses dois lugares se localizam em uma área conhecida como La Mariscal que era onde meu hotel ficava. É uma região repleta de turistas estrangeiros e com um clima extremamente agradável. Muitas lojas e principalmente bares, cafés e restaurantes conformam uma das áreas de entretenimento mais agradáveis em que já estive.
Destaques para o Mulligan´s e para a pouca presença de cadeias importantes como Mc Donald´s e Burger King que ficam atrás até mesmo de uma cadeia americana de restaurantes menos popular que é a KFC.
Infelizmente a população é assustadoramente horrorosa fisicamente. Em três dias não vi sequer uma equatoriana bonita. Os habitantes de Quito são massivamente muito indígenas, ou seja, indiozinhos anões e é comum ver mulheres de mais idade usando roupas típicas indígenas. Ainda abordando as características da população, é muito difícil encontrar um cidadão de Quito que não seja torcedor da LDU apesar de que a maior torcida do país é a do Barcelona de Guayaquil.
O trânsito de Quito também é outro ponto positivo da cidade. A capital do Equador possui uma geografia curiosa. É uma faixa retangular de três quilômetros por cinquenta e poucos. Vista de cima, é um corredor de concreto. No centro dessa tripa há duas grandes avenidas, uma direcionada a cada sentido e isso torna a cidade extremamente fácil de locomover para os turistas. É interessante a não-presença de motos o que torna o trânsito muito mais agradável e há um sistema de ônibus elétricos que cruzam a cidade extremamente eficiente e que custam apenas 0,25.
Os pontos mais interessantes da cidade são o seu centro histórico que é considerado o mais bonito do continente e onde eu tive a desagradável experiência de ter uma de minhas câmeras furtadas. Enquanto filmava um discurso do presidente Correa, algum rato equatoriano, notando a minha óbvia situação de turista se aproveitou de um deslize da bolsa da câmera em direção às minhas costas, abriu-a e levou a câmera sem eu nem me dar conta. Maldita América do Sul.
Falando no presidente equatoriano, é interessante notar a presença sutil de uma ultrapassada propaganda estilo comunista. Há alguns cartazes e mensagens louvando a luta do povo e seguidamente aparecem personagens históricos como Fidel Castro.
Outro ponto a ser visitado de Quito é a sua basílica, a mais alta da América Latina. É extremamente parecida com a Notre Dame parisiense e é, sem dúvidas, uma das mais bonitas que já vi. O curioso da basílica é a presença de estabelecimentos comerciais incrustados ao redor da nave principal. No próprio prédio ou ao redor da igreja vê-se inúmeros pequenos comércios inseridos de maneira extremamente peculiar.
Vale à pena também a experiência de subir no teleférico da cidade que leva o corajoso turista a 4.100 metros de altitude, ou seja, acima de muitas nuvens. Além de uma vista privilegiada de toda a cidade é uma oportunidade única de entender os fracos desempenhos de times sul-americanos quando jogam nas alturas de La Paz, Quito ou principalmente Cuzco. Uma caminhada mais rápida e o ar já começa a faltar.
Para completar os atrativos de Quito, é ponto obrigatório ir até o monumento do centro do mundo onde passa uma linha amarela, a tão famosa e badalada linha do Equador. Lá nessa localidade que fica nos subúrbios da capital em uma área cara e repleta de bonitas casas, pode-se fazer a experiência do ovo de Colombo e também ver a balança marcar menos quilos do que os de costume e tudo isso devido à diminuição da gravidade. Um comerciante local me disse que, quando chegaram ao local, os expedicionários franceses não contavam com a tecnologia de aparelhos como GPS e portando não sabiam exatamente onde era o ponto central do planeta, sabiam apenas que era por essa região e o monumento foi, então, construído na região do centro do mundo. Pois esse dono de um restaurante local já fez o teste com um GPS e verdadeiro centro do mundo fica em uma montanha da região visível desde o parque do centro do mundo. Seu plano era começar excursões que levariam ao “verdadeiro” centro do mundo.
Perto do parque do centro do mundo está localizada uma cratera do vulcão Pululahua habitada que é a maior do mundo. Entre montanhas e a 300 metros de profundidade 100 famílias cultivam suas hortas e vivem em um estilo extremamente pitoresco. Há energia elétrica proveniente da rodovia, mas não há sistema de águas e sinal de televisão. Uma escola abriga os mais ou menos 15 alunos e é cenário de uma história comovedora de amor ao ensino. Uma professora trabalhou nessa escola por nove anos.
Ia todos os dias de Quito até essa localidade e se via obrigada e descer diariamente os 300 metros e depois subi-los ao final das aulas. O único posto de saúde da comunidade foi fechado, pois era inútil devido à saúde de ferro de seus habitantes que jamais adoecem, pois têm uma vida extremamente saudáveis. Consomem alimentos que eles mesmos plantam sem qualquer uso de agrotóxicos, bebem água cristalina proveniente das montanhas virgens e não gastam horas em frente à televisão, pois se mantêm na lida do campo até o horário em que as nuvens tapam o vale e baixam a temperatura a zero grau. Essa mesma neblina aduba o solo e o torna muito fértil.
Atrás do povoado, passando uma montanha de 15 mil anos há uma reserva ecológica que abriga uma até pumas e ursos e que não pode ser habitada pelos humanos.
Grata surpresa gastronômica e esclarecedora de dúvidas e mitos foi Quito, uma cidade séria, fria e de poucos e bons atrativos.
O fator de maior diferencial entre os dois países é o comportamento das pessoas. Não sei se fiquei muito exigente quanto à amabilidade dos povos depois de estar a tanto tempo em Medelín, mas o fato é que a população de Quito é mais fria e em muitas situações mal educada e mal humorada. A questão da maior frieza dos cidadãos de Quito confirma minha teoria sobre a influência do clima nas pessoas. Em Quito a temperatura dificilmente passa dos 25 graus e, pela noite, chega a nove ou 10 graus em média.
Não se pode dizer que as pessoas em Quito sejam ranzinzas. Em muitos pedidos de informação recebi bom trato, mas não há aquele carinho excessivo dos colombianos que se aflora ainda mais quando se é estrangeiro. Senti falta de ser chamado de “meu amor” por qualquer senhora nas ruas ou em qualquer estabelecimento comercial. Os equatorianos, e quando digo “equatorianos” me refiro às pessoas de Quito, são de poucas palavras, poucos sorrisos e sim ajudam, mas com uma informação básica e jamais ajudam mais do que o que foi perguntado. É comum receber respostas curtas e grossas, como um sim ou não. “Tu sabes onde é a entrada ao estádio?”. A resposta é “não”, bem assim, curtos e grossos.
As semelhanças com a Colômbia aparecem, infelizmente, na música. Escuta-se a mesma porcaria do que na Colômbia e o reggaeton existe, mas não é tão popular. Outro fato interessante quando comparamos esses dois países e o grande número de colombianos em Quito. Há em grande quantidade e por todos os lados. É comum encontrar-se padarias e restaurantes que servem comida colombiana.
No entanto, além de colombianos, Quito é repleta de árabes, chineses e indianos. Muitos fazem a mesma coisa que seus compatriotas em países de primeiro mundo: são donos de restaurantes de comida típica. Na esquina de meu hotel havia um restaurante de afegãos e desde minha primeira noite tive contato com vários grupos de árabes. Chineses por toda a cidade também em sua maioria donos de estabelecimentos de alimentação. Aproveitei essa presença árabe para matar as saudades da pita, falafel ou shawara, nunca lembro das diferenças entre eles, mas gosto de todos. Carne espetada girando em frente a um forno na vertical dentro de um pão árabe com iogurte, alface e molho de alho. Simplesmente excelente e ao custo de um dólar e meio.
Falando em preços, o Equador é um país que tem o dólar americano como sua moeda oficial. Não sei se por isso ou por qualquer outro motivo, mas esse pequeno país deve ser o mais barato do continente para comer fora. Come-se um prato com camarão, frango, carne, corvina ou etc por menos de dois dólares. Os restaurantes da área turística oferecem pratos entre cinco e sete dólares. Ainda falando em comida, esse seria outro grande diferencial entre Colômbia e Equador. Come-se extremadamente bem no Equador, não apenas considerando os baixos preços, mas sim a excelente qualidade da comida. A comida típica de Quito não é o famoso ceviche que é da costa equatoriana; em Quito o prato mais tradicional é um caldo de pata, algo que soa detestável e deve ser, pois não provei por pura falta de interesse em sopas e caldos; queria provar o cuy que é uma carne de um roedor, mas é difícil de encontrar. Come-se muitos mariscos, camarões e frutos do mar em geral, mas recomendo provar os produtos como pães, bolachas e tortas das padarias da cidade que são de excelente qualidade.
Para destacar dois lugares em especial, vou de Café Español e La Boca del Lobo. O primeiro é uma mescla de café com delicatessen. Oferecem uma grande gama de presuntos espanhóis e excelentes queijos franceses e suíços. Chocolates e doces também estão presentes e todos de muita qualidade. O outro estabelecimento citado é o restaurante de decoração mais espetacular que já vi. É difícil de definir o seu estilo, mas eu diria que é uma grande mistura de estilos incompatíveis que têm como resultado uma aberração espetacular. Há móveis clássicos, luzes em neon, objetos decorativos de vidro, bonecos chineses, muitas cores, muito vidro e luzes, objetos místicos, candelabros etc. Sei que isso pode soar como o lugar mais cafona do mundo, mas é simplesmente uma ode ao kitch de estética única e genial.
Esses dois lugares se localizam em uma área conhecida como La Mariscal que era onde meu hotel ficava. É uma região repleta de turistas estrangeiros e com um clima extremamente agradável. Muitas lojas e principalmente bares, cafés e restaurantes conformam uma das áreas de entretenimento mais agradáveis em que já estive.
Destaques para o Mulligan´s e para a pouca presença de cadeias importantes como Mc Donald´s e Burger King que ficam atrás até mesmo de uma cadeia americana de restaurantes menos popular que é a KFC.
Infelizmente a população é assustadoramente horrorosa fisicamente. Em três dias não vi sequer uma equatoriana bonita. Os habitantes de Quito são massivamente muito indígenas, ou seja, indiozinhos anões e é comum ver mulheres de mais idade usando roupas típicas indígenas. Ainda abordando as características da população, é muito difícil encontrar um cidadão de Quito que não seja torcedor da LDU apesar de que a maior torcida do país é a do Barcelona de Guayaquil.
O trânsito de Quito também é outro ponto positivo da cidade. A capital do Equador possui uma geografia curiosa. É uma faixa retangular de três quilômetros por cinquenta e poucos. Vista de cima, é um corredor de concreto. No centro dessa tripa há duas grandes avenidas, uma direcionada a cada sentido e isso torna a cidade extremamente fácil de locomover para os turistas. É interessante a não-presença de motos o que torna o trânsito muito mais agradável e há um sistema de ônibus elétricos que cruzam a cidade extremamente eficiente e que custam apenas 0,25.
Os pontos mais interessantes da cidade são o seu centro histórico que é considerado o mais bonito do continente e onde eu tive a desagradável experiência de ter uma de minhas câmeras furtadas. Enquanto filmava um discurso do presidente Correa, algum rato equatoriano, notando a minha óbvia situação de turista se aproveitou de um deslize da bolsa da câmera em direção às minhas costas, abriu-a e levou a câmera sem eu nem me dar conta. Maldita América do Sul.
Falando no presidente equatoriano, é interessante notar a presença sutil de uma ultrapassada propaganda estilo comunista. Há alguns cartazes e mensagens louvando a luta do povo e seguidamente aparecem personagens históricos como Fidel Castro.
Outro ponto a ser visitado de Quito é a sua basílica, a mais alta da América Latina. É extremamente parecida com a Notre Dame parisiense e é, sem dúvidas, uma das mais bonitas que já vi. O curioso da basílica é a presença de estabelecimentos comerciais incrustados ao redor da nave principal. No próprio prédio ou ao redor da igreja vê-se inúmeros pequenos comércios inseridos de maneira extremamente peculiar.
Vale à pena também a experiência de subir no teleférico da cidade que leva o corajoso turista a 4.100 metros de altitude, ou seja, acima de muitas nuvens. Além de uma vista privilegiada de toda a cidade é uma oportunidade única de entender os fracos desempenhos de times sul-americanos quando jogam nas alturas de La Paz, Quito ou principalmente Cuzco. Uma caminhada mais rápida e o ar já começa a faltar.
Para completar os atrativos de Quito, é ponto obrigatório ir até o monumento do centro do mundo onde passa uma linha amarela, a tão famosa e badalada linha do Equador. Lá nessa localidade que fica nos subúrbios da capital em uma área cara e repleta de bonitas casas, pode-se fazer a experiência do ovo de Colombo e também ver a balança marcar menos quilos do que os de costume e tudo isso devido à diminuição da gravidade. Um comerciante local me disse que, quando chegaram ao local, os expedicionários franceses não contavam com a tecnologia de aparelhos como GPS e portando não sabiam exatamente onde era o ponto central do planeta, sabiam apenas que era por essa região e o monumento foi, então, construído na região do centro do mundo. Pois esse dono de um restaurante local já fez o teste com um GPS e verdadeiro centro do mundo fica em uma montanha da região visível desde o parque do centro do mundo. Seu plano era começar excursões que levariam ao “verdadeiro” centro do mundo.
Perto do parque do centro do mundo está localizada uma cratera do vulcão Pululahua habitada que é a maior do mundo. Entre montanhas e a 300 metros de profundidade 100 famílias cultivam suas hortas e vivem em um estilo extremamente pitoresco. Há energia elétrica proveniente da rodovia, mas não há sistema de águas e sinal de televisão. Uma escola abriga os mais ou menos 15 alunos e é cenário de uma história comovedora de amor ao ensino. Uma professora trabalhou nessa escola por nove anos.
Ia todos os dias de Quito até essa localidade e se via obrigada e descer diariamente os 300 metros e depois subi-los ao final das aulas. O único posto de saúde da comunidade foi fechado, pois era inútil devido à saúde de ferro de seus habitantes que jamais adoecem, pois têm uma vida extremamente saudáveis. Consomem alimentos que eles mesmos plantam sem qualquer uso de agrotóxicos, bebem água cristalina proveniente das montanhas virgens e não gastam horas em frente à televisão, pois se mantêm na lida do campo até o horário em que as nuvens tapam o vale e baixam a temperatura a zero grau. Essa mesma neblina aduba o solo e o torna muito fértil.
Atrás do povoado, passando uma montanha de 15 mil anos há uma reserva ecológica que abriga uma até pumas e ursos e que não pode ser habitada pelos humanos.
Grata surpresa gastronômica e esclarecedora de dúvidas e mitos foi Quito, uma cidade séria, fria e de poucos e bons atrativos.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Votos Célebres
Entre as tantas possíveis nomenclaturas que podem ser utilizadas para definir a era em que vivemos, uma delas poderia ser “A Era das Celebridades”. Muitos pensadores se referem ao nosso momento social atual como “modernidade”, outros como “pós-modernidade” e temos até a “hipermodernidade”. No entanto, todas essas definições devem ter obrigatoriamente a abordagem do fenômeno das celebridades.
Juntamente com o alto consumo de publicações de auto-ajuda, histórias de bruxinhos mágicos e de vampirinhos emos depressivos, se gasta um oceano Atlântico de tinta por ano para publicações que abordam as vidas espetaculares de celebridades, sejam essas nacionais ou internacionais. O cidadão médio e ordinário tem necessidade de sair de sua vida simples e medíocre e penetrar através do consumo de materiais desse estilo na vida glamorosa e fantástica das estrelas.
Um fenômeno que vem chamando a atenção de todos nos últimos anos é o sucesso das redes sociais, mais especificamente os saites Orkut, Facebook e Twitter, o mais novo da turma. A popularidade e a alta adesão a esses saites representam uma espécie de revolta dos seres ordinários que não mais aceitam sua condição periférica no mundo do espetáculo. Cidadãos comuns, cansados de obter prazer somente através dos órgãos genitais de famosos, resolveram criar o seu próprio ciclo do sucesso e exibem-se como celebridades em um meio em que sim são notados, vistos, comentados e bisbilhotados.
Basta cinco minutos de navegação por esses saites e veremos amostras infindáveis desse complexo de vira-lata célebre. Vemos fotos tiradas pelas próprias personagens das imagens. É comum a auto-foto ou a foto tirada em frente a um espelho por um cidadão sozinho em um recinto com seu computador que é sua porta para a fama. As mulheres chegam ao ponto de colocar uma roupa mais vibrante e tiram suas fotos para colocar no círculo da “mídia” amadora. Os homens não são menos carentes e/ou ridículos. Apostam geralmente em óculos escuros ou fotos com símbolos fálicos que revigoram sua pobre masculinidade como carros e motos. Tudo isso feito com a intenção de serem vistos, notados, adorados, serem motivo de comentários em seus micros cosmos. Nada é mais prazeroso atualmente do que ter muitos comentários em alguma foto ou, melhor ainda, ter muitos views em algum vídeo publicado no Youtube.
Via Twitter, os ex-excluídos do mundo garboso do espetáculo publicam suas ações minuto a minuto. “Estou no banho”; “Estou pensando na vida”; “Fazendo nada”; “Pensando na morte da bezerra”. Se a Lady Gaga ou a Angelina Jolie publicam algo assim na rede, seria interessante? Sim. Milhões de pessoas dedicariam pelo menos alguns segundos de suas vidas para pensar nos célebres no banheiro ou pensando na morte da bezerra. E agora, se eu, um reles mortal, publico algo assim, é interessante? SIM, agora sim, agora, via Internet, temos a democracia dos holofotes, é a rebelião dos anônimos.
Essa adesão massiva ao culto das celebridades chegou, infelizmente até os meandros da política brasileira. As eleições de 2010 poderiam ser nomeadas como a eleição das celebridades. O fenômeno demonstra a necessidade doentia que temos de sermos entretidos a todo o tempo. Necessitamos diversão, imagens e publicidade para sobreviver. A adição é tão forte que queremos esse entretenimento até na política.
Nas eleições 2010 que movimentaram mais de 130 milhões de pessoas pelo país afora, candidatos célebres foram eleitos. Para demonstrar o grau desse fanatismo idiota, os dois estados mais importantes do país tiveram como seus deputados federais mais votados, duas celebridades. O Rio de Janeiro elegeu, além de Romário, Wagner Montes que foi o favorito dos fluminenses; no entanto o mais votado entre todos, que recebeu voto de pelo menos 1% de todos os eleitores do país atingindo um número de 1,3 milhões de sufrágios, sendo, assim, o mais votado pelos paulistas foi o palhaço analfabeto Tiririca.
Por que acontece isso? Evidentemente que a ignorância é o motivo mais apontado por todos, mas há algo mais por trás. O quê os cidadãos brasileiros médios sabem sobre a vida de seus políticos? Muito pouco e não sei por quê dessa indiferença. A vida da maioria dos políticos é muito mais interessante do que a da maioria dessa figuras que citarei que, felizmente, não chegaram a serem eleitos, mas se candidataram.
Tivemos, entre outros: o pagodeiro Netinho que havia sido o deputado mais votado das últimas eleições, mas que não conseguiu a tão sonhada reeleição, talvez por ter sido flagrado desviando verba pública para sua instituição de “caridade” para consigo mesmo; Marcelinho Carioca, Vampeta, o jogador campeão do mundo que desceu rolando a rampa do Planalto bêbado depois de voltar do oriente e que pelo jeito gostou do cenário; Agnaldo Timóteo, Juca Chaves, Maguila, Popó, Simony, a musa do PCC, Joãozinho Trinta, um cidadão homossexual que ganha a vida através de uma profissão chamada “carnavalesco”, Reginaldo Rossi, Moacyr Franco, o comediante fracassado sustentado durante toda a vida pelo Silvio Santos, Rebeca Gusmão, a mulher-macho expulsa do esporte por uso de drogas, Eurico Miranda, o Al Capone ex-dono do Vasco que demonstrou que necessitava do cargo no futebol para seguir popular, Roberto Dinamite, Dinei, ex-jogador flagrado duas vezes em exames anti-dópins por cocaína, Ademir da Guia, Robgol, Túlio Maravilha e o técnico campeão do mundo pelo Grêmio Valdir Espinosa, além de alguns sertanejos, evangélicos, ex-participantes do Big Brother e esse brilhante triunvirato: Mulher Melão, Mulher Pêra e Tati Quebra Barraco. Quando abandonei esse país existia apenas a Mulher Melancia que, pelo que vejo, ou mudou de nome, ou procriou ou foi superada pela rapidez e efemeridade do mundo das celebridades local tendo seu trono arrebatado por suas seguidoras frutíferas.
Mas por que a vida privada dos políticos não atrai ao grande público? Enquanto que as celebridades são pegas com um cigarro de maconha, dirigindo bêbadas ou batendo em mulher, os políticos se envolvem em situações muito mais interessantes. Há uns flagrados colocando dinheiro nas meias e cuecas, outros que saem atrás de inimigos de moto-serra em mãos, outros governos se envolvem em assassinatos como no caso do governo Yeda, outros se besuntam em pornográficos mensalões, outros mandam a família cafona para as capitais da cafonice Miami e Las Vegas com as cotas das passagens parlamentares, outros são flagrados com modelo sem calcinha, outros violam o sigilo da conta bancária de seus porteiros, outros dão comícios acompanhados por traficantes em morros cariocas, outros são salvos pelo gongo da proibição de prisão antes das eleições por comandarem redes criminosas mesmo sendo parte do corpo da Polícia Militar, há inclusive escândalos matrimoniais como na família Suplicy que, aliás, tem um filho celebridade, há escândalos sexuais como desse candidato do norte, Pará acho, que foi acusado de acosso sexual contra suas funcionárias, outro já desfilou por Copacabana fardando apenas uma sunguinha diminuta feita de crochê, governos envolvidos com contrabandos de selos, gente ganhando 200 vezes na loteria, enfim, histórias sensacionais sobram, abundam, mas, por motivos que desconheço, não atraem tanto a atenção do grande público. Será porque os políticos são feios? Será porque o Lula é um sapo gordo sem dedo, o Renan Calheiros tem cara de madeira de mordomo assassino, o Serra cara de vampiro medieval, a Marina de ariranha desmamada precocemente, a Luciana Genro se parece com o Valderrama, será esse o mesquinho motivo pelo qual não nos interessamos pelas agitadíssimas vidas privadas de nossos políticos? Nossos políticos não deveriam ser desconhecidos do grande público já que são espetaculares.
Voltando aos célebres políticos, o Brasil elegeu além dos votadíssimos Tiririca e Wagner Montes outros brilhantes nomes como Romário e Bebeto, a dupla de ataque de 1994 e, demonstrando que nos últimos anos o futebol brasileiro começou a valorizar também o setor defensivo, elegemos Danrlei para fechar o gol; Marques também está presente para suprir a dupla de Parreira.
O que farão figuras como Romário e Tiririca no Congresso? Nem eles sabem e o segundo não cansa de repetir que não tem nem a mínima ideia de onde está se metendo. Falando nisso, impossível não destacar a participação da laranja biônica Weslian Roriz, mulher do governador cassado do Distrito Federal que buscava a reeleição, mas que foi impedido pela Lei da Ficha Limpa que, diga-se de passagem, o sistema jurídico nacional com seus profissionais com 15 salários por ano, dois meses de férias e falantes de latim está fazendo de tudo para derrubá-la, colocou a mulher no seu lugar ignorando que se trata de uma dona de casa semi analfabeta que possui o único atributo de não ruborizar de vergonha em suas participações em debates de televisão.
Falando em candidatos criminosos, sempre está Maluf que recebeu quase meio milhão de votos dos paulistas.
Santa Catarina, juntamente ao Rio Grande do Norte conseguiram eleger um candidato do DEM. Uma sigla que se não significa “demônios” deveria ser. O DEM é o partido responsável pela maioria da entrada de verdadeiros criminosos na esfera pública e ainda consegue eleger DOIS governadores.
ACM Neto, O Herdeiro, também foi eleito pelos baianos, bem como Garotinho, inventor da falcatrua de colocar a mulher laranja (nenhuma alusão às mulheres Melão, Melancia e Pêra) como engodo, atitude que lançou escola no Distrito Federal e até na Argentina e que acabou ganhando a bênção do povo carioca apesar de todos os seus crimes recentes.
Qual a solução? O mais lógico seria fazer o lógico, não eleger esse tipo de gente, mas nem sempre o mais lógico é a via mais fácil. Considerando isso, imposições legislativas deveriam existir. Se para ser médico necessitamos anos de estudo, o mesmo vale para ser engenheiro, por que para ser político não há qualquer pré-requisito? Atualmente até para ser técnico de futebol profissional exige-se um diploma, por que não adotar as mesmas regras para o mundo político? Por que não exigir um curso de gestão pública que acabaria eliminando grande parte dos oportunistas de plantão? Muitos podem dizer que haveria limitações baseadas no poder aquisitivo o que é um argumento válido, mas de solução fácil: curso gratuito com vagas ilimitadas para gestão pública. Ponto final. Todo mundo tem as mesmas chances, mas só quem tem as mínimas condições estaria apto. Assim sendo não sou contra os bons salários pagos aos políticos, mas estes devem ser profissionais capacitados para merecer tais quantias. Aliás, o exemplo já deveria ser dado pelos governos executivos que deveriam selecionar profissionais do ramo para cargos como ministros e secretários.
Todo esse assunto também poderia ser resumido com um clamor pela mais do que necessária reforma política que Lula não fez não sei por quê. Luciana Genro obteve 129 mil votos e não foi eleita enquanto que a grande votação de Manuela elegeu indiretamente um candidato com 100 mil votos a menos que Genro. Considerando o fisiologismo pornográfico de nossos partidos, essas regras só podem ser vistas como pré-históricas e absurdas bem como a divisão de senadores que não respeita a representatividade de cada estado que resulta em um senado crivado de gângsters do norte-nordeste do país.
Enquanto estamos longe da tão sonhada reforma política, temos que nos contentar e de certa forma tentar desfrutar das cenas que virão com Tiririca, Romário, Bebeto, Wagner Montes e, a melhor de todas, Weslian e seguir competindo com as celebridades por um pequeno pedaço de glória.
Falando no poder das celebridades, o livro mais vendido do mês no Brasil é a brilhante obra de Ana Maria Braga contando sobre os 10 anos do seu programa diário de televisão. Bomba atômica já!
Juntamente com o alto consumo de publicações de auto-ajuda, histórias de bruxinhos mágicos e de vampirinhos emos depressivos, se gasta um oceano Atlântico de tinta por ano para publicações que abordam as vidas espetaculares de celebridades, sejam essas nacionais ou internacionais. O cidadão médio e ordinário tem necessidade de sair de sua vida simples e medíocre e penetrar através do consumo de materiais desse estilo na vida glamorosa e fantástica das estrelas.
Um fenômeno que vem chamando a atenção de todos nos últimos anos é o sucesso das redes sociais, mais especificamente os saites Orkut, Facebook e Twitter, o mais novo da turma. A popularidade e a alta adesão a esses saites representam uma espécie de revolta dos seres ordinários que não mais aceitam sua condição periférica no mundo do espetáculo. Cidadãos comuns, cansados de obter prazer somente através dos órgãos genitais de famosos, resolveram criar o seu próprio ciclo do sucesso e exibem-se como celebridades em um meio em que sim são notados, vistos, comentados e bisbilhotados.
Basta cinco minutos de navegação por esses saites e veremos amostras infindáveis desse complexo de vira-lata célebre. Vemos fotos tiradas pelas próprias personagens das imagens. É comum a auto-foto ou a foto tirada em frente a um espelho por um cidadão sozinho em um recinto com seu computador que é sua porta para a fama. As mulheres chegam ao ponto de colocar uma roupa mais vibrante e tiram suas fotos para colocar no círculo da “mídia” amadora. Os homens não são menos carentes e/ou ridículos. Apostam geralmente em óculos escuros ou fotos com símbolos fálicos que revigoram sua pobre masculinidade como carros e motos. Tudo isso feito com a intenção de serem vistos, notados, adorados, serem motivo de comentários em seus micros cosmos. Nada é mais prazeroso atualmente do que ter muitos comentários em alguma foto ou, melhor ainda, ter muitos views em algum vídeo publicado no Youtube.
Via Twitter, os ex-excluídos do mundo garboso do espetáculo publicam suas ações minuto a minuto. “Estou no banho”; “Estou pensando na vida”; “Fazendo nada”; “Pensando na morte da bezerra”. Se a Lady Gaga ou a Angelina Jolie publicam algo assim na rede, seria interessante? Sim. Milhões de pessoas dedicariam pelo menos alguns segundos de suas vidas para pensar nos célebres no banheiro ou pensando na morte da bezerra. E agora, se eu, um reles mortal, publico algo assim, é interessante? SIM, agora sim, agora, via Internet, temos a democracia dos holofotes, é a rebelião dos anônimos.
Essa adesão massiva ao culto das celebridades chegou, infelizmente até os meandros da política brasileira. As eleições de 2010 poderiam ser nomeadas como a eleição das celebridades. O fenômeno demonstra a necessidade doentia que temos de sermos entretidos a todo o tempo. Necessitamos diversão, imagens e publicidade para sobreviver. A adição é tão forte que queremos esse entretenimento até na política.
Nas eleições 2010 que movimentaram mais de 130 milhões de pessoas pelo país afora, candidatos célebres foram eleitos. Para demonstrar o grau desse fanatismo idiota, os dois estados mais importantes do país tiveram como seus deputados federais mais votados, duas celebridades. O Rio de Janeiro elegeu, além de Romário, Wagner Montes que foi o favorito dos fluminenses; no entanto o mais votado entre todos, que recebeu voto de pelo menos 1% de todos os eleitores do país atingindo um número de 1,3 milhões de sufrágios, sendo, assim, o mais votado pelos paulistas foi o palhaço analfabeto Tiririca.
Por que acontece isso? Evidentemente que a ignorância é o motivo mais apontado por todos, mas há algo mais por trás. O quê os cidadãos brasileiros médios sabem sobre a vida de seus políticos? Muito pouco e não sei por quê dessa indiferença. A vida da maioria dos políticos é muito mais interessante do que a da maioria dessa figuras que citarei que, felizmente, não chegaram a serem eleitos, mas se candidataram.
Tivemos, entre outros: o pagodeiro Netinho que havia sido o deputado mais votado das últimas eleições, mas que não conseguiu a tão sonhada reeleição, talvez por ter sido flagrado desviando verba pública para sua instituição de “caridade” para consigo mesmo; Marcelinho Carioca, Vampeta, o jogador campeão do mundo que desceu rolando a rampa do Planalto bêbado depois de voltar do oriente e que pelo jeito gostou do cenário; Agnaldo Timóteo, Juca Chaves, Maguila, Popó, Simony, a musa do PCC, Joãozinho Trinta, um cidadão homossexual que ganha a vida através de uma profissão chamada “carnavalesco”, Reginaldo Rossi, Moacyr Franco, o comediante fracassado sustentado durante toda a vida pelo Silvio Santos, Rebeca Gusmão, a mulher-macho expulsa do esporte por uso de drogas, Eurico Miranda, o Al Capone ex-dono do Vasco que demonstrou que necessitava do cargo no futebol para seguir popular, Roberto Dinamite, Dinei, ex-jogador flagrado duas vezes em exames anti-dópins por cocaína, Ademir da Guia, Robgol, Túlio Maravilha e o técnico campeão do mundo pelo Grêmio Valdir Espinosa, além de alguns sertanejos, evangélicos, ex-participantes do Big Brother e esse brilhante triunvirato: Mulher Melão, Mulher Pêra e Tati Quebra Barraco. Quando abandonei esse país existia apenas a Mulher Melancia que, pelo que vejo, ou mudou de nome, ou procriou ou foi superada pela rapidez e efemeridade do mundo das celebridades local tendo seu trono arrebatado por suas seguidoras frutíferas.
Mas por que a vida privada dos políticos não atrai ao grande público? Enquanto que as celebridades são pegas com um cigarro de maconha, dirigindo bêbadas ou batendo em mulher, os políticos se envolvem em situações muito mais interessantes. Há uns flagrados colocando dinheiro nas meias e cuecas, outros que saem atrás de inimigos de moto-serra em mãos, outros governos se envolvem em assassinatos como no caso do governo Yeda, outros se besuntam em pornográficos mensalões, outros mandam a família cafona para as capitais da cafonice Miami e Las Vegas com as cotas das passagens parlamentares, outros são flagrados com modelo sem calcinha, outros violam o sigilo da conta bancária de seus porteiros, outros dão comícios acompanhados por traficantes em morros cariocas, outros são salvos pelo gongo da proibição de prisão antes das eleições por comandarem redes criminosas mesmo sendo parte do corpo da Polícia Militar, há inclusive escândalos matrimoniais como na família Suplicy que, aliás, tem um filho celebridade, há escândalos sexuais como desse candidato do norte, Pará acho, que foi acusado de acosso sexual contra suas funcionárias, outro já desfilou por Copacabana fardando apenas uma sunguinha diminuta feita de crochê, governos envolvidos com contrabandos de selos, gente ganhando 200 vezes na loteria, enfim, histórias sensacionais sobram, abundam, mas, por motivos que desconheço, não atraem tanto a atenção do grande público. Será porque os políticos são feios? Será porque o Lula é um sapo gordo sem dedo, o Renan Calheiros tem cara de madeira de mordomo assassino, o Serra cara de vampiro medieval, a Marina de ariranha desmamada precocemente, a Luciana Genro se parece com o Valderrama, será esse o mesquinho motivo pelo qual não nos interessamos pelas agitadíssimas vidas privadas de nossos políticos? Nossos políticos não deveriam ser desconhecidos do grande público já que são espetaculares.
Voltando aos célebres políticos, o Brasil elegeu além dos votadíssimos Tiririca e Wagner Montes outros brilhantes nomes como Romário e Bebeto, a dupla de ataque de 1994 e, demonstrando que nos últimos anos o futebol brasileiro começou a valorizar também o setor defensivo, elegemos Danrlei para fechar o gol; Marques também está presente para suprir a dupla de Parreira.
O que farão figuras como Romário e Tiririca no Congresso? Nem eles sabem e o segundo não cansa de repetir que não tem nem a mínima ideia de onde está se metendo. Falando nisso, impossível não destacar a participação da laranja biônica Weslian Roriz, mulher do governador cassado do Distrito Federal que buscava a reeleição, mas que foi impedido pela Lei da Ficha Limpa que, diga-se de passagem, o sistema jurídico nacional com seus profissionais com 15 salários por ano, dois meses de férias e falantes de latim está fazendo de tudo para derrubá-la, colocou a mulher no seu lugar ignorando que se trata de uma dona de casa semi analfabeta que possui o único atributo de não ruborizar de vergonha em suas participações em debates de televisão.
Falando em candidatos criminosos, sempre está Maluf que recebeu quase meio milhão de votos dos paulistas.
Santa Catarina, juntamente ao Rio Grande do Norte conseguiram eleger um candidato do DEM. Uma sigla que se não significa “demônios” deveria ser. O DEM é o partido responsável pela maioria da entrada de verdadeiros criminosos na esfera pública e ainda consegue eleger DOIS governadores.
ACM Neto, O Herdeiro, também foi eleito pelos baianos, bem como Garotinho, inventor da falcatrua de colocar a mulher laranja (nenhuma alusão às mulheres Melão, Melancia e Pêra) como engodo, atitude que lançou escola no Distrito Federal e até na Argentina e que acabou ganhando a bênção do povo carioca apesar de todos os seus crimes recentes.
Qual a solução? O mais lógico seria fazer o lógico, não eleger esse tipo de gente, mas nem sempre o mais lógico é a via mais fácil. Considerando isso, imposições legislativas deveriam existir. Se para ser médico necessitamos anos de estudo, o mesmo vale para ser engenheiro, por que para ser político não há qualquer pré-requisito? Atualmente até para ser técnico de futebol profissional exige-se um diploma, por que não adotar as mesmas regras para o mundo político? Por que não exigir um curso de gestão pública que acabaria eliminando grande parte dos oportunistas de plantão? Muitos podem dizer que haveria limitações baseadas no poder aquisitivo o que é um argumento válido, mas de solução fácil: curso gratuito com vagas ilimitadas para gestão pública. Ponto final. Todo mundo tem as mesmas chances, mas só quem tem as mínimas condições estaria apto. Assim sendo não sou contra os bons salários pagos aos políticos, mas estes devem ser profissionais capacitados para merecer tais quantias. Aliás, o exemplo já deveria ser dado pelos governos executivos que deveriam selecionar profissionais do ramo para cargos como ministros e secretários.
Todo esse assunto também poderia ser resumido com um clamor pela mais do que necessária reforma política que Lula não fez não sei por quê. Luciana Genro obteve 129 mil votos e não foi eleita enquanto que a grande votação de Manuela elegeu indiretamente um candidato com 100 mil votos a menos que Genro. Considerando o fisiologismo pornográfico de nossos partidos, essas regras só podem ser vistas como pré-históricas e absurdas bem como a divisão de senadores que não respeita a representatividade de cada estado que resulta em um senado crivado de gângsters do norte-nordeste do país.
Enquanto estamos longe da tão sonhada reforma política, temos que nos contentar e de certa forma tentar desfrutar das cenas que virão com Tiririca, Romário, Bebeto, Wagner Montes e, a melhor de todas, Weslian e seguir competindo com as celebridades por um pequeno pedaço de glória.
Falando no poder das celebridades, o livro mais vendido do mês no Brasil é a brilhante obra de Ana Maria Braga contando sobre os 10 anos do seu programa diário de televisão. Bomba atômica já!
sábado, 2 de outubro de 2010
As Ligas Mais Difíceis do Mundo
Através do meu ranquim de clubes resolvi acatar a sugestão de leitores e gente que acompanha o melhor ranquim do mundo e fiz uma lista das ligas mais disputadas do planeta.
Antes de lê-la aclaro: não estou dizendo que é uma lista de nível técnico, de forma nenhuma. É simplesmente uma lista que tenta mostrar quais são os campeonatos nacionais mais parelhos, disputados, difíceis.
A pontuação foi construída em cima de fatores como: desempenho da seleção nacional de cada país em copas do mundo; desempenho internacional dos clubes de cada país nas três competições continentais mais importantes do mundo; número de clubes que já conquistaram a competição nacional de seu respectivo país e importância de cada liga.
As 10 primeiras ligas são:
1. Argentina
2. Brasil
3. Itália
4. Alemanha
5. Inglaterra
6. Espanha
7. Uruguai
8. Holanda
9. Portugal
10. México
Antes de lê-la aclaro: não estou dizendo que é uma lista de nível técnico, de forma nenhuma. É simplesmente uma lista que tenta mostrar quais são os campeonatos nacionais mais parelhos, disputados, difíceis.
A pontuação foi construída em cima de fatores como: desempenho da seleção nacional de cada país em copas do mundo; desempenho internacional dos clubes de cada país nas três competições continentais mais importantes do mundo; número de clubes que já conquistaram a competição nacional de seu respectivo país e importância de cada liga.
As 10 primeiras ligas são:
1. Argentina
2. Brasil
3. Itália
4. Alemanha
5. Inglaterra
6. Espanha
7. Uruguai
8. Holanda
9. Portugal
10. México
Assinar:
Postagens (Atom)
