segunda-feira, 16 de julho de 2018

Temporada 2017-2018


Ao final de mais uma Champions League e Copa do Mundo, atualizo o melhor ranking de futebol já feito, o único baseado somente em argumentos sólidos, ou seja, o meu.

Segue a lista dos 50 gigantes do futebol mundial:

1.     Real Madrid - Espanha;
2.     Bayern Münich - Alemanha;
3.     Barcelona - Espanha;
4.     Milan - Itália;
5.     Juventus - Itália;
6.     Boca Juniors - Argentina;
7.     Peñarol - Uruguai;
8.     Manchester Utd - Inglaterra;
9.     Ajax - Holanda;
10. Porto - Portugal;
11. Inter - Itália;
12. Liverpool - Inglaterra;
13. Nacional - Uruguai;
14. Independiente - Argentina;
15. River Plate - Argentina;
16. Benfica - Portugal;
17. São Paulo - Brasil;
18. Olimpia - Paraguai;
19. PSV - Holanda;
20. Santos - Brasil;
21. Celtic - Escócia;
22. Corinthians - Brasil;
23. Olympiakos - Grécia;
24. Estudiantes - Argentina;
25. Dortmund - Alemanha;
26. Vélez Sarsfield - Argentina;
27. Flamengo - Brasil;
28. Palmeiras - Brasil;
29. Grêmio - Rio Grande do Sul;
30. Atl Madrid - Espanha;
31. Internacional - Brasil;
32. Estrela Vermelha - Sérvia;
33. Feyenoord - Holanda;
34. Colo Colo - Chile;
35. Dinamo Kiev - Ucrânia;
36. Chelsea - Inglaterra;
37. SC Anderlecht - Bélgica;
38. Nacional - Colômbia;
39. Dynamo Dresden - Alemanha;
40. Rangers - Escócia;
41. Arsenal - Inglaterra;
42. Steua Bucarest - Romênia;
43. Galatasaray - Turquia;
44. Marseille - França;
45. Cerro Porteño - Paraguai;
46. Cruzeiro - Brasil;
47. San Lorenzo - Argentina;
48. Vasco - Brasil;
49. Rosenborg - Noruega;
50. Saint-Etienne - França.

13 maiores seleções da história:

1.     Brasil;
2.     Alemanha;
3.     Itália;
4.     Argentina;
5.     França;
6.     Espanha;
7.     Uruguai;
8.     Inglaterra;
9.     Holanda;
10. Croácia;
11. Rússia;
12. Bélgica;
13. Ucrânia.

10 melhores ligas nacionais historicamente:

1.     Espanha;
2.     Itália;
3.     Inglaterra;
4.     Argentina;
5.     Brasil;
6.     Alemanha;
7.     França;
8.     Portugal;
9.     Holanda;
10. Uruguai.

Seleção da temporada no esquema 4-4-2 sem importar as posições específicas:

De Gea (Manchester Utd - Espanha);
Vertonghen (Tottenham - Bélgica);
Geromel (Grêmio - Brasil);
Marcelo (Real Madrid - Brasil);

Modric (Real Madrid - Croácia);
Kroos (Real Madrid - Alemanha);
De Bruyne (Manchester City - Bélgica);
Silva (Manchester City - Espanha);

Messi (Barcelona - Argentina);
Salah (Liverpool - Egito),

Bola de ouro: Salah.

Seleção da Copa do Mundo 2018 (3-4-3):

Courtois (Bélgica);
Varane (França);
Pavard (França);

Meunier (Bélgica);


Modric (Croácia);
Kanté (França);
Pogba (França);
Hazard (Bélgica);

Perisic (Croácia);
Mbappe (França);
Cavani (Uruguai).

Melhor da Copa: Modric.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Fascismo E Comunismo


O fascismo e o comunismo nasceram na mesma época. Terão sido primos que se odiavam? Longe disso. Fascismo e comunismo nada foram além de dois sistemas totalitários que necessitavam um do outro para crescer. Eram a mesma coisa e necessitavam de autofagia para alcançar seus objetivos. Duas doutrinas totalitárias que fizeram do século XX um dos mais mortíferos da história da humanidade. Ambos fizeram de seus partidos únicos sinônimos de Estado. Hitler admirava Stalin que, por sua vez, se encantava com a audácia do führer. Concomitantemente, ambos se temiam, pois sabiam da forca negra de seu oponente. Hitler justificava parte de seus atos devido à uma suposta ameaça comunista já que a União Soviética sempre viu na Alemanha sua porta de entrada ao oeste corrompido pela classe burguesa vitoriosa na Revolução Francesa; Stalin não pensava diferente. Ao mesmo tempo em que admirava o ódio de Hitler à burguesia, o temia, foi o único líder mundial a se dar conta de que os planos de Hitler não eram somente uma ilusão de um homem demente. Percebeu Stalin que "Minha Luta" não era apenas um livro esquizofrênico e sim um plano de governo, um plano de nova ordem mundial.

Passaram-se muitos anos, os fascistas acusavam Stalin de ter matado mais que Hitler enquanto que o novo comunismo europeu dizia que jamais a sociedade do velho continente poderia ceder aos encantos de tiranos assassinos como Hitler e Mussolini.

Passaram-se ainda mais anos e parece que poucas coisas mudaram, tanto na Europa quanto na América, mais precisamente na república brasileira. Os chamados "liberais" europeus e americanos, apoiados pelo poder midiático dos novos formadores de opinião da pós-modernidade, ou seja, celebridades, acusam qualquer pessoa que se opor aos seus ideais como sendo um fascista. Ao mesmo tempo circulam com bandeiras louvando o comunismo, este mesmo de Stalin e dos milhões de mortos.

Mais abaixo, a direita brasileira justifica seus golpes, tanto o militar de 1964 quanto o golpe "legal" de Temer como sendo uma forma de escapar de um comunismo sombrio que, até eles, sabem que jamais existiu nos poucos anos do PT no estrelato. De dedo em riste justificam suas manifestações por não aceitar que seu amado país se torne uma Venezuela ou uma Cuba, países liderados por ditadores. No entanto, com a outra mão, limpam suas nádegas untadas de matéria fecal ao defender a volta dos bons tempos, o período ditatorial brasileiro.

O ódio não está contra a ditadura. O defendido não é a democracia. O ódio é contra o ditador alheio.

Lula foi retirado do poder acusado de ter recebido de presente de uma construtora amiga um apartamento de 250 metros quadrados em uma cidade extremamente pouco atrativa. Calcula-se que o imóvel dado a Lula por bons serviços prestados ao capitalismo vale em torno de 2 milhões de reais. Terá sido esse o único presentinho recebido por Lula em 13 anos? É bem provável que não. Não obstante, foi por isso que Lula gerou esse clamor popular em torno de sua possível prisão e hoje passa suas tardes andando de um lado para o outro em uma cela de 15 metros quadrados na fria Curitiba.

Vários políticos britânicos caíram em um escândalo de alguns anos atrás devido ao mau uso de suas verbas de gabinete. Um deles nem esperou a pressão popular e renunciou. Gastou 15 mil libras em gastos em sua casa. Outros impolutos políticos locais também gastaram um pouquinho menos que isso em coisas que de nenhuma forma se relacionavam com seus cargos. Foram colocados na forca pela sociedade local.

Bacana que no Brasil também seja assim. Mesmo sendo 2 milhões de reais um dinheiro que cairia bem a qualquer trabalhador brazuca empregado com trabalho intermitente, há de se dizer que, nos tempos atuais, é um valor irrisório. Mas repito: excelente atuação de nossa sociedade civil ao não aceitar, sob nenhuma circunstância o abuso ao erário nacional.

Pois Aécio Neves, o adversário derrotado por Dilma e presença habitué nas manifestações contra a corrupção, sempre bem acompanhado por heróis nacionais como Geddel, Luciano Huck e companhia, não para de ser citado por amigos. Ou seriam ex-amigos?

Aécio representava o sonho de nossa elite e classe média decentes e de bons costumes. Bonitão, rico, de boa família, branco, fazendeiro, casado com uma mulher linda e loira, era o candidato daqueles que acreditavam em sua retórica moderna. Modernizar o Brasil, esse era o lema de Aécio. O enlatado perfeito. Um Collor voltando das trevas. Não colou. O Brasil elegeu Dilma e Aécio vestiu verde e amarelo e foi para a rua. E, depois disso tudo, Aécio até ameaçar matar o próprio primo ameaçou.

Só nos últimos meses Aécio foi acusado, por diferentes fontes, de ter recebido 130 milhões de reais, o suficiente para...não sei, 130 Ferraris, 65 tríplex no Guarujá, 3 toneladas de cocaína que poderia até sair mais barato devido à sua amizade com o clã Perrella, uns 20 jatinhos ou, imagine, daria até para construir um aeroporto para seus jatos em suas terras, algo que, diga-se de passagem, o bonitão fez em suas terras em Cláudio, em Minas Gerais.

Nas últimas semanas também, depois do aparecimento do "quadrilhão do MDB" agora temos também o quadrilhão do PP, liderado por Ciro Nogueira, que, segundo as más línguas, recebia malas de 500 mil reais com uma frequência invejável, aliás, usando o método já consagrado por Loures e Geddel em suas captações de recursos para alguém que, segundo outras línguas mais do que afiadas, dizem ser o atual presidente, Michel Temer que, aliás, foi citado dois dias atrás por um policial militar que também afirma ser um dos carregadores de mala do presidente. Malas enviadas pelo coronel amigo com 12 tríplex no Guarujá em sua conta? 

Fala-se muito numa tal reforma de um sítio em Atibaia. Aparentemente funcionários da Odebrecht deixavam até de usar uniformes para fazer os trabalhos. Mais uma forma ortodoxa de agradecimento da família Odebrecht a quem tanto os ajudou. Pois Temer não nega que foi parte do governo petista. A reforma da casa de sua filha também foi feita por esse mutirão desuniformizado. Ou será que usavam camisas do Neymar? Os pagamentos dos materiais eram feitos em dinheiro em negócios locais. Terá ficado mais bonito o sítio de Atibaia ou a casa da filha de Temer? Falando na família de Temer, parece que seu filho, Michelzinho, não fica muito atrás. Deve ser tanto ou mais brilhante que o pai. Digo isso, pois o pequeno, aos nove anos de idade, já tem até imóveis próprios, fruto de suas mesadas nao afetadas pelos cortes no orçamento.

Mas agora a pergunta que não quer calar, ou pelo menos que cala àqueles a quem direciono essa pergunta? Por que não há mais pressões nas ruas? Greve de caminhoneiros que nos transformou na Venezuela tão mencionada pelos verde e amarelos, o desemprego que acabaria com a reforma da legislação trabalhista segue aumentando, o dólar...lembro de um amigo antipetista que mora fora agradecendo ao governo do PT por ter causado a desvalorização do real o que deixava a sua moeda estrangeira mais valiosa do que nunca...pois é , o dólar atinge valores recordes. Seguem aparecendo recibos falsos, tem até um novo esporte nacional, corrida com malas, amigos de Serra com 120 milhões na Suíça...e nada acontece. Não somos mais convocados a irmos para as ruas, camisas do Neymar são usadas exclusivamente para ver a seleção na Rússia, o que aconteceu? A prisão do Lula transformou o Brasil na Suíça? Ou esses milhões que aparecem em malas e na própria Suíça não comovem tanto como os milhões que Lula ganhou devido a ajuda e suor dedicados a seus amigos mais pornograficamente próximos?

Nada a fazer. A solução é a ditadura. O segundo candidato mais bem colocado nas pesquisas, o primeiro está preso, diz que seu sonho era um ministério composto por militares. O amigo coronel de Temer seria convidado? E o almirante da Eletrobrás? Ou os militares que coordenaram as obras de vital importância para nosso pais como a Transamazônica, estrada de custo bilionário que conecta nada a lugar algum, serão chamados para bater de frente com Odebrecht, OAS e amiguinhos reformadores de casas e sítios de presidentes e ex-presidentes? A censura acabará com a corrupção no melhor estilo militar?

O que não aparece não existe, dizia o outro.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

O Ódio A Lula


O amor e ódio são dois sentimentos que, na maioria dos casos, têm sua parcela irracional. É difícil entender, explicar ou justificar o cego amor materno; também é pouco provável que possamos compreender este sentimento que temos em relação a outras pessoas, sejam elas cônjuges, familiares ou amigos. Há pessoas que nos oferecem nenhum motivo plausível ou concreto para que os amemos e mesmo assim os amamos. O ódio se difere do amor por uma linha muito tênue. O ódio seria o gêmeo maldito, seria Caim, gerado no mesmo útero de Abel, mas inimigos extremos.

Minha tarefa nesse texto é uma missão bastante difícil, pois tenho a audácia de pelo menos tentar entender o ódio que sente grande parte da população brasileira contra Lula, recentemente preso e transformado em um cadáver político. Por que essa classe média branca do Sul, sudeste e centro-oeste detesta tanto a figura de Lula? Ou detestam a pessoa de Lula? Ou o político Lula? Ou as três coisas?

Todos os corruptos deveriam pagar pelos seus crimes e serem presos. Essa poderia ser uma das poucas ideias que é defendida pela maioria dos brasileiros, sejam eles cidadãos de classe média que protestam em partes nobres de grandes cidades brasileiras cantando o hino e fardando camisas da seleção cujo novo diretor esportivo é o filho de Zezé Perrela, aquele mesmo outrora pego num helicóptero com alguns quilos de cocaína, ou sejam eles os integrantes dessa nova classe média ou pobres, brancos, mestiços ou negros de grandes cidades brasileiras ou do interior do nordeste brasileiro que defendem seu Messias em forma de Lula. Sem jamais ter tido acesso a pesquisas sobre esta indagação, ouso dizer que é uma ideia de todos.

Quando se mencionava a possível prisão de Lula ou agora que Lula está atrás das grades, a primeira reação da esquerda era virar o canhão para os acusadores e clamar pela punição aos ladrões da direita, começando pelo sempre salvo por seus amigos influentes Temer, passando por Aécio Neves e toda sua turma do PSDB com raras exceções. Têm razão os esquerdistas no seu argumento? Em parte. Numa sociedade com a mínima intenção de ser democrática, qualquer político, de qualquer ideologia, deveria ser punido da mesma forma e isso não acontece no Brasil. Essa situação deveria impedir que se punam os ladrões de esquerda? Claro que não. Lula, caso comprovada sua culpa, deveria ser punido. A culpa de Lula foi comprovada? É questionável. Sendo leigo no tema sempre considerei as provas apresentadas contra o maior ícone da esquerda latino-americana como sendo frágeis, duvidosas. Acho eu que Lula não tem culpa no cartório? Negativo. No terreno do achismo vou pela ideia de que sim o apartamento foi um presente de agradecimento de uma empresa privada que usava Lula como sua melhor ferramenta de merchandising, atuando tanto dentro das quatro linhas do Brasil quanto em republiquetas de banana dominadas por tiranos pelo mundo afora.

Pois Lula foi condenado. Sendo boas ou ruins as provas, a justiça trabalhou com uma rapidez jamais vista, julgou o acusado em duas instâncias e o condenou, inclusive lhe aplicou um plus à sua pena para deixar de ser bobo. Estou criticando a rapidez da justiça? Jamais. Adoraria que esta fosse assim de ágil sempre, em todos os casos, especialmente contra corruptos que sempre escapam sorrateiramente aproveitando a falta de vigilância por parte da população. A justiça ser rápida uma vez na vida especificamente contra o símbolo da esquerda do país é questionável? Duvidoso? Sim, não há dúvidas. Ainda mais considerando o corto período entre esse último fato e o impeachment de Dilma.

Segundo a constituição de 1988, só poder-se-á (homenagem ao presidente bem relacionado) enjaular alguém após esgotadas todas as instâncias possíveis, e Lula ainda tinha bastante terreno para usufruir. Pois eis que os ministros, em um julgamento midiático vergonhoso, aliás, mais uma sessão vergonhosa de nossos poderes para que todos vejam ao vivo e a cores, decidiu que não, que Lula deveria ser preso já. Uma constituição é algo escrito que se cumpre e respeita. Não deveria ser aberta a interpretações. O que vi no julgamento foi um espetáculo preparado ao gosto do público fazendo jus à sociedade do espetáculo em que vivemos. Dessa vez não houve choro e homenagens a torturadores ou a maridos honestos presos por corrupção, admito que esperava mais de nossos togados, mas igualmente foi possível desfrutar. Édson Fachin parecia se desculpar pelo que estava fazendo; o famigerado Gilmar Mendes, mudou, mais uma vez, de opinião; Rosa Weber confirmou a norma que discorda e contrariou voto proferido alguns dias antes a favor dos habeas corpus em outro caso.

Um meme de um amigo no Facebook chamou a minha atenção. Após o julgamento do STF apareceu a seguinte imagem: Brasil 6x5 Cuba. Além de sempre me impressionar a importância que a direita fanática dá a uma ilhota parada no tempo e insignificante que já nem a esquerda dá muita bola, o que salta aos olhos é a coerência idelogicamente seletiva. Questionei a imagem e a explicação foi a seguinte. Se tivessem dado o habeas corpus a Lula, seria o fim do estado de direito, da democracia e estaria instaurada uma ditadura, seríamos uma outra Cuba. Leiamos outra vez. O estado não garantiu os direitos de um cidadão que estão na constituição enquanto figuras importantes do exército brasileiro ameaçavam com intervenção militar em caso de concessão de liberdade a Lula. Soma-se a isso a mídia associando de forma simplista e sorrateira a negação do habeas corpus com a instauração terminal da legalidade da corrupção no Brasil. Minha conclusão: Brasil 5x6 Cuba. Negar direitos garantidos pela constituição e ameaças provenientes dos porões do militarismo são acontecimentos não de democracias estáveis e sim de uma Romênia de Ceaucescu, uma União Soviética de Stalin ou, sim, uma Cuba de Fidel.

No entanto o momento mais enfadonho e triste de tudo isso, que, para mim, passou a clara ideia de que, ao invés do que pensam os "vencedores" dessa empreitada, mostra cristalinamente que cada vez estamos piores foi o voto de Barroso. O ministro recém citado amparou-se no preceito de que se a constituição não atender às expectativas da sociedade, deve ser mudada. Em seu argumento, assim como Rosa, deixou claro que a regra era outra, a regra, o que estava escrito, seria respeitar todas as instâncias a que qualquer réu tem direito, mas não, isso não é o que a população quer, então temos que mudar, pois esse não era o país que ele queria para seus filhos. Quem, que legislador deu esse poder de alterar a constituição a Barroso? Teria este jogado para a torcida? Teria este aceitado a obrigação de condenar para depois não ser acusado de ser traidor da pátria, defensor da corrupção? Teria este dito o que o povo queria escutar? É essa a posição que deve ter um ministro do STF? Marco Aurélio foi claro, sem a pompa e o vocabulário difícil que caracteriza alguns, disse que não se pode (ou poderia) punir antecipadamente um réu devido a que a justiça é lenta e que, consequentemente, não é capaz de prestar o serviço que a sociedade espera. Isto seria corrigir um erro com outro erro. Seria o juiz que compensa no futebol. Dá um pênalti que não foi, mas depois dá um também inexistente ao rival. Ao invés de um erro, são dois.

Quando do golpe que tirou Fernando Lugo do poder no Paraguai e questionada sobre sua possível queda, Dilma afirmou pomposamente: "O Brasil não é o Paraguai". Será? Somos tão diferentes?

A justa absolvição de Lula traria resultados negativos ao país? Sim. Daria vida ao "efeito Lula", ou seja, vários condenados em segunda instância entrariam com o mesmo recurso e sairiam vitoriosos. O que aconteceria depois? Apelariam todas as vezes permitidas pela constituição brasileira, a justiça não tem o hábito de ser rápida como foi ao julgar Lula, o tempo passaria, não haveria pessoas de camisa da seleção nas ruas pedindo o fim da impunidade e os crimes...prescreveriam. Seria este efeito negativo? Repito que sim. Um cidadão, seja ele tu, um de meus quatro leitores, eu ou o Lula deveríamos ser sacrificados, privados de nossos direitos constitucionais para "salvar a pátria"? É como a questão filosófica do trem desgovernado que vem em direção a uma família presa aos trilhos. Temos a chance de mover a palanca e fazê-lo ir por outros trilhos onde há apenas um homem preso aos trilhos? É ético fazer isso? É legal? Deveríamos deixar o trem passar por cima do Lula para evitar que outros criminosos sejam, talvez, condenados por seus crimes?

Comparemos a Maluf. A justiça tardou 60 anos para pegar um ladrão profissional que vinha saqueando os cofres públicos desde a época da ditadura. Maluf foi, então, preso. Aos 86 anos de idade. Ganhou prisão domiciliar por ser idoso e ter vários problemas de saúde. É justo? Segundo a constituição sim. A constituição deveria ser alterada? Talvez. Mas, enquanto isso não acontece, deveria ser cumprida. Fico feliz em ver Maluf em sua mansão? Não, mas é correto, é a lei que garante isso. Outra opinião minha muito criticada por pessoas próximas foi eu não estar de acordo com as algemas nas mãos e nos pés de Sérgio Cabral. Não era necessário. Ele não representava perigo naquele momento, foi show midiático, parte do script desse show hipócrita da luta contra a corrupção.

Mas Lula está preso. E o Temer? No meio da loucura midiática da prisão de Lula poucos deram bola a captura (por dois dias) de todos os seus amigões. O nome de Temer apareceu em listas de beneficiados de propinas de empresários do setor de portos, mas tudo passou. A corrupção no Brasil acabou, a esquerda acabou, a classe média de camisa do sonegador Neymar vai colocar na gaveta sua fantasia de indignado político que inclusive bloqueou estradas país afora para impedir o livre movimento de apoiadores de Lula no melhor estilo MST e estaremos em paz, como sempre estivemos, por 500 anos, deitados no berço esplêndido esperando uma eleição, sem questionar o questionável, sem se importar que a constituição vem sendo interpretada conforme o réu. Isso não importa. Os fins justificam os meios. Rasgando a constituição Lula vai para a cadeia? Então rasguemos.

Não fosse a pressão contra Lula tão seletiva, diria que foi o movimento popular mais fantástico desse país desde a redemocratização. Tirou-se do poder uma presidente e matou-se a principal ameaça aos bons costumes e ao galope brasileiro em rumo ao futuro brilhante. Mas, aqui retorno com a questão inicial? Por que só contra o Lula e contra o PT esse entusiasmo todo e essa mudança de atitude? Por que só Lula-Dilma e o PT foram capazes de fazer pessoas de bem saírem às ruas, invadirem os mais refinados lugares de nossas grandes cidades, com babás de uniforme em punho para pedir combate à corrupção e um melhor país. Por quê?

Lula-Dilma-PT fizeram governos em que o país cresceu economicamente quase até o final. Os verdes e amarelos não podem dizer que sofreram nas mãos do PT. Suas vidas seguiram iguais. "São comunistas!". Não, não são, jamais disseram ser. Se fossem, estaria eu nas ruas pedindo que desaparecessem, mas não eram. Nunca aumentou tanto o número de milionários nesse país, nunca os bancos lucraram tanto. Nunca os brasileiros gastaram tanto em Nova Iorque, Miami ou Paris O capitalismo fluiu sem ser importunado. Eike competia para ser o mais rico do mundo, Copa do Mundo, Olimpíadas, nada mais capitalista que o Brasil do PT, então...mais uma vez? Por que tanto ódio? Aqui algumas respostas que recebi quando fiz essa pergunta:

"Vendiam-se como sendo os únicos honestos". Os governos do PT não foram honestos. Houve corrupção como em todos os anteriores. Sarney foi acusado 700 vezes de corrupção envolvendo números muito maiores que os que correspondem ao valor de um apartamento de 250 metros quadrados tendenciosamente chamado de tríplex. Mas Sarney não é odiado; Maluf passou uma tarde preso, e está em casa comendo caviar. Calcula-se que desviou cerca de 120 milhões de dólares ao longo de sua pútrida vida pública que incluiu ser parte da ditadura militar. Mas não odeia-se o Maluf. Não há endereço mais pacífico que a casa dele nos Jardins. Não há bonecos infláveis. Os petistas sempre disseram ser os cavaleiros da honestidade? Sim. Mas os outros também. Temer diz isso todos os dias para aplausos orgásticos de seus 1% de apoiadores.

"Ele foi presidente e deve ser cobrado como tal". Ok, ocupou o cargo mais importante do país, mas será que isso o torna tão mais odiado que os demais? Sem contar que Sarney e Collor também foram presidentes e não gozam de tamanha ojeriza entre os verdes e amarelos e não têm memes do MBL.

Se formos racionais e admitirmos que Lula sim ganhou um apartamento e metamos no mesmo caso, embora sejam processos diferentes, o sítio de Atibaia, o valor do apartamento mais o sítio cabe em uma das malas que o Geddel tinha em seu apartamento na Bahia. Eram oito malas e sete caixas se não me falha a memória. Assim sendo, por que os cavaleiros dos bons costumes não odeiam Geddel-Temer com uma intensidade 15 vezes maior que detestam Lula e sua única mala?

A resposta está na melhor e mais correta frase de toda a vida pública de Lula:

"Eu não sou mais um ser humano, eu sou uma ideia". Lula é uma ideia. Detestável para muitos. Uma ideia que não coincide com a realidade de seus governos. Uma ideia que apaixona a seus defensores, mas que, repito, não é a realidade. Lula é o pai dos pobres para seus cegos defensores; para seus inimigos, Lula é um comunista comedor de criancinhas, mesmo quando, durante seu longo tempo no poder, de comunista só teve as cores de sua gravata engomada. Ama-se Lula pelo que ele não é, o homem mais honesto do Brasil, odeia-se Lula pelo que ele NAO representa. Odeia Lula, mais do que tudo, pois vendeu a ideia de que a esquerda jamais sairia do poder, gerou medo, a direita sentiu que jamais seria a mamadora principal das tetas nacionais.

Lula não é odiado. A ideia associada a ele sim. Lula paga o pato por ter optado, algum dia, de entrar num lugar onde jamais foi convidado, apesar de que a bagunça que fez, leia-se programas sociais, não chegou a causar derramamento de champanhe suficiente para estremecer os alicerces podres da política brasileira.