quinta-feira, 14 de junho de 2018

Fascismo E Comunismo


O fascismo e o comunismo nasceram na mesma época. Terão sido primos que se odiavam? Longe disso. Fascismo e comunismo nada foram além de dois sistemas totalitários que necessitavam um do outro para crescer. Eram a mesma coisa e necessitavam de autofagia para alcançar seus objetivos. Duas doutrinas totalitárias que fizeram do século XX um dos mais mortíferos da história da humanidade. Ambos fizeram de seus partidos únicos sinônimos de Estado. Hitler admirava Stalin que, por sua vez, se encantava com a audácia do führer. Concomitantemente, ambos se temiam, pois sabiam da forca negra de seu oponente. Hitler justificava parte de seus atos devido à uma suposta ameaça comunista já que a União Soviética sempre viu na Alemanha sua porta de entrada ao oeste corrompido pela classe burguesa vitoriosa na Revolução Francesa; Stalin não pensava diferente. Ao mesmo tempo em que admirava o ódio de Hitler à burguesia, o temia, foi o único líder mundial a se dar conta de que os planos de Hitler não eram somente uma ilusão de um homem demente. Percebeu Stalin que "Minha Luta" não era apenas um livro esquizofrênico e sim um plano de governo, um plano de nova ordem mundial.

Passaram-se muitos anos, os fascistas acusavam Stalin de ter matado mais que Hitler enquanto que o novo comunismo europeu dizia que jamais a sociedade do velho continente poderia ceder aos encantos de tiranos assassinos como Hitler e Mussolini.

Passaram-se ainda mais anos e parece que poucas coisas mudaram, tanto na Europa quanto na América, mais precisamente na república brasileira. Os chamados "liberais" europeus e americanos, apoiados pelo poder midiático dos novos formadores de opinião da pós-modernidade, ou seja, celebridades, acusam qualquer pessoa que se opor aos seus ideais como sendo um fascista. Ao mesmo tempo circulam com bandeiras louvando o comunismo, este mesmo de Stalin e dos milhões de mortos.

Mais abaixo, a direita brasileira justifica seus golpes, tanto o militar de 1964 quanto o golpe "legal" de Temer como sendo uma forma de escapar de um comunismo sombrio que, até eles, sabem que jamais existiu nos poucos anos do PT no estrelato. De dedo em riste justificam suas manifestações por não aceitar que seu amado país se torne uma Venezuela ou uma Cuba, países liderados por ditadores. No entanto, com a outra mão, limpam suas nádegas untadas de matéria fecal ao defender a volta dos bons tempos, o período ditatorial brasileiro.

O ódio não está contra a ditadura. O defendido não é a democracia. O ódio é contra o ditador alheio.

Lula foi retirado do poder acusado de ter recebido de presente de uma construtora amiga um apartamento de 250 metros quadrados em uma cidade extremamente pouco atrativa. Calcula-se que o imóvel dado a Lula por bons serviços prestados ao capitalismo vale em torno de 2 milhões de reais. Terá sido esse o único presentinho recebido por Lula em 13 anos? É bem provável que não. Não obstante, foi por isso que Lula gerou esse clamor popular em torno de sua possível prisão e hoje passa suas tardes andando de um lado para o outro em uma cela de 15 metros quadrados na fria Curitiba.

Vários políticos britânicos caíram em um escândalo de alguns anos atrás devido ao mau uso de suas verbas de gabinete. Um deles nem esperou a pressão popular e renunciou. Gastou 15 mil libras em gastos em sua casa. Outros impolutos políticos locais também gastaram um pouquinho menos que isso em coisas que de nenhuma forma se relacionavam com seus cargos. Foram colocados na forca pela sociedade local.

Bacana que no Brasil também seja assim. Mesmo sendo 2 milhões de reais um dinheiro que cairia bem a qualquer trabalhador brazuca empregado com trabalho intermitente, há de se dizer que, nos tempos atuais, é um valor irrisório. Mas repito: excelente atuação de nossa sociedade civil ao não aceitar, sob nenhuma circunstância o abuso ao erário nacional.

Pois Aécio Neves, o adversário derrotado por Dilma e presença habitué nas manifestações contra a corrupção, sempre bem acompanhado por heróis nacionais como Geddel, Luciano Huck e companhia, não para de ser citado por amigos. Ou seriam ex-amigos?

Aécio representava o sonho de nossa elite e classe média decentes e de bons costumes. Bonitão, rico, de boa família, branco, fazendeiro, casado com uma mulher linda e loira, era o candidato daqueles que acreditavam em sua retórica moderna. Modernizar o Brasil, esse era o lema de Aécio. O enlatado perfeito. Um Collor voltando das trevas. Não colou. O Brasil elegeu Dilma e Aécio vestiu verde e amarelo e foi para a rua. E, depois disso tudo, Aécio até ameaçar matar o próprio primo ameaçou.

Só nos últimos meses Aécio foi acusado, por diferentes fontes, de ter recebido 130 milhões de reais, o suficiente para...não sei, 130 Ferraris, 65 tríplex no Guarujá, 3 toneladas de cocaína que poderia até sair mais barato devido à sua amizade com o clã Perrella, uns 20 jatinhos ou, imagine, daria até para construir um aeroporto para seus jatos em suas terras, algo que, diga-se de passagem, o bonitão fez em suas terras em Cláudio, em Minas Gerais.

Nas últimas semanas também, depois do aparecimento do "quadrilhão do MDB" agora temos também o quadrilhão do PP, liderado por Ciro Nogueira, que, segundo as más línguas, recebia malas de 500 mil reais com uma frequência invejável, aliás, usando o método já consagrado por Loures e Geddel em suas captações de recursos para alguém que, segundo outras línguas mais do que afiadas, dizem ser o atual presidente, Michel Temer que, aliás, foi citado dois dias atrás por um policial militar que também afirma ser um dos carregadores de mala do presidente. Malas enviadas pelo coronel amigo com 12 tríplex no Guarujá em sua conta? 

Fala-se muito numa tal reforma de um sítio em Atibaia. Aparentemente funcionários da Odebrecht deixavam até de usar uniformes para fazer os trabalhos. Mais uma forma ortodoxa de agradecimento da família Odebrecht a quem tanto os ajudou. Pois Temer não nega que foi parte do governo petista. A reforma da casa de sua filha também foi feita por esse mutirão desuniformizado. Ou será que usavam camisas do Neymar? Os pagamentos dos materiais eram feitos em dinheiro em negócios locais. Terá ficado mais bonito o sítio de Atibaia ou a casa da filha de Temer? Falando na família de Temer, parece que seu filho, Michelzinho, não fica muito atrás. Deve ser tanto ou mais brilhante que o pai. Digo isso, pois o pequeno, aos nove anos de idade, já tem até imóveis próprios, fruto de suas mesadas nao afetadas pelos cortes no orçamento.

Mas agora a pergunta que não quer calar, ou pelo menos que cala àqueles a quem direciono essa pergunta? Por que não há mais pressões nas ruas? Greve de caminhoneiros que nos transformou na Venezuela tão mencionada pelos verde e amarelos, o desemprego que acabaria com a reforma da legislação trabalhista segue aumentando, o dólar...lembro de um amigo antipetista que mora fora agradecendo ao governo do PT por ter causado a desvalorização do real o que deixava a sua moeda estrangeira mais valiosa do que nunca...pois é , o dólar atinge valores recordes. Seguem aparecendo recibos falsos, tem até um novo esporte nacional, corrida com malas, amigos de Serra com 120 milhões na Suíça...e nada acontece. Não somos mais convocados a irmos para as ruas, camisas do Neymar são usadas exclusivamente para ver a seleção na Rússia, o que aconteceu? A prisão do Lula transformou o Brasil na Suíça? Ou esses milhões que aparecem em malas e na própria Suíça não comovem tanto como os milhões que Lula ganhou devido a ajuda e suor dedicados a seus amigos mais pornograficamente próximos?

Nada a fazer. A solução é a ditadura. O segundo candidato mais bem colocado nas pesquisas, o primeiro está preso, diz que seu sonho era um ministério composto por militares. O amigo coronel de Temer seria convidado? E o almirante da Eletrobrás? Ou os militares que coordenaram as obras de vital importância para nosso pais como a Transamazônica, estrada de custo bilionário que conecta nada a lugar algum, serão chamados para bater de frente com Odebrecht, OAS e amiguinhos reformadores de casas e sítios de presidentes e ex-presidentes? A censura acabará com a corrupção no melhor estilo militar?

O que não aparece não existe, dizia o outro.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

O Ódio A Lula


O amor e ódio são dois sentimentos que, na maioria dos casos, têm sua parcela irracional. É difícil entender, explicar ou justificar o cego amor materno; também é pouco provável que possamos compreender este sentimento que temos em relação a outras pessoas, sejam elas cônjuges, familiares ou amigos. Há pessoas que nos oferecem nenhum motivo plausível ou concreto para que os amemos e mesmo assim os amamos. O ódio se difere do amor por uma linha muito tênue. O ódio seria o gêmeo maldito, seria Caim, gerado no mesmo útero de Abel, mas inimigos extremos.

Minha tarefa nesse texto é uma missão bastante difícil, pois tenho a audácia de pelo menos tentar entender o ódio que sente grande parte da população brasileira contra Lula, recentemente preso e transformado em um cadáver político. Por que essa classe média branca do Sul, sudeste e centro-oeste detesta tanto a figura de Lula? Ou detestam a pessoa de Lula? Ou o político Lula? Ou as três coisas?

Todos os corruptos deveriam pagar pelos seus crimes e serem presos. Essa poderia ser uma das poucas ideias que é defendida pela maioria dos brasileiros, sejam eles cidadãos de classe média que protestam em partes nobres de grandes cidades brasileiras cantando o hino e fardando camisas da seleção cujo novo diretor esportivo é o filho de Zezé Perrela, aquele mesmo outrora pego num helicóptero com alguns quilos de cocaína, ou sejam eles os integrantes dessa nova classe média ou pobres, brancos, mestiços ou negros de grandes cidades brasileiras ou do interior do nordeste brasileiro que defendem seu Messias em forma de Lula. Sem jamais ter tido acesso a pesquisas sobre esta indagação, ouso dizer que é uma ideia de todos.

Quando se mencionava a possível prisão de Lula ou agora que Lula está atrás das grades, a primeira reação da esquerda era virar o canhão para os acusadores e clamar pela punição aos ladrões da direita, começando pelo sempre salvo por seus amigos influentes Temer, passando por Aécio Neves e toda sua turma do PSDB com raras exceções. Têm razão os esquerdistas no seu argumento? Em parte. Numa sociedade com a mínima intenção de ser democrática, qualquer político, de qualquer ideologia, deveria ser punido da mesma forma e isso não acontece no Brasil. Essa situação deveria impedir que se punam os ladrões de esquerda? Claro que não. Lula, caso comprovada sua culpa, deveria ser punido. A culpa de Lula foi comprovada? É questionável. Sendo leigo no tema sempre considerei as provas apresentadas contra o maior ícone da esquerda latino-americana como sendo frágeis, duvidosas. Acho eu que Lula não tem culpa no cartório? Negativo. No terreno do achismo vou pela ideia de que sim o apartamento foi um presente de agradecimento de uma empresa privada que usava Lula como sua melhor ferramenta de merchandising, atuando tanto dentro das quatro linhas do Brasil quanto em republiquetas de banana dominadas por tiranos pelo mundo afora.

Pois Lula foi condenado. Sendo boas ou ruins as provas, a justiça trabalhou com uma rapidez jamais vista, julgou o acusado em duas instâncias e o condenou, inclusive lhe aplicou um plus à sua pena para deixar de ser bobo. Estou criticando a rapidez da justiça? Jamais. Adoraria que esta fosse assim de ágil sempre, em todos os casos, especialmente contra corruptos que sempre escapam sorrateiramente aproveitando a falta de vigilância por parte da população. A justiça ser rápida uma vez na vida especificamente contra o símbolo da esquerda do país é questionável? Duvidoso? Sim, não há dúvidas. Ainda mais considerando o corto período entre esse último fato e o impeachment de Dilma.

Segundo a constituição de 1988, só poder-se-á (homenagem ao presidente bem relacionado) enjaular alguém após esgotadas todas as instâncias possíveis, e Lula ainda tinha bastante terreno para usufruir. Pois eis que os ministros, em um julgamento midiático vergonhoso, aliás, mais uma sessão vergonhosa de nossos poderes para que todos vejam ao vivo e a cores, decidiu que não, que Lula deveria ser preso já. Uma constituição é algo escrito que se cumpre e respeita. Não deveria ser aberta a interpretações. O que vi no julgamento foi um espetáculo preparado ao gosto do público fazendo jus à sociedade do espetáculo em que vivemos. Dessa vez não houve choro e homenagens a torturadores ou a maridos honestos presos por corrupção, admito que esperava mais de nossos togados, mas igualmente foi possível desfrutar. Édson Fachin parecia se desculpar pelo que estava fazendo; o famigerado Gilmar Mendes, mudou, mais uma vez, de opinião; Rosa Weber confirmou a norma que discorda e contrariou voto proferido alguns dias antes a favor dos habeas corpus em outro caso.

Um meme de um amigo no Facebook chamou a minha atenção. Após o julgamento do STF apareceu a seguinte imagem: Brasil 6x5 Cuba. Além de sempre me impressionar a importância que a direita fanática dá a uma ilhota parada no tempo e insignificante que já nem a esquerda dá muita bola, o que salta aos olhos é a coerência idelogicamente seletiva. Questionei a imagem e a explicação foi a seguinte. Se tivessem dado o habeas corpus a Lula, seria o fim do estado de direito, da democracia e estaria instaurada uma ditadura, seríamos uma outra Cuba. Leiamos outra vez. O estado não garantiu os direitos de um cidadão que estão na constituição enquanto figuras importantes do exército brasileiro ameaçavam com intervenção militar em caso de concessão de liberdade a Lula. Soma-se a isso a mídia associando de forma simplista e sorrateira a negação do habeas corpus com a instauração terminal da legalidade da corrupção no Brasil. Minha conclusão: Brasil 5x6 Cuba. Negar direitos garantidos pela constituição e ameaças provenientes dos porões do militarismo são acontecimentos não de democracias estáveis e sim de uma Romênia de Ceaucescu, uma União Soviética de Stalin ou, sim, uma Cuba de Fidel.

No entanto o momento mais enfadonho e triste de tudo isso, que, para mim, passou a clara ideia de que, ao invés do que pensam os "vencedores" dessa empreitada, mostra cristalinamente que cada vez estamos piores foi o voto de Barroso. O ministro recém citado amparou-se no preceito de que se a constituição não atender às expectativas da sociedade, deve ser mudada. Em seu argumento, assim como Rosa, deixou claro que a regra era outra, a regra, o que estava escrito, seria respeitar todas as instâncias a que qualquer réu tem direito, mas não, isso não é o que a população quer, então temos que mudar, pois esse não era o país que ele queria para seus filhos. Quem, que legislador deu esse poder de alterar a constituição a Barroso? Teria este jogado para a torcida? Teria este aceitado a obrigação de condenar para depois não ser acusado de ser traidor da pátria, defensor da corrupção? Teria este dito o que o povo queria escutar? É essa a posição que deve ter um ministro do STF? Marco Aurélio foi claro, sem a pompa e o vocabulário difícil que caracteriza alguns, disse que não se pode (ou poderia) punir antecipadamente um réu devido a que a justiça é lenta e que, consequentemente, não é capaz de prestar o serviço que a sociedade espera. Isto seria corrigir um erro com outro erro. Seria o juiz que compensa no futebol. Dá um pênalti que não foi, mas depois dá um também inexistente ao rival. Ao invés de um erro, são dois.

Quando do golpe que tirou Fernando Lugo do poder no Paraguai e questionada sobre sua possível queda, Dilma afirmou pomposamente: "O Brasil não é o Paraguai". Será? Somos tão diferentes?

A justa absolvição de Lula traria resultados negativos ao país? Sim. Daria vida ao "efeito Lula", ou seja, vários condenados em segunda instância entrariam com o mesmo recurso e sairiam vitoriosos. O que aconteceria depois? Apelariam todas as vezes permitidas pela constituição brasileira, a justiça não tem o hábito de ser rápida como foi ao julgar Lula, o tempo passaria, não haveria pessoas de camisa da seleção nas ruas pedindo o fim da impunidade e os crimes...prescreveriam. Seria este efeito negativo? Repito que sim. Um cidadão, seja ele tu, um de meus quatro leitores, eu ou o Lula deveríamos ser sacrificados, privados de nossos direitos constitucionais para "salvar a pátria"? É como a questão filosófica do trem desgovernado que vem em direção a uma família presa aos trilhos. Temos a chance de mover a palanca e fazê-lo ir por outros trilhos onde há apenas um homem preso aos trilhos? É ético fazer isso? É legal? Deveríamos deixar o trem passar por cima do Lula para evitar que outros criminosos sejam, talvez, condenados por seus crimes?

Comparemos a Maluf. A justiça tardou 60 anos para pegar um ladrão profissional que vinha saqueando os cofres públicos desde a época da ditadura. Maluf foi, então, preso. Aos 86 anos de idade. Ganhou prisão domiciliar por ser idoso e ter vários problemas de saúde. É justo? Segundo a constituição sim. A constituição deveria ser alterada? Talvez. Mas, enquanto isso não acontece, deveria ser cumprida. Fico feliz em ver Maluf em sua mansão? Não, mas é correto, é a lei que garante isso. Outra opinião minha muito criticada por pessoas próximas foi eu não estar de acordo com as algemas nas mãos e nos pés de Sérgio Cabral. Não era necessário. Ele não representava perigo naquele momento, foi show midiático, parte do script desse show hipócrita da luta contra a corrupção.

Mas Lula está preso. E o Temer? No meio da loucura midiática da prisão de Lula poucos deram bola a captura (por dois dias) de todos os seus amigões. O nome de Temer apareceu em listas de beneficiados de propinas de empresários do setor de portos, mas tudo passou. A corrupção no Brasil acabou, a esquerda acabou, a classe média de camisa do sonegador Neymar vai colocar na gaveta sua fantasia de indignado político que inclusive bloqueou estradas país afora para impedir o livre movimento de apoiadores de Lula no melhor estilo MST e estaremos em paz, como sempre estivemos, por 500 anos, deitados no berço esplêndido esperando uma eleição, sem questionar o questionável, sem se importar que a constituição vem sendo interpretada conforme o réu. Isso não importa. Os fins justificam os meios. Rasgando a constituição Lula vai para a cadeia? Então rasguemos.

Não fosse a pressão contra Lula tão seletiva, diria que foi o movimento popular mais fantástico desse país desde a redemocratização. Tirou-se do poder uma presidente e matou-se a principal ameaça aos bons costumes e ao galope brasileiro em rumo ao futuro brilhante. Mas, aqui retorno com a questão inicial? Por que só contra o Lula e contra o PT esse entusiasmo todo e essa mudança de atitude? Por que só Lula-Dilma e o PT foram capazes de fazer pessoas de bem saírem às ruas, invadirem os mais refinados lugares de nossas grandes cidades, com babás de uniforme em punho para pedir combate à corrupção e um melhor país. Por quê?

Lula-Dilma-PT fizeram governos em que o país cresceu economicamente quase até o final. Os verdes e amarelos não podem dizer que sofreram nas mãos do PT. Suas vidas seguiram iguais. "São comunistas!". Não, não são, jamais disseram ser. Se fossem, estaria eu nas ruas pedindo que desaparecessem, mas não eram. Nunca aumentou tanto o número de milionários nesse país, nunca os bancos lucraram tanto. Nunca os brasileiros gastaram tanto em Nova Iorque, Miami ou Paris O capitalismo fluiu sem ser importunado. Eike competia para ser o mais rico do mundo, Copa do Mundo, Olimpíadas, nada mais capitalista que o Brasil do PT, então...mais uma vez? Por que tanto ódio? Aqui algumas respostas que recebi quando fiz essa pergunta:

"Vendiam-se como sendo os únicos honestos". Os governos do PT não foram honestos. Houve corrupção como em todos os anteriores. Sarney foi acusado 700 vezes de corrupção envolvendo números muito maiores que os que correspondem ao valor de um apartamento de 250 metros quadrados tendenciosamente chamado de tríplex. Mas Sarney não é odiado; Maluf passou uma tarde preso, e está em casa comendo caviar. Calcula-se que desviou cerca de 120 milhões de dólares ao longo de sua pútrida vida pública que incluiu ser parte da ditadura militar. Mas não odeia-se o Maluf. Não há endereço mais pacífico que a casa dele nos Jardins. Não há bonecos infláveis. Os petistas sempre disseram ser os cavaleiros da honestidade? Sim. Mas os outros também. Temer diz isso todos os dias para aplausos orgásticos de seus 1% de apoiadores.

"Ele foi presidente e deve ser cobrado como tal". Ok, ocupou o cargo mais importante do país, mas será que isso o torna tão mais odiado que os demais? Sem contar que Sarney e Collor também foram presidentes e não gozam de tamanha ojeriza entre os verdes e amarelos e não têm memes do MBL.

Se formos racionais e admitirmos que Lula sim ganhou um apartamento e metamos no mesmo caso, embora sejam processos diferentes, o sítio de Atibaia, o valor do apartamento mais o sítio cabe em uma das malas que o Geddel tinha em seu apartamento na Bahia. Eram oito malas e sete caixas se não me falha a memória. Assim sendo, por que os cavaleiros dos bons costumes não odeiam Geddel-Temer com uma intensidade 15 vezes maior que detestam Lula e sua única mala?

A resposta está na melhor e mais correta frase de toda a vida pública de Lula:

"Eu não sou mais um ser humano, eu sou uma ideia". Lula é uma ideia. Detestável para muitos. Uma ideia que não coincide com a realidade de seus governos. Uma ideia que apaixona a seus defensores, mas que, repito, não é a realidade. Lula é o pai dos pobres para seus cegos defensores; para seus inimigos, Lula é um comunista comedor de criancinhas, mesmo quando, durante seu longo tempo no poder, de comunista só teve as cores de sua gravata engomada. Ama-se Lula pelo que ele não é, o homem mais honesto do Brasil, odeia-se Lula pelo que ele NAO representa. Odeia Lula, mais do que tudo, pois vendeu a ideia de que a esquerda jamais sairia do poder, gerou medo, a direita sentiu que jamais seria a mamadora principal das tetas nacionais.

Lula não é odiado. A ideia associada a ele sim. Lula paga o pato por ter optado, algum dia, de entrar num lugar onde jamais foi convidado, apesar de que a bagunça que fez, leia-se programas sociais, não chegou a causar derramamento de champanhe suficiente para estremecer os alicerces podres da política brasileira.

sábado, 27 de janeiro de 2018

Tão Parecidos E Tão Diferentes

O Brasil vive um de seus piores momentos desde e redemocratização. Essa é, talvez, uma das opiniões que compartilham os representantes cegos dos dois lados da sociedade brasileira, direitistas e esquerdistas. No entanto, essa não é a única ideia que essas duas hordas de guerreiros sanguinários têm em comum.

Sim, mais do que nunca, existe direita e esquerda. Não só no Brasil, no mundo inteiro. A semelhança de seus vazios argumentos pode, em alguns casos, expor a ideia que defendem alguns de que isso é coisa do passado, não existe mais. A direita afirma que a esquerda, também chamados de "comunistas", fracassou onde existiu. Pedem, ameaçadoramente, que se cite algum exemplo de país comunista que deu certo. Eles têm razão. Nenhum deu certo. O comunismo é um cadáver empalhado que insiste em ser ressuscitado por grupos de pessoas decepcionados com o capitalismo, ou seres que jamais conseguiram aceitar as premissas da doutrina dos vencedores. O comunismo, para começar, jamais conseguiu existir em harmonia com a liberdade, algo que o capitalismo, com seus problemas, consegue na maior parte do mundo. É comum quando manifesto algumas ideias minhas alcunhadas de "comunistas" por alguns, eu ser mandado pra Cuba. Pra Venezuela. Já estive em ambos países e não, não gostaria de morar em nenhum dos dois. Gostaria, por exemplo, de morar na capitalista Noruega. A esquerda acusa o capitalismo de ser excludente e gerador de miséria e desigualdade. Em mais ou menos 12 mil anos de, chamemos, "civilização", sempre existiu a desigualdade dentro da grande maioria de todas as formas de organização social, desde povos mais "primitivos" até nossas sociedades atuais. É parte de nossa história e considero que, deveríamos ser mais práticos, e não lutar contra algo inerente ao ser humano que é o apego ao ter, a possuir, o clamor pelo poder disfarçado em bens materiais. Pode-se suavizar essa situação? Claro que sim. A capitalista Noruega o faz e a maioria dos poucos países que contam com boas situações sociais o fazem. Controlar a desigualdade é, entre tantas, uma ideia que defendo. Sou comunista? Não. Um Estado gigante que a tudo domina ter o poder de dividir a riqueza produzida e que doma a sua sociedade para ir contra um instinto humano funciona? Não. Sou coxinha? Não.

Àqueles que me mandam para Cuba, lhes devolvo a pergunta? Deveria eu ir para o capitalista Haiti? Ou para os capitalistas países africanos? O capitalismo é sinônimo de sucesso? Não. Há um "outro mundo possível"? Não sei, mas em alguns lugares se vive melhor que em outros. Não há somente UM capitalismo.

O governo do PT, entre Lula e Dilma, foi tão diferente dos governos anteriores? Não muito. Qual foi o pecado capital de Dilma e Lula? As pedaladas? O tríplex? O sítio em Atibaia? Não. O principal pecado de Lula e Dilma foi ter vendido uma ilusão. A ilusão de que a esquerda jamais deixaria o poder. O franco favoritismo de Lula de substituir Dilma e, depois, mudados os planos, de entrar na cadeira de Temer, foram o maior pecado da esquerda brasileira.

O PT deu sim migalhas aos pobres. Não ousou, apesar de ter tido tempo, em mudar o status quo de um país desigual e estruturado para o aprofundamento da desigualdade o que é diferente à aceitação de que as diferenças sociais sempre existirão. O PT fez bons programas? Sim, alguns ótimos. Aumentou o investimento em pesquisa, reestruturou as sucateadas universidades públicas, criou programas sociais que, com seus defeitos, inseriu na sociedade cidadãos outrora impróprios de assim serem chamados, enfim, mexeu em algo. No quê? Numa colmeia crivada de abelhas, todas rainhas e com sentimentos feridos. Abelhas traídas.

A direita brasileira, ideologicamente, não tem como criticar tanto assim os governos do PT. Os grandes banqueiros seguiram cada vez mais aquinhoados; as grandes empresas seguiram com seus pornográficos benefícios fiscais, as construtoras, pivôs da queda de Lula, tinham estreita relação com o poder inclusive tendo um presidente lobista de seus interesses mundo afora, em lugares de idoneidades escusas como reinos africanos. Tudo parecia andar bem. Caviar não faltava e, lá embaixo, a sopa deixava de ser de papelão para ser de arroz e batata. O que deu errado? O que acabou com essa sintonia que parecia dar estabilidade a um país que jamais esteve em um melhor momento? Ego. Devoção ao poder. Avarícia. Ideologia. Os caciques que durante 500 anos deram as cartas na grande fazenda, não estavam já assim tão tranquilos com seus papéis secundários, coadjuvantes. O medo do comunismo e da perda de sua estabilidade de cinco séculos sempre existiu. O grande empresariado, a maioria dele andava de mãos dadas com Lula, talvez jamais tenha dormido realmente bem com Lula sentado na cadeira mais desejada pelos ratos e vampiros. Algum dia Lula deixaria de ser "paz e amor" e instauraria o seu comunismo soviético e começaria a tão temida caça aos burgueses por parte dos bolcheviques ultrajados por tantos anos de sofrimento. Algum dia Lula e companhia justificariam a tendência de usar camisas vermelhas.

Como acabar com o PT? Como tirar do poder um grupo que não se cansa de ganhar? Eleições? Seria possível? A direita brasileira, desde Fernando Henrique, tem nem sequer UM nome que poderia fazer frente a Lula. Não havia forma de eleger figuras atoladas em corrupção e sem carisma algum como Alckmin ou Serra. A única solução seria a força? A direita brasileira jamais disfarçou sua simpatia pela força e sua desconfiança para com a democracia. A democracia é boa até que o outro lado ganhe. Assim como o comunismo jamais conseguiu conviver com a liberdade, a direita jamais deixou de sonhar com a dominação completa e a aniquilação de adversários. Poderosos militares se manifestaram. Uns a favor da democracia. Outros lançando dúvidas quanto à estabilidade do estado de direito tupiniquim. Nesse ponto, direita e esquerda são iguais. A esquerda esperneia quando escuta falar em golpe militar, mas idealiza Cuba e não se importa com as agressões contra a sua própria população de Maduro na caótica Venezuela. A direita não fica atrás. Em sua frenética busca por motivos para criticar Lula, põe seu sujo dedo indicador em riste contra os afagos de Lula a ditadores africanos.

Esse comportamento questionável também vale para seus ladrões de estimação. A direita na verdade é menos pitoresca, menos emocional e menos passional na hora de escolher seus ladrõezinhos de estimação. Juntam-se a qualquer um que pregue os bons costumes, seja anti-PT, branco, rico e, de preferência, bonitão. A esquerda ama de verdade. Tem seus ídolos. Vestem-se suas camisas. A direita não tem camisa. Veste apenas as cores nacionais. Abraça-se a Aécio quando este é a representação do anti-lulismo; depois, o esquece. Cunha foi amado. Fugazmente. Depois de condenar Dilma, o mandaram ao esquecimento do calabouço. Hoje afaga-se Bolsonaro, mas amanhã o deixarão ir. A direita é moderna, fugaz, efêmera, considera piegas os amorios e paixao da esquerda. A direita “fica”. Transa sem amor. Não tem o ardor da esquerda. Luciano Huck e Doria, os retratos do coxismo, esturricados em suas roupinhas coloridas descoladas, que contam com a presença constante de holofotes em seus rostos lustrosos e desprovidos de realidade serão amados também. Usados. A direita usa e depois ri. A esquerda chora. É fiel a seus ídolos. Faz de conta que não vê, que não ouve. Fidel segue vivo nos seus corações enquanto que os ditadores brasileiros só voltam a ser citados quando se luta para manter seus nomes em avenidas. Mente para si mesma. Quer e consegue acreditar que seus ícones de suas frustrações juvenis não são meros seres pueris, não podem ser. O ídolo do esquerdista é mais do um representante de uma visão de mundo, de uma vertente política, é, acima de tudo, o último elo entre seus seguidores e um sonho, uma época, uma ilusão.

Lula tem culpa no cartório? Recebeu o tríplex e o sítio de presentes por serviços prestados à OAS? Eu acho que sim. Lula deveria ter sido condenado à prisão? Não sei. Houve provas? Sim. Foram essas provas convincentes? Não. Teria eu condenado Lula? Não.

Após tirar Dilma do poder e associar os vários escândalos de seu governo à figura de Lula, a direita brasileira achou que a missão estava cumprida. O que a direita não previu foi que, para se manter no poder, deveria ter algum candidato. A cada dia mais e mais expoentes da direita mergulhavam nas profundezas dos esgotos da política nacional. Enquanto isso, nos bastidores, Lula, de caravana em caravana, mantinha o apoio de suas criaturas. A cada pesquisa feita, aparecia cada vez mais líder. A direita, sorrateiramente, desenterrou um ex-soldado rebelde e o alçou à condição de salvador. Não colou. Lula seguia e seguia seu caminho aparentemente sem obstáculos em direção a mais oito anos de governo. O que fazer? A única solução seria derrubar o mito e enclausurar o homem. Mas não havia tempo para ser perdido.

A justiça brasileira agiu rapidamente, quebrou todos os recordes de eficiência e julgou Lula. Eduardo Azeredo aguarda ansiosamente a prescrição das acusações (também em segunda instância) contra ele. Maluf teve que esperar apenas 86 anos para pagar pelos seus crimes. Sarney curte sua aposentadoria livre de reformas. Collor é pré-candidato à presidência. Rocha Loures, pego correndo com a mala de dinheiro para o patrão Temer caiu no esquecimento. Geddel, com 50 milhões em dinheiro no seu apartamento com suas digitais impressas em cada nota, foi acusado em 1984 de ter desviado dinheiro do Baneb. Dez anos depois foi um dos anões do orçamento. Foi gravado em ligações mafiosas. Aécio também foi gravado em suas negociatas que incluíram ameaça de matar o próprio primo. Temer também teve sua vampiresca voz gravada pelo ex-rei do Brasil Joesley. Temer foi gravado dando ordens para seguir com as propinas. Todo mundo ouviu. Mas é melhor esperar para ver o que fazer com Temer. Alguém tem que tomar conta do palácio e aprovar as reformas primeiro. Tudo no seu tempo. Geddel aguarda o momento de sair da cadeia; Aécio está solto lépido e faceiro desfrutando de suas fazendas com aeroportos "estaduais" privados e Temer é o digníssimo presidente da nação dando palestras na Suíça afirmando que o Brasil é a Suíça. Nenhuma prova contra Lula chega sequer próximo às provas anteriormente citadas. Mas Lula caiu. Hoje, é um morto vivo em seus últimos suspiros. A direita arrogante e debochada afirma que Lula ganhou com os votos dos analfabetos nordestinos, os mesmos que toda a vida elegeram Sarney, Jucá, a família Magalhaes, Collor, Calheiros, Eunício Oliveira, Jader Barbalho e por aí vai. São ignorantes de ignorância seletiva.


Como serão as eleições desse ano? Uma incógnita. Terá, sem Lula, Bolsonaro alguma chance? Aparecerá uma celebridade, Luciano Huck, Sílvio Santos, Faustão, Alexandre Frota? Kim Kataguiri? Conseguirá a esquerda fazer uso da figura de espartano preso injustamente de Lula e conseguir, desde as penumbras da Papuda, criar um Frankestein a tempo de ganhar as eleições? Teremos surpresa? Animar-se-á com os afagos do capital Henrique Meirelles? Estará a esquerda brasileira morta por falta de planos B? Esperarei. Ansioso. Assim como sigo esperando o clamor popular contra a "corrupção". Ou a morte do PT levou a corrupção consigo à cova? Ou a corrupção de direita não ofende? Tantas perguntas.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Quem sou eu?

Quem sou eu? Meus dois leitores não devem se assustar, não caí na onda medíocre dos textos de autoajuda. Sou constantemente acusado de ser petista, ou esquerdista. Em menos ocasiões, sou chamado de conservador fanático. É possível dividir 7 bilhões de pessoas, pensando nos signos do zodíaco, em 12 categorias? É possível limitar ainda mais essas categorizações e dividir a todos em duas categorias, direitistas e esquerdistas? Facilitando a vida um pouco dos facilitadores, é possível fazer essa divisão pelo menos no Brasil?

Há momentos em que a ignorância e fanatismo coletivo é tão grande que passa a impressão que sim. Ou se é isso, ou aquilo; e, sendo assim, devemos atacar e ironizar o outro lado. Celebrar o fracasso dos corruptos de estimação do rival é praxe em tempos negros tupiniquins. A direita fanática pede Lula na cadeia, foi às ruas pela primeira vez na vida exigir o fim da corrupção, é a favor de acabar com uma exposição de arte que julga ser nociva aos "bons costumes", é a favor da criminalização de homossexuais e vê no mal necessário Temer a porta para o fim da corrupção através das privatizações de tudo e isso se estende ao governo Sartori. A "ponte para o futuro". Destruição da Amazônia, abolição da Lei Áurea, fim dos direitos trabalhistas, tudo em nome do moderno, do futuro, o Uber político! E que o Estado não se meta nos meandros da economia, que só se meta em temas de exposição de museus e na vida sexual de sua população.

Essa mesma direita, normalmente de comportamento bonachão, não se importa que nenhum cacique do PSDB foi preso, não se importa que o governo que derrubou o antecessor corrupto é um recém acusado de ter formado uma "quadrilha" cujo chefe é o atual presidente da república não eleito. Também ignoram que o antigo "colaborador" do PT e amigo íntimo e outrora braço direito do presidente, Geddel, O Emotivo, tinha 51 milhões de reais em um bunker com suas impressões digitais em cada nota. Essa galera também pouco se importa que Aécio tenha sido gravado pedindo dinheiro e que esta bagatela fosse entregue ao seu primo, alguém que, segundo as palavras do senador, poderiam depois matar caso tivessem algum percalço. Importam-se ainda menos após o STF passar a bola para os amigos de Aécio para que estes o libertem. Pouco se importam também que o presidente foi gravado esbravejando seu apoio incondicional à corrupção e à compra de silêncios gritantes no calar da madrugada em encontros secretos e pornográficos. Não importa. Agora, pedalada fiscal...bom, isso sim é motivo de imediatamente uniformizar a babá, descer para o parque e dê-lhe selfies com alguns globais ao fundo e com, olhem só! Com Aécio e Geddel, O Emotivo, fardadinhos com a camisa da corrupta CBF com o nome do sonegador de impostos nas costas, participantes assíduos das maratonas anticorrupção que não podem faltar.

Como sair da crise? Pois segundo essa turma os exemplos europeus valem de nada; o estado deve se comportar como uma multinacional livre de sentimentos. Deve cortar na carne podre da JBS. Deve privatizar. O estado não tem condições de fazer uma empresa funcionar.

E as construtoras lideradas pela Odebrecht? E a JBS dos irmãos Batista? E as empresas XXX do Eike? E a Oi, outrora uma empresa pública? Os maiores casos de corrupção e de fracassos empresariais do momento são empresas privadas.

"Quem as corrompeu foi o estado!".

Será? Não seria a velha discussão de quem veio primeiro, o ovo ou a galinha? E as multinacionais francesas, americanas, alemãs e companhia que pagaram propina por aqui? E as gigantes Globo, Gerdau, bancos e etc. que foram flagradas com as calças na mão pela Operação Zelotes? Deveríamos confiar tanto assim no impoluto setor privado?

"Mas o serviço é melhor!".

Será? E os constantes acidentes da BP, sendo o último a pouco comentada tragédia de Mariana? As empresas de telefonia celular oferecem um bom serviço? E a Net? E, para terminar: ninguém desconfia de tantos interessados em comprar as empresas nacionais? Ninguém estranhou que da noite para o dia alemães, holandeses e companhia se engalfinhavam pelos aeroportos brasileiros recentemente privatizados? Somos, talvez, mais vivos que esses europeus miseráveis? Ou serão eles mais vivos que nós?

Do outro lado a esquerda desmoralizada brasileira representada por um partido, o PT, que insiste em respirar por aparelhos quando deveriam ter pelo menos a educação de desaparecer sob um pedido de desculpa escrito com lama em suas bandeiras. O PT é a maior decepção da história brasileira. A direita vibra e justifica seu ódio e seu espírito rebelde de épocas atrás ao fato de que o PT era um lobo disfarçado de carneirinho, como se isso fosse suficiente para tamanha diferença de trato aos corruptos de lado e lado. Lula é um morto-vivo. Os caciques do partido se matam a unhadas. Ninguém parece sair vivo de tanta sujeira. O PT, que é tão comunista como a China, se agarra ainda a um dos pilares de todas as experiências fracassadas do comunismo mundo afora: coloca o partido acima do bem e do mal e considera normal a corrupção em prol de um partido que, como moeda de troca, dará pão e circo à plebe. E foi isso o que o PT fez junto com, é inegável, alguns bons e inovadores programas sociais e com migalhas algumas vezes graúdas à parte da população que nossa elite selvagem e mesquinha jamais sequer aceitou cumprimentar e jamais, portanto, esteve de acordo com essas migalhas.

Saindo do pátio transformado em um lodaçal brasileiro, por que eu não posso defender o Trump? Porque tenho que encontrar no simplismo geral de criticar tudo o que ele faz ou deixa de fazer? Por que tenho que seguir a cartilha esquizofrênica dos ditos "liberais" americanos que, em conluio com os bizarros de Hollywood, insistem em querer impor goela abaixo de todos de que o outrora visto como normal é fascismo e que o correto é representado pelas asneiras que eles dizem? Por que criticar alguns pontos de alguém e criticar outros é algo tão inaceitável pelos "radicais" de hoje em dia? No início do texto disse que os governos do PT fizeram algumas coisas excelentes para a sociedade, mas que foram governos corruptos como todos os anteriores e que este partido deveria deixar de existir...por que não posso pensar assim? Por que não posso dizer que a postura de Trump em relação ao ambiente é bizarra e estúpida, mas que concordo em gênero, número e grau em relação ao seu controle do fracassado fluxo migratório americano? Por que tenho que ser politicamente correto e dizer que acredito na ladainha dos "liberais" americanos e europeus que defendem a mentira de que todos somos iguais e que o mundo não deveria ter fronteiras? Por que não posso ser realista sem ser chamado de fascista e dizer que a raça humana, como qualquer outro mamífero, jamais poderá dividir o mesmo território em paz e harmonia? Alguém já viu tigre dividindo território com leão? Ou até mesmo leões machos com outros leões machos? Somos até mais flexíveis que os felinos, mas, repito: jamais funcionará essa ideia ilusória vendida pela globalização de que todos devemos estar juntos. Jamais funcionou, jamais funcionará e quem toma decisões não pode viver de forma onírica.

Por que eu não posso defender um estado atuante e que controle as orgias do capital como ocorre nos países de melhor qualidade de vida do mundo ao mesmo tempo em que critico esse fascismo de minorias alimentado pelas celebridades americanas ou por seus jogadores da NFL? Sou fascista? De direita ou de esquerda? A ditadura liberal americana vende a ideia de que somente é correto ter líderes que sejam pansexuais, que tenham 4 dedos em cada mão, que sejam autistas e que caminhem para trás; se algum desses requisitos não for cumprido, é fascismo/racismo votar nesta pessoa.

Por que eu não posso defender a ajuda do estado a parcelas carentes das populações, ser a favor de programas sociais como alguns do PT que são nada quando comparados aos dos países mais avançados do mundo, e ao mesmo tempo considerar essa "rebelião" dos atletas negros americanos uma vexatória forma de tapar o sol com a peneira?

Por que tenho que aceitar - e concordar - com o papo dos liberais europeus de que o mundo é rico em diferentes culturas e que todas devem ser aceitas e apreciadas e ao mesmo tempo aceitar o crime de Merkel e companhia de permitir a destruição da cultura de seus próprios países ao permitir uma invasão bárbara versão moderna aos seus territórios através da ilusão da "multiculturalidade" que outrora a mesma Merkel disse que "fracassou" na Europa?

Por que não posso usar a mínima lógica e tentar entender as polêmicas que rapidamente nos separam e, pior, nos polarizam, e dizer que, apesar de não considerar o homossexualismo uma doença, de defender todos os direitos dos homossexuais até porque tenho amigos e familiares gays, ser, ao mesmo tempo, a favor do direito de expressão de cada um e de entender que algum homossexual creia que sua escolha (e, repito, não doença) possa ser revertida por um profissional de saúde caso este tenha interesse em ter outra opção em relação à sua vida sexual? Por que não? Gerarria tamanha polêmica se fosse aprovada uma lei que permite o tratamento de heterossexuais que querem consultar o profissional porque desejam ser homossexuais e considerem isso possível? Ou, saindo do tema da sexualidade, é conveniente proibir este ou aquele tratamento somente porque não estamos de acordo? As pessoas não deveriam ter o direito de decidir se querem tratar isso ou aquilo? Após alguns já estarem me chamando de direitista fanático, os alerto que sou defensor da livre escolha também em relação às drogas, aborto e eutanásia. Agora sou comunista comedor de criancinha anticristão? ISIS?

O mundo jamais evoluirá nas mãos de extremistas, tanto de direita, quanto de esquerda. O comunismo, que jamais conseguiu dar as mãos à liberdade de expressão em todas suas tentativas forçadas e fracassadas de existência, segue tentando, disfarçado de "humano", chegar ao topo com a ajuda de acéfalos que insistem em negar fatos e ir contra a essência humana, bem como demonizar costumes que discordam e que odeiam, vide a criação agora de um terceiro gênero, já que, acreditar que somente existem homens e mulheres, com suas diferentes opções sexuais, é careta, é retrógrado, é fascismo. Do outro lado essa direita sagaz, tramposa ou iludida, que acredita que o capitalismo orgiástico é perfeito e que gera riqueza. O capitalismo, sempre digo, é o menos pior dos sistemas que nossa medíocre raça humana jamais inventou. Porém, pode ser o mais cruel e injusto quando visto como um sistema infalível e quando tenta, goela abaixo, impor seus dogmas de comportamento desumanos e sem piedade.

Sou petista? Sou racista? Sou xenófobo? Sou anarquista? Devo ir para Cuba? Devo ir para Disney? Todas as anteriores? Nenhuma das anteriores? Sou, se devo definir em poucas palavras, alguém que analisa, pensa e conclui em uma esfera cada vez mais contrária ao pensamento e à discussão baseada em argumentos, baixo tom de voz e livre de vocabulário chulo.

Considero, sem ser um grande conhecedor de arte, a arte moderna um lixo, bem como a música e o cinema. No entanto, acho que o medíocre Queermuseu deveria poder viver sem ataques grotescos de membros do vexatório MBL e companhia que, ao invés de estar atormentando gente em exposição de arte, deveria estar é de camisa da CBF protestando contra a liberação de Aécio.


Viva o pensamento alternativo. Ideológico sim, mas livre de paixões cegas e imbecis.


sábado, 22 de julho de 2017

O Fim da Infância.


O que faz um ser humano voltar às suas origens? O que faz uma pessoa ver fotos, cavoucar no passado? O que se procura?

Minha vó tem mais de 80 anos. Mora sozinha numa casa que foi construída por meu bisavô. Meu bisavô, o pai de meu avô, era dono de todas as terras do que hoje é conhecido como Ipanema. Construiu uma fortaleza na rua Pasteur onde morou até a sua morte. A quadra onde sua moradia foi levantada foi dividida em quatro quadrantes e, em cada um dos outros três, um filho ganhou de presente um lote. O único que não teve parte do terreno foi o varão da família, o mais velho que, em contrapartida, iria herdar a casa principal, a única construção do “condomínio” familiar que foi erguida acima do nível no lago Guaíba, que fica em frente ao clube construído pelo patriarca no mesmo lugar.

O ciclo da vida não falha e, portanto, um dia, meu avô herdou a casa e para lá se mudou com a minha vó. Ao lado, em parte do terreno principal, meu avô ergueu uma casa onde veio morar depois de já ter os filhos criados e já em busca de um espaço menor já que vivia em uma casa de quase 50 cômodos do outro lado da cidade. Sendo assim, a mudança foi apenas subir alguns metros.

Nos tempos de meu bisavô a casa era como um centro de um clã, de uma família tradicional da cidade. Grandes festas e celebrações eram levadas a cabo em todos os vários ambientes da residência que tinha como destaque uma churrasqueira que acho que poderiam ser assados três bois ao mesmo tempo. Fotos decoravam as páginas de jornais e revistas do recém-nascido “Balneário de Ipanema”.

Nos tempos de meu avô a casa seguiu o mesmo ritmo já com a família mais dividida por motivos naturais: formações de famílias, distâncias. Mas a essência do condomínio familiar sempre foi a mesma. Dada a morte de meu bisavô entrou em cena quem escreve. Saí de um apartamento do outro lado da cidade e fui morar na casa menor de meus avós estando ao lado deles, o sonho de qualquer criança ainda mais considerando que eu, meu irmão e minha única prima costumávamos passar os fins de semana nessa terra que, para nós, era uma Macondo, uma terra longínqua onde íamos após os últimos períodos escolares de todas as sextas-feiras que lamentávamos o final a cada almoço de domingo que contava com seus participantes habitués e diversas outras personagens que apareciam, personagens essas dos mais variados estilos, amigos e familiares de comensais mais regulares.

Os pratos sempre estarão vivos no meu imaginário. O rocambole de carne de meu avô mais conhecido como “jacaré”, os churrascos horríveis preparados pelo mesmo recentemente citado, costelas com a proporção de 1 para 8 de carne para gordura e nervos, mas enfim, era o que o meu vô gostava, uma variedade de doces brilhantemente preparados pela minha vó, pudins, ambrosias, tortas de bolachas, pavês, até sorvetes, e sem máquina! Esses sabores e aromas jamais desaparecerão e me arriscaria a dizer que não só do meu imaginário senão do de todos aqueles que alguma vez tiveram a honra de fazer parte desses singelos, mas cheios de significados eventos. Amigos do meu tio, amigas adolescentes de minha prima que sentiam por mim sentimentos inversamente proporcionais aos que eu sentia por elas, amigos meus, do meu irmão, excêntricos companheiros de aventuras psicodélicas de minha mãe, meu irmão de cinco dias de diferença Ângelo, xodó do anfitrião, a cada domingo existia, em minha mente, a expectativa sobre quem viria para enriquecer o elenco de comensais que encaravam esse domingo como um dia de ócio e prazer, como um evento livre de preocupações, até porque, naqueles tempos, minha avó era a dona da cozinha junto a meu avô e ambos eram os responsáveis pela fartura que víamos em cima da mesa. Nunca esquecerei e talvez nunca me perdoarei por ter perdido um desses domingos por ter ficado dormindo. Acordei tão tarde que o almoço, que normalmente já era tarde, tinha terminado. Tinha tido uma noite anterior de muito videogame com Ângelo e meu irmão e fui traído pela não presença de minha amada tia Thaís que JAMAIS me deixou dormir sequer um minuto após a sua chegada à casa, sempre – e até hoje – com um astral que jamais encontrei em outra pessoa. Pois esse dia perdi o almoço. Saí, de cabeça baixa, com meu amigo Ângelo, a procurar comida já que esta tinha acabado, pois comensais não anunciados apareceram. Lembro do desespero de minha vó ao notar o final da comida, logo ela que sempre odiou a economia gastronômica. Pois saímos de bicicleta por Ipanema até que encontramos um lugar que se enquadrava ao nosso estilo de vida de não lidar com papel-moeda até os 18 anos de idade. Comemos um xis pela zona do Bologna, mas estávamos tristes, estávamos perdendo aqueles momentos que tanto gostávamos e já pensando que teríamos que esperar eternos sete dias para vivê-los outra vez. Pois esse almoço nunca voltará. Não lembro o que comeram, jamais saberei qual foi o tema de conversa desse dia, não lembro quem foram os convidados-surpresa que acabaram com a comida, mas sei que esse dia pode representar a amargura que hoje sinto ao ver oficialmente o final de minha infância ser anunciado. A casa foi vendida. Provavelmente será destruída junto com sua lareira, a mais bonita que já vi e todos aqueles que éramos comensais e/ou frequentadores da casa morrerão um pouco, sofrerão um pouco. E todos aqueles que participaram alguma vez como “extras” se algum dia passarem aqui em frente dirão e pensarão naquele dia, naquelas pessoas que conheciam naquela época ou que conheceram naquele dia.

A casa hoje é triste e vazia, como o é a vida adulta. A casa recebe poucos. A casa é cada vez menos aquela casa que um dia foi. Sua estrutura continua a mesma, mas seus súditos mudaram, se distanciaram, ficaram, de uma hora para outra, longes, ocupados, sem tempo. Reina o silêncio onde antes predominava o murmurinho, a mescla de velhos, adultos, jovens e crianças com latidos de cachorros ao fundo. Ninguém jamais valorizará o fato de morar aqui como eu valorizo o que passei nessa casa, na minha casa, na casa dos meus bisavôs, avós, pais, irmão, prima, tios, amigos, Ângelo, na casa de todos.

A casa é o símbolo do bairro, deveria estar no brasão deste caso brasão existisse. Nada é mais simbólico do bairro que essa casa e a SABI. Quem em Ipanema hoje mora não sabe, jamais entenderão, não valorizarão jamais essa casa e a SABI. Não os culpo, apenas sinto inveja dos que aqui hoje moram e pena por estes não terem vivido aqui em décadas anteriores, nas décadas de ouro.

Ipanema não tinha supermercado. Só o Costa do Sol com seu cheiro de pão novo que vinha dos fundos do local. O segundo maior ponto de venda de alimentos era o Alberto, o típico mercado de povoado, centro de amigos, desafetos e fofocas dos habitantes. Todos se conheciam, todos se cumprimentavam, todos se sentiam as pessoas mais abençoadas do planeta por viver num lugar que poucos conheciam. Aqui vivi os melhores momentos de minha vida que tenho nem a audácia de pensar que um dia viverei algo sequer parecido. A minha infância, pelo menos aquela que insistia em resistir viva em meu imaginário, agora sim acabou, vai-se embora junto com fotos milenares que se espalham por armários de toda a casa. Ao desalojar a casa elas, esses registros de épocas e de pessoas que por aqui passaram, vão dando seu ar da graça numa espécie de último adeus, de encerramento final, como que dizendo, Eduardo, nós nunca mais estaremos juntos, a partir de hoje a tua vida é tu e aqueles que estejam ainda perto de ti, mas nós já fomos para outro lado.

O mercado do Alberto míngua, a criançada na rua desapareceu. Não há cumprimentos porque não há mais conhecidos nas ruas, não há pessoas. A SABI, dizem as más línguas que será comprada e virará provavelmente novas casas. Seu Décio, o capataz da SABI, segue lá e acho que o terei visto pela última vez esta semana que está por terminar. A tia Cenira foi para um apartamento. O jardim impecável do ucraniano Sérgio, meu tio, está sentindo a falta de seu dono e ainda não entendeu o que o destino lhe deu. Tio Ênio já saiu a muitos anos, resta meu tio Valter que será o último/único.

Quais serão as últimas memórias que terei de tudo isso? Durarão elas realmente para sempre? Esses dias não reconheci um guri que era pequeno na nossa época. Ele cresceu, está gordo, barbudo e cabeludo, por isso não sabia quem era. Estará um dia a minha casa em Ipanema irreconhecível? Seguirei eu vindo para cá estando onde eu estiver? Deixarei algum dia de amar tudo isso? Já velho, tentarei voltar? Sentirei o aroma da batata-palha feita em casa da minha vó que comia escondido antes de sair o almoço? Sentirei expectativa tão intensa por algo no mesmo nível em que sentia ao não saber jamais qual era o cardápio e os convidados do domingo? Lamentarei algo algum dia na mesma intensidade em que lamentava quando minha prima não vinha para o almoço de domingo?

Espero não ser traído pela memória que insiste em se enfraquecer com o passar dos anos. Infelizmente isso parece ser verdade. Seguidamente me pergunto se vi ou não vi um dia macacos saltando pelas árvores aqui em casa, também não lembro quem era, segundo meu vô, a bruxa do bairro. Não lembro, tampouco, do nome da querida atendente que nos vendia os botões no Ipanemy. Ao mesmo tempo sei que os lobisomens do meu avô de noites de verão realmente existiam assim como havia tubarões na praia de Ipanema e anacondas no banhado onde a bola caía na FUNSEG. Sei que desfrutei da chapa que era a base dos xises do meu avô, dos campeonatos de pontas na piscina entre eu, Pedro e Ângelo onde existia apenas um juiz, Heitor, que sempre dava dez com louvor para o mais jovem do trio que, por consequência, ganhava sempre. Também ainda persiste as memórias de banhos de chuva, perseguições de bicicleta, da alegria que me dava quando meus primos Marcos, Lúcia, Rodrigo e Renato apareciam nas férias e o motivo não era apenas a presença deles, mas também os bolos de chuva da Ceres. Lembro também das camas de lona e mola em que dormíamos todos no quarto da minha vó onde ficava sozinho acordado até às 5h ou 6h da manhã e tinha como maior prazer encostar a perna na barra de ferro gelada da cama. Campeonatos de futebol, gol a gol, futevôlei...bolas trucidadas pelos cachorros, jogos do Grêmio, os pênaltis contra o Ajax, os 1x5 infartantes contra o Palmeiras, a jogada do Maradona para o gol de Caniggia em 1990, o golaço de Zidane na final contra o Leverkusen, o pênalti certeiro de Dinho em Medellín, meu vô fumando, brigas familiares, festas de aniversários, ingênuas travessuras, abraços, beijos, lágrimas, quantos pudins terão sido feitos dentro dessa casa? Quantos quilos de arroz? Quantos litros de suco de uva e maracujá? Quantos cassetinhos consumidos? Quantas toneladas de manteiga? Quantos gambás nos bisbilhotaram? Quantas brigas de cachorros? Quantas Copas do Mundo? Quantas lembranças...

Adeus casa. Adeus infância

domingo, 4 de junho de 2017

Temporada 2016-2017

Após mais uma final de Champions onde o Real Madrid tirou para bailar a Juventus, divulgo o meu resumo da temporada em números.

Começo com o único ranking do mundo que merece respeito, o meu, atualizado:

  1. Real Madrid – ESP;
  2. Bayern Münich – ALE;
  3. Barcelona – ESP;
  4. AC Milan – ITA;
  5. Juventus – ITA;
  6. Peñarol – URU;
  7. Manchester U – ING;
  8. Boca Juniors – ARGEN;
  9. Ajax – HOL;
  10. Porto – POR;
  11. Inter Milan – ITA;
  12. Nacional – URU;
  13. Liverpool – ING;
  14. Independiente – ARGEN;
  15. River Plate – ARGEN;
  16. Benfica – POR;
  17. Sao Paulo – BRA;
  18. Olimpia – PAR;
  19. PSV – HOL;
  20. Santos – BRA;
  21. Celtic – ESC;
  22. Estudiantes – ARGEN;
  23. Olympiakos – GRE;
  24. Corinthians – BRA;
  25. Dortmund – ALE;
  26. Vélez Sarsfield – ARGEN;
  27. Flamengo – BRA;
  28. Atl Madrid – ESP;
  29. Palmeiras – BRA;
  30. Internacional – BRA;
  31. Estrela Vermelha – SER;
  32. Colo-Colo – CHIL;
  33. Dinamo Kiev – UCR;
  34. Chelsea – ING;
  35. Feyenoord – HOL;
  36. Nacional – COL;
  37. Grêmio – RS;
  38. Dynamo Dresden – ALE;
  39. Rangers – ESC;
  40. SC Anderlecht – BEL;
  41. Steua Bucarest – ROM;
  42. Arsenal – ING;
  43. Marseille – FRA;
  44. Galatasaray – TURQ;
  45. Cruzeiro – BRA;
  46. Cerro Porteño – PAR;
  47. San Lorenzo – ARGEN;
  48. Vasco – BRA;
  49. Saint-Etienne – FRA;
  50. Borussia MG – ALE.

O melhor clube da CONCACAF é o América do México, na 131° posição;
O melhor africano é o Al-Ahly, do Egito na 190° posição;
O melhor asiático é o Al-Hilal da Arábia Saudita na 257° posição;
E o melhor da Oceania é o Auckland City da Nova Zelândia na 395° posição.

São 790 clubes ranqueados.

Seleção da temporada – abandonei o modelo FIFA e respeitarei as variações em posições nas três linhas:

Navas – Costa Rica/Real Madrid;

Carvajal – Espanha/Real Madrid;
Bonucci – Itália/Juventus;
Sergio Ramos – Espanha/Real Madrid;
Marcelo – Brasil/Real Madrid;

Modric – Croácia/Real Madrid;
Isco – Espanha/Real Madrid;
Hazard – Bélgica/Chelsea;

Messi – Argentina/Barcelona;
Cristiano Ronaldo – Portugal/Real Madrid;
Lukaku – Bélgica/Everton.

Bola de ouro: Isco.

Ranking seleções:

  1. Brasil;
  2. Alemanha;
  3. Itália;
  4. Argentina;
  5. Espanha;
  6. França;
  7. Uruguai;
  8. Inglaterra;
  9. Holanda;
  10. Croácia;
  11. Rússia;
  12. Ucrânia;
  13. Portugal.

A melhor seleção da CONCACAF é a do México na 31° posição;
A melhor seleção asiática é o Uzbequistão na 38° posição;
A melhor africana é o Camarões na 53° posição;
E a melhor da Oceania é a Nova Zelândia na 83° posição.

São 92 seleções de todos os continentes ranqueadas.

Ranking de ligas (top 10):


  1. Espanha;
  2. Inglaterra;
  3. Itália;
  4. Argentina;
  5. Alemanha;
  6. Brasil;
  7. França;
  8. Portugal;
  9. Holanda;
  10. Uruguai.