A Rede Globo é reconhecida por ser a maior emissora de televisão da América Latina.
Além desse reconhecimento, tem a fama de “fazer escola”, ou seja, servir de exemplo e parâmetro para outras emissoras do continente.
Dizem que a Televisa, segunda maior potência midiática do continente, é uma cópia fiel da gigante brasileira, no entanto, felizmente, jamais morei no México para poder conferir isso de perto.
No entanto, me considero apto a analisar a maior rede de televisão colombiana, a RCN.
Para quem tiver preguiça de ler tudo, resumo: é, basicamente, o mesmo lixo que é a Globo, mas com produções ainda piores devido a artistas que conseguem a façanha de serem ainda PIORES do que os brasileiros.
A semelhança que mais salta aos olhos é a grade de programação. É basicamente idêntica a da Globo. De manha, ao invés de Ana Maria Braga e seu papagaio, eles têm “Muy Buenos Días” que é um programa muito semelhante ao da socialaite brasileira, mas tem um pequeno e vexatório detalhe: é apresentado por um homem. Para quem não acompanha o Blog, vale lembrar que é impressionante a quantidade de características femininas que os homens daqui têm e esse fator acaba de certo modo justificando a escolha de um homem para ser a Ana Maria Braga colombiana. Os homens aqui gostam de fofocas, de novelas, reparam nas roupas e cortes de cabelos dos demais, entre outras características extremamente femininas.
Voltando ao programa, a velha fórmula vazia para mentes pobres recém postas a funcionar: artistas (de novelas) convidados, papo furado, superficialidades, fofocas de celebridades...nada mais adequado para o seu público alvo, donas de casa
colombianas com absolutamente nada na cabeça além de acompanhar novelas.
O vício por novelas faz com que os brasileiros sejam considerados anti-noveleiros de carteirinha. Somente na parte da manha, pasmem, há DUAS novelas, mas isso não é nem a ponta do iceberg. Além dessas duas doses matinais, há mais...O-I-T-O novelas que se espalham como vírus suínos pelos períodos da tarde e da noite. Oito! Querem saber os nomes para rirem um pouco? Lá vai:
1. La Usurpadora;
2. La Rosa de Guadalupe;
3. El Fantasma del Gran Hotel;
4. Las Detectivas Y El Victor;
5.El Capo;
6. Verano En Venecia;
7. En Nombre del Amor;
8. María Belén;
9. Café Con Aroma de Mujer;
10. Sortilegio.
Para completar, outras três somente de finais de semana.
As tramas das novelas colombianas, assim como as brasileiras, têm a profundidade de uma poça d água, que é o limite em que o público pode acompanhar sem se perder.
Basicamente é assim: histórias violentas envolvendo guerrilhas, narcotráfico e afins, traições, amores impossíveis, criaturas que descobrem apenas no final que são filhos do fulano e não do beltrano, pobres felizes e honestos, brigas de mulheres, ameaças de morte e choro, MUITO choro, todo o tempo, é uma choradeira infinita e, a cereja do bolo, tudo isso sob muita, mas MUITA maquiagem. Talvez essa seja a grande diferença das novelas da Globo quando comparadas as colombianas: menos drama, o brasileiro não consegue ser tão dramático e fatalista como os hispânicos e maquiagem adequada, menos cafona.
Outra coisa que não sei se serei capaz de me fazer entender, é a veneração de artistas após esses protagonizarem cenas de “exceção”, como por exemplo: brigas, desabafos com muito, mas MUITO choro, lições de moral entre outras. Após uma cena dessas, o país inteiro fica comentando: “que artista fantástica, como trabalha bem”.
PS: os homens também, eles não perdem um capítulo sequer.
Além das novelas, há, não poderia faltar, um reality show. O daqui é uma versão do programa global “No Limite” que, com toda certeza, deve ter sido copiado de algum enlatado americano. O fato é que o colombiano El Factor X é exatamente igual. Aqui na Colômbia é como na natureza: nada se cria, tudo se transforma. Ou se adapta.
O programa consiste de pessoas que estão em uma área selvagem e ficam realizando tarefas estúpidas em busca de pontos e de fama. Não vou perder mais tempo desdobrando um enredo que pouco oferece. Vale salientar que o apresentador não é um garotão jovem e sim um cinqüentão a la Pedro Bial, faz aquele estilo de “sou coroa, mas ainda estou na moda”, estilo George Clooney, Richard Gere ou Chico Buarque.
Lamentável.
Devido à imensa quantidade de novelas, há espaço somente para um telejornal. Mesma fórmula, apresentador negro para parecer moderno, mas é mais pobre. Muitas notícias locais, muitos factóides, difícil não pegar no sono vendo o telejornal aqui. Mais uma vez: feito sob medida para um público que não se interessa por nada além de seu jardim. Quem acompanha o Blog sabe que me refiro ao povo colombiano como o com menos conhecimentos gerais do mundo, sabem muito pouco além dos seus umbigos.
Nos sábados à noite, enquanto a Globo coloca seu patético programa de comédia, a RCN aposta em uma coisa inacreditável para um horário nobre. É um programa estilo Olimpíadas do Faustão, pessoas tentando passar em buracos na parede, todos caem na água...enfim, isso é o programa de sábado à noite na Colômbia, mais uma vez muito bem pensado quando se sabe que o povo já está em estado de ou a caminho da inconsciência alcoólica.
O “Globo Repórter” colombiano tampouco poderia ficar de fora. Aqui se chama Especiales Pirry (nome do apresentador patético), mas, diferentemente do programa global, não é sobre animais e/ou lugares inóspitos e sim sobre os temas preferidos da nação: drogas, prostituição, modelos, anemia, operações plásticas...não sai muito disso e tudo com aquele caráter de benfeitor popular que as emissoras de televisão sempre buscam ter em países subdesenvolvidos.
Vale destacar também uma campanha que constantemente aparece nos principais canais do país, que é a da “televisão livre”, sem censura. Não conheço o regulamento dos meios de comunicação na Colômbia como conheço o do Brasil, mas imagino que deve conter pontos semelhantes como horários adequados para a baixaria, limite de comerciais, parcela de programas educativos, enfim, tudo isso que ninguém cumpre.
Logo, fica fácil de entender o motivo dessa campanha disfarçada de interesse social pela livre expressão e pela democracia. Eu, como sou pouco afeito a democracias, principalmente quando o assunto é mídia, sou a favor das medidas tomadas pelo governo argentino de limitar o poder dos grandes grupos midiáticos do país.
Não posso deixar de comentar sobre a segunda potência televisiva colombiana, o Canal Caracol, tão ruim como a RCN. Em sua grade, DOZE novelas! DOZE! Isso mesmo! Ou seja, resumindo, entre as duas principais potências televisivas colombianas, chegamos ao número de 25 produções! Apenas incrível. E triste.
Vale também salientar que, não satisfeitos com as 25 produções, há dois canais na televisão fechada que transmitem apenas novelas, 48 horas por dia. Os nomes: RCN Novelas e Caracol Novelas.
A televisão é tão ruim que até coisas boas são destruídas. Quem consegue resistir a 12 minutos de propagandas em um episódio dos Simpsons que dura 22 minutos? Ou quem aguentará ver Lost sendo chamado de Desaparecidos e, obviamente, dublado? Sem contar que é transmitido de madrugada em dia de semana.
Cabe a mim resistir e contar até quanto for necessário em presença de uma cena comum aqui: homens discutindo sobre novelas ou sobre a vida “privada” de celebridades
locais.
É dose.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Por Una Cabeza
O drama argentino não parece ter fim. Cada vez é mais dramática a situação da selecao argentina. O clássico contra o Brasil pintava como o jogo mais importante dos últimos anos, depois da derrota esse título passou a ser associado ao confronto em Assunção e agora o jogo contra o Peru em outubro na Argentina ganha os ares de maior desafio da história do futebol argentino.
Antes do confronto contra o Brasil eu olhava a tabela e analisava da seguinte forma: são três jogos dificílimos: Brasil, Paraguai e Uruguai e um para cumprir tabela, Peru, já eliminado, em casa.
Após o jogo de ontem reconsidero.
Ontem foi a pior atuação da selecao argentina que eu já vi na minha vida. Conseguiram jogar muito, mas muito pior que contra o Brasil. Não foram capazes de criar sequer uma boa chance de gol e passam a terrível impressão de que é impossível que um gol aconteça. Jamais em minha vida havia visto uma selecao argentina atuar de maneira tão medíocre e passar 180 minutos sem uma chance clara de gol.
Começo com uma tradicional e rápida análise individual dos jogadores:
Romero: a única boa surpresa. Passou muita segurança, algo raro nesse momento em um time em crise existencial, e fez pelo menos uma excelente defesa em lance no primeiro tempo que acabou com bola na trave. Sem culpa no gol. 7
Zanetti: sua pior atuação na carreira. Errou em todas as oportunidades que teve contato com a bola, além de estar, como todos os seus companheiros, completamente perdido em campo. ZERO
Dominguez: mais uma atuação visivelmente prejudicada por um nervosismo aliado a uma falta de organização tática jamais vista em um selecionado argentino. ZERO
Heinze: outro que tampouco sabia o que fazer em campo. ZERO
Papa: foi escalado na lateral no lugar de Heinze com o intuito de ser uma opção mais ofensiva. De fato Papa tem características mais ofensivas, mas ontem produziu nada. Heinze conseguiu ser melhor que ele no jogo contra os brazucas. 2
Mascherano: a pior atuação de sua vida desde que se tornou jogador profissional. Muitos falam que Messi não rende como no Barcelona onde é o melhor do mundo, mas poucos lembram-se de citar que Mascherano é considero por todos os técnicos como o melhor jogador do mundo na sua posição. Ontem Mascherano foi patético. Perdido, errando a maioria dos passes, a única coisa de produtivo que fez foi ocasionar a expulsão de Verón após errar mais um passe na frente de sua área. ZERO
Gago: um dos poucos jogadores que pelo menos mostrou certa indignação, mostrou caráter. Além disso, muito pouco. Sucessivos passes errados, especialmente alguns em zonas de extremo perigo. 2
Verón: realmente é difícil de entender o motivo que o faz ser titular da selecao. Talvez seja uma tentativa de Maradona de ter um ex-companheiro seu em campo, salvo isso, não há explicação. Verón não desempenhou uma função nem ofensiva nem defensiva. Sua nulidade em campo era tão grande que sua expulsão pouco mudou a fracassada atuação argentina. Escalado no lugar de Maxi Rodríguez, mais um dos tantos crimes cometidos por Diego. Vale também comentar o quão absurda foi sua expulsão, jogada típica de jogador juvenil. ZERO
Dátolo: talvez o único jogador que pelo menos tentou alguma coisa no primeiro tempo, fez duas jogadas pelos flancos, jogadas essas inúteis em um time que tem dois atacantes de 1,60m na área, mas talvez por esse fato, por tentado algo, foi substituído no intervalo. 4
Messi: mais um jogador que ontem brindou o mundo com a pior atuação de sua vida. Mais uma vez escalado em uma posição que o obriga a fazer milagres, conseguiu nada durante os 90 minutos. Nem nas jogadas individuais, nada, irreconhecível. ZERO
Agüero: apenas um chute a gol que acabou nas costas de um defensor paraguaio, nada fez. A bola pouco chegou até ele, algumas vezes voltava até o meio de campo em busca de jogo, mas sem sucesso. Pior atuação de sua carreira profissional. ZERO
Nem preciso comentar que foram pelo menos quatro jogadores que tiveram a pior atuação de suas carreiras. Sendo assim, é impossível de se ter algum sucesso. Será pura coincidência que quatro jogadores da importância de Zanetti, Mascherano, Messi e Agüero tenham as piores atuações de suas vidas em um mesmo jogo, em um mesmo time?
Claro que não, há o dedo podre do grande Diego.
A falta de organização, ou melhor dito, a ausência de qualquer formato de jogo, faz com que o time argentino não saiba o que fazer com a bola. Isso foi visível ontem quando analisamos quantas vezes os jogadores argentinos entregaram bolas ou fizeram recuos perigosos. Era um atrás do outro, durante 90 minutos.
Outro fator que chamou atenção ontem foi a falta de demonstração de vontade aliada ao nervosismo. Há lances inaceitáveis como o lance do gol paraguaio. Cabañas, de magnífica atuação, gira entre três jogadores de marcação do meio de campo da Argentina, nenhum deles encosta no robusto atacante, ele dá o passe, recebe outra vez e dá a assistência para Valdez.
Houve outros tantos lances como esse, destacando o que resultou em bola na trave. A mesma receita do caos: erros de passo no meio de campo, falta de vigor na marcação somados a um péssimo posicionamento da defesa.
Mais erros. Outra vez a Argentina entrou em campo com dois segundos atacantes, Messi e Agüero no lugar de Tévez. Para piorar, a principal jogada ofensiva argentina parecia ser a bola...AÉREA. Não dá para aceitar. Há um lance que resume muito bem a diferença entre ter um nove de área. Dátolo passa por três marcadores pela esquerda e cruza. Agüero salta, não alcança e a bola chega às mãos do goleiro. Sei que o “se” não existe no futebol, mas SE estivesse em campo Milito, Licha López ou até mesmo o veterano Palermo, era gol!
Aliás, a ausência de um centroavante eu considero que é o maior erro de Maradona juntamente com a falta de manutenção de um time base, a falta de caráter do time, a zaga inexperiente e a falta de porte e de vigor dos jogadores.
A presença de um homem de área não trás apenas vantagens diretas como possibilidade de gols de cabeça. Há benefícios indiretos. O principal é a preocupação causada à defesa adversária e o conseqüente ganho de espaço. Explico. A presença do nove de ofício dentro da área todo o tempo faz com que os dois zagueiros adversários tenham que ficar lá, dentro da área cuidando do matador. Isso faz com que o miolo de zaga tenha que recuar e abre espaço para, nesse caso, Messi ou Agüero. Sem esse homem, a defesa não precisa ficar metida na área, se aproxima dos volantes e cria uma barreira praticamente intransponível para os atacantes de velocidade e habilidade como Messi e Agüero, por exemplo. Se o nove estivesse lá dentro fincado, Messi chegaria com, no máximo dois marcadores a sua frente e daí, conhecendo o rapaz, um gol pelo menos ele marcaria.
O time argentino ontem mostrava um desânimo absurdo e isso é gerado pela sensação de impossibilidade de jogar, impossibilidade essa causada pela desorganização argentina aliada à competência tática do Paraguai ou outrora do Brasil.
Outra conseqüência da falta de organização é quando analisamos as atuações dos homens ofensivos. Dátolo, Agüero, Messi e Lavezzi, todas as bolas que pegavam saíam correndo como peladeiros. Lavezzi foi pior ainda. Pegava rebotes de escanteios para o Paraguai e saía driblando, inclusive perdeu uma bola que quase deu origem ao segundo gol charrua.
Sobre Messi. Quem acompanha futebol europeu via melhores momentos ou gols do Fantástico acha que o Messi faz gol driblando o time adversário inteiro todos os dias. Não é assim. Essa é uma jogada que acontece DE VEZ EM QUANDO. Messi faz muitos gols, sim, mas a maioria desses se origina de jogadas em conjunto, jogadas de um TIME. Messi tabela, recebe na frente, dribla um ou dois e conclui com a direita ou a esquerda, isso é comum. O que se espera dele, driblar seis brasileiros, oito paraguaios, Júlio César, Villar e rolar para o fundo da rede, é EXCECAO, não regra.
Voltando aos jogos que faltam, sigo considerando o jogo contra o Uruguai dificílimo, mas mudei minha opinião com relação ao confronto com os peruanos. Será difícil também e todo e qualquer jogo para a Argentina nesse momento é difícil e beira o impossível. A Argentina fazer um gol é algo inesperado hoje em dia.
Finalizada a análise do jogo e do momento argentino, vale à pena compartir os comentários da imprensa argentina que acompanho diariamente. É incrível a semelhança das ideias dos jornalistas argentinos quando comparado ao que se dizia no Brasil na época das eliminatórias para a copa de 2002 onde o Brasil chegou a correr riscos de não se classificar.
Ideias chave: os jogadores “europeus” têm as suas vidas e suas cabeças lá, não dão mais o mesmo valor de jogar pela selecao.
Tem que montar uma selecao somente com jogadores do futebol argentino!
Falta indignação! Eles vêm aqui por cinco dias e depois passam dois meses na Europa e não se importam com o povo!
Por que eles não jogam a bola que jogam nos times deles na Europa quando jogam pela selecao?
Deja-vu?
Duas conclusões. Sempre considerei o futebol argentino melhor que o brasileiro, pois o primeiro, além da técnica apurada, comum às duas escolas, tinha firme defesa e organização tática, coisa que muitas vezes o Brasil não tinha. Hoje é o contrário. O Brasil tem a melhor defesa do mundo e é um time 100% tático, contudo, sem muita técnica.
Segunda e última conclusão. Muita gente exalta que se deveriam convocar mais jogadores do futebol local e Maradona vem fazendo isso mais do que qualquer um. Tudo bem que os campeonatos brasileiros e argentinos são muito legais, mas considero apenas viável a convocação de um jogador local quando este seja uma exceção, um craque. O motivo dessa minha opinião é que, por exemplo um zagueiro, Dominguez e Otamendi, não estão acostumados a enfrentar os melhores atacantes do mundo e por mais que talvez sejam tão bons ou melhores que os zagueiros que jogam fora, não estão acostumados a exigência do futebol internacional e qualquer selecao mediana tem melhor nível que clubes argentinos ou brasileiros, ou seja, a exigência de um jogo desse nível é muito maior.
Por fim, Riquelme. Aposto que vai haver uma séria conversa de reconciliação entre Diego e Román e voltará o “enganche”, será chamado no pior momento assim como Maradona foi chamado em 1993, para salvar a pátria e oxalá que o 10 do Boca possa cumprir com seu dever. Além da técnica, seria bom ter um líder dentro de campo. Dou a 10 e a faixa de capitão para ele.
Antes do confronto contra o Brasil eu olhava a tabela e analisava da seguinte forma: são três jogos dificílimos: Brasil, Paraguai e Uruguai e um para cumprir tabela, Peru, já eliminado, em casa.
Após o jogo de ontem reconsidero.
Ontem foi a pior atuação da selecao argentina que eu já vi na minha vida. Conseguiram jogar muito, mas muito pior que contra o Brasil. Não foram capazes de criar sequer uma boa chance de gol e passam a terrível impressão de que é impossível que um gol aconteça. Jamais em minha vida havia visto uma selecao argentina atuar de maneira tão medíocre e passar 180 minutos sem uma chance clara de gol.
Começo com uma tradicional e rápida análise individual dos jogadores:
Romero: a única boa surpresa. Passou muita segurança, algo raro nesse momento em um time em crise existencial, e fez pelo menos uma excelente defesa em lance no primeiro tempo que acabou com bola na trave. Sem culpa no gol. 7
Zanetti: sua pior atuação na carreira. Errou em todas as oportunidades que teve contato com a bola, além de estar, como todos os seus companheiros, completamente perdido em campo. ZERO
Dominguez: mais uma atuação visivelmente prejudicada por um nervosismo aliado a uma falta de organização tática jamais vista em um selecionado argentino. ZERO
Heinze: outro que tampouco sabia o que fazer em campo. ZERO
Papa: foi escalado na lateral no lugar de Heinze com o intuito de ser uma opção mais ofensiva. De fato Papa tem características mais ofensivas, mas ontem produziu nada. Heinze conseguiu ser melhor que ele no jogo contra os brazucas. 2
Mascherano: a pior atuação de sua vida desde que se tornou jogador profissional. Muitos falam que Messi não rende como no Barcelona onde é o melhor do mundo, mas poucos lembram-se de citar que Mascherano é considero por todos os técnicos como o melhor jogador do mundo na sua posição. Ontem Mascherano foi patético. Perdido, errando a maioria dos passes, a única coisa de produtivo que fez foi ocasionar a expulsão de Verón após errar mais um passe na frente de sua área. ZERO
Gago: um dos poucos jogadores que pelo menos mostrou certa indignação, mostrou caráter. Além disso, muito pouco. Sucessivos passes errados, especialmente alguns em zonas de extremo perigo. 2
Verón: realmente é difícil de entender o motivo que o faz ser titular da selecao. Talvez seja uma tentativa de Maradona de ter um ex-companheiro seu em campo, salvo isso, não há explicação. Verón não desempenhou uma função nem ofensiva nem defensiva. Sua nulidade em campo era tão grande que sua expulsão pouco mudou a fracassada atuação argentina. Escalado no lugar de Maxi Rodríguez, mais um dos tantos crimes cometidos por Diego. Vale também comentar o quão absurda foi sua expulsão, jogada típica de jogador juvenil. ZERO
Dátolo: talvez o único jogador que pelo menos tentou alguma coisa no primeiro tempo, fez duas jogadas pelos flancos, jogadas essas inúteis em um time que tem dois atacantes de 1,60m na área, mas talvez por esse fato, por tentado algo, foi substituído no intervalo. 4
Messi: mais um jogador que ontem brindou o mundo com a pior atuação de sua vida. Mais uma vez escalado em uma posição que o obriga a fazer milagres, conseguiu nada durante os 90 minutos. Nem nas jogadas individuais, nada, irreconhecível. ZERO
Agüero: apenas um chute a gol que acabou nas costas de um defensor paraguaio, nada fez. A bola pouco chegou até ele, algumas vezes voltava até o meio de campo em busca de jogo, mas sem sucesso. Pior atuação de sua carreira profissional. ZERO
Nem preciso comentar que foram pelo menos quatro jogadores que tiveram a pior atuação de suas carreiras. Sendo assim, é impossível de se ter algum sucesso. Será pura coincidência que quatro jogadores da importância de Zanetti, Mascherano, Messi e Agüero tenham as piores atuações de suas vidas em um mesmo jogo, em um mesmo time?
Claro que não, há o dedo podre do grande Diego.
A falta de organização, ou melhor dito, a ausência de qualquer formato de jogo, faz com que o time argentino não saiba o que fazer com a bola. Isso foi visível ontem quando analisamos quantas vezes os jogadores argentinos entregaram bolas ou fizeram recuos perigosos. Era um atrás do outro, durante 90 minutos.
Outro fator que chamou atenção ontem foi a falta de demonstração de vontade aliada ao nervosismo. Há lances inaceitáveis como o lance do gol paraguaio. Cabañas, de magnífica atuação, gira entre três jogadores de marcação do meio de campo da Argentina, nenhum deles encosta no robusto atacante, ele dá o passe, recebe outra vez e dá a assistência para Valdez.
Houve outros tantos lances como esse, destacando o que resultou em bola na trave. A mesma receita do caos: erros de passo no meio de campo, falta de vigor na marcação somados a um péssimo posicionamento da defesa.
Mais erros. Outra vez a Argentina entrou em campo com dois segundos atacantes, Messi e Agüero no lugar de Tévez. Para piorar, a principal jogada ofensiva argentina parecia ser a bola...AÉREA. Não dá para aceitar. Há um lance que resume muito bem a diferença entre ter um nove de área. Dátolo passa por três marcadores pela esquerda e cruza. Agüero salta, não alcança e a bola chega às mãos do goleiro. Sei que o “se” não existe no futebol, mas SE estivesse em campo Milito, Licha López ou até mesmo o veterano Palermo, era gol!
Aliás, a ausência de um centroavante eu considero que é o maior erro de Maradona juntamente com a falta de manutenção de um time base, a falta de caráter do time, a zaga inexperiente e a falta de porte e de vigor dos jogadores.
A presença de um homem de área não trás apenas vantagens diretas como possibilidade de gols de cabeça. Há benefícios indiretos. O principal é a preocupação causada à defesa adversária e o conseqüente ganho de espaço. Explico. A presença do nove de ofício dentro da área todo o tempo faz com que os dois zagueiros adversários tenham que ficar lá, dentro da área cuidando do matador. Isso faz com que o miolo de zaga tenha que recuar e abre espaço para, nesse caso, Messi ou Agüero. Sem esse homem, a defesa não precisa ficar metida na área, se aproxima dos volantes e cria uma barreira praticamente intransponível para os atacantes de velocidade e habilidade como Messi e Agüero, por exemplo. Se o nove estivesse lá dentro fincado, Messi chegaria com, no máximo dois marcadores a sua frente e daí, conhecendo o rapaz, um gol pelo menos ele marcaria.
O time argentino ontem mostrava um desânimo absurdo e isso é gerado pela sensação de impossibilidade de jogar, impossibilidade essa causada pela desorganização argentina aliada à competência tática do Paraguai ou outrora do Brasil.
Outra conseqüência da falta de organização é quando analisamos as atuações dos homens ofensivos. Dátolo, Agüero, Messi e Lavezzi, todas as bolas que pegavam saíam correndo como peladeiros. Lavezzi foi pior ainda. Pegava rebotes de escanteios para o Paraguai e saía driblando, inclusive perdeu uma bola que quase deu origem ao segundo gol charrua.
Sobre Messi. Quem acompanha futebol europeu via melhores momentos ou gols do Fantástico acha que o Messi faz gol driblando o time adversário inteiro todos os dias. Não é assim. Essa é uma jogada que acontece DE VEZ EM QUANDO. Messi faz muitos gols, sim, mas a maioria desses se origina de jogadas em conjunto, jogadas de um TIME. Messi tabela, recebe na frente, dribla um ou dois e conclui com a direita ou a esquerda, isso é comum. O que se espera dele, driblar seis brasileiros, oito paraguaios, Júlio César, Villar e rolar para o fundo da rede, é EXCECAO, não regra.
Voltando aos jogos que faltam, sigo considerando o jogo contra o Uruguai dificílimo, mas mudei minha opinião com relação ao confronto com os peruanos. Será difícil também e todo e qualquer jogo para a Argentina nesse momento é difícil e beira o impossível. A Argentina fazer um gol é algo inesperado hoje em dia.
Finalizada a análise do jogo e do momento argentino, vale à pena compartir os comentários da imprensa argentina que acompanho diariamente. É incrível a semelhança das ideias dos jornalistas argentinos quando comparado ao que se dizia no Brasil na época das eliminatórias para a copa de 2002 onde o Brasil chegou a correr riscos de não se classificar.
Ideias chave: os jogadores “europeus” têm as suas vidas e suas cabeças lá, não dão mais o mesmo valor de jogar pela selecao.
Tem que montar uma selecao somente com jogadores do futebol argentino!
Falta indignação! Eles vêm aqui por cinco dias e depois passam dois meses na Europa e não se importam com o povo!
Por que eles não jogam a bola que jogam nos times deles na Europa quando jogam pela selecao?
Deja-vu?
Duas conclusões. Sempre considerei o futebol argentino melhor que o brasileiro, pois o primeiro, além da técnica apurada, comum às duas escolas, tinha firme defesa e organização tática, coisa que muitas vezes o Brasil não tinha. Hoje é o contrário. O Brasil tem a melhor defesa do mundo e é um time 100% tático, contudo, sem muita técnica.
Segunda e última conclusão. Muita gente exalta que se deveriam convocar mais jogadores do futebol local e Maradona vem fazendo isso mais do que qualquer um. Tudo bem que os campeonatos brasileiros e argentinos são muito legais, mas considero apenas viável a convocação de um jogador local quando este seja uma exceção, um craque. O motivo dessa minha opinião é que, por exemplo um zagueiro, Dominguez e Otamendi, não estão acostumados a enfrentar os melhores atacantes do mundo e por mais que talvez sejam tão bons ou melhores que os zagueiros que jogam fora, não estão acostumados a exigência do futebol internacional e qualquer selecao mediana tem melhor nível que clubes argentinos ou brasileiros, ou seja, a exigência de um jogo desse nível é muito maior.
Por fim, Riquelme. Aposto que vai haver uma séria conversa de reconciliação entre Diego e Román e voltará o “enganche”, será chamado no pior momento assim como Maradona foi chamado em 1993, para salvar a pátria e oxalá que o 10 do Boca possa cumprir com seu dever. Além da técnica, seria bom ter um líder dentro de campo. Dou a 10 e a faixa de capitão para ele.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
So Long, Caio
Na quarta-feira da semana passada morreu Luiz Carlos Carneiro, o vulgo Caio. Meu professor no segundo ano do segundo grau, marcou minha vida devido ao seu jeito maldito e irreverente de ser. Caio usava calças de linho, colete e All Star nos pés.
Usava óculos que disfarçavam os seus olhos carrancudos e tinha cabelos negros e oleosos que pendiam por sobre a sua testa.
Caio foi o maior professor que já tive e uma das pessoas mais intrigantes e sensacionais que já conheci. Desde o primeiro dia de aula me fascinava o seu rancor para com o mundo e sua língua mais do que afiada. Vociferava impropérios e xingamentos contra todos. Caio era um homem “maldito”; um historiador e um professor da vida.
Caio, por mais que estivéssemos perto do Vestibular, jamais nos ensinou História tradicional. Jamais mencionou grandes feitos ou grandes nomes do passado. Caio dizia que deveríamos aprender sobre a vida, pois caso não o fizéssemos, acabaríamos trabalhando como cobradores do ônibus Otto.
Ninguém melhor do que Caio para ensinar sobre a vida. Caio exalava contradições e ideais. Não tinha ídolos, era um verdadeiro iconoclasta.
Tínhamos dois períodos de aula com o Caio por semana, os dois primeiros da segunda-feira. Eu era sempre o primeiro a chegar, pois gostava de ouvir as primeiras palavras malditas do saudoso mestre. Caio sentava-se e começava a contar alguma história que tinha passado no ônibus.
Numa dessas segundas tão esperadas, Caio chega enfurecido e começa a xingar a todos os alunos. Nos chama de idiotas e de imbecis. Algum colega reclamou à direção de que Caio não dava aula. Inflamado, Caio disse mais uma vez que nós deveríamos aproveitar o colégio para aprender a viver e não sobre as idiotices de Vestibular que, segundo ele, já deveríamos ter aprendido e, se não, iríamos aprender sozinho lendo livros ou depois com outro professor, mas não com ele.
Caio virou-se, escreveu “Grécia e Roma” no quadro e começou a dar, injuriado e colérico, uma aula tradicional. A imagem era tão desesperante para mim como colocar o Maradona a jogar vôlei. Era uma lástima, um desperdício.
Felizmente o velho Caio era um idealista que não muda seus métodos e ideias. Ao falar sobre a tradição dos gregos de quebrarem pratos, disse que adoraria fazer isso, mas que, caso fizesse, iria apanhar da mulher.
Caio jamais voltou a dar aula convencional e sim voltou ao seu velho ideal de ensinar a viver. E ninguém jamais ousou em reclamar novamente.
Lembro quando Caio olhava através da janela e fitava uma classe de quinta série e resmungava para si mesmo: “tenho medo de crianças; não sei o que passa nas cabeças deles...”
Através da mesma janela Caio olhava a diretora do colégio, uma loira na casa dos 50 anos estilo matrona juntamente a outras coordenadores, todas também na casa dos 50 com seus cabelos laqueados e pintados de loiro e dizia: “vocês devem ter cuidado com essas velhas loiras; elas querem apenas acabar com as vidas de vocês”.
Uma vez Caio nos fez ler um livro escrito por um judeu sobrevivente ao Holocausto. A tarefa era escrever uma resenha sobre o livro. Li, escrevi e entreguei ao mestre.
Uma semana depois recebo o trabalho com uma nota 10 e com o seguinte comentário abaixo: “sei que não foste tu quem escreveste, mas o autor merece”.
Discuti por muito tempo com Caio na aula tratando de convencê-lo que o texto era meu, mas ele jamais acreditou e levou essa dúvida sobre quem teria escrito para o inferno junto com ele.
Caio era nostálgico. Vivia lembrando dos seus tempos na escola Venezuela na Vila Cruzeiro. Além disso tinha conceitos fantásticos: “um riquinho como vocês e um morto de fome, quando atropelados pelo Otto, viram a mesma merda, viram guisado”.
Caio era tão maldito que uma vez arrancou todos os tubos do seu corpo, abandonou seu leito no hospital e foi tomar uma cerveja no bar da esquina.
Caio chamava Rogério Mendelski, tio de um colega meu, de fascista, na frente dele e isso é nada quando comparado ao dia em que chamou o jornalista de “prostituta”.
Inesquecíveis também eram os acessos de ódio dele contra os donos de cursinhos, ex-colegas dele que hoje andavam de cabelo pintado e tinham motoristas que abriam a porta para eles...
Esse era o Caio, uma pessoa inigualável e incomparável. Um gênio.
Usava óculos que disfarçavam os seus olhos carrancudos e tinha cabelos negros e oleosos que pendiam por sobre a sua testa.
Caio foi o maior professor que já tive e uma das pessoas mais intrigantes e sensacionais que já conheci. Desde o primeiro dia de aula me fascinava o seu rancor para com o mundo e sua língua mais do que afiada. Vociferava impropérios e xingamentos contra todos. Caio era um homem “maldito”; um historiador e um professor da vida.
Caio, por mais que estivéssemos perto do Vestibular, jamais nos ensinou História tradicional. Jamais mencionou grandes feitos ou grandes nomes do passado. Caio dizia que deveríamos aprender sobre a vida, pois caso não o fizéssemos, acabaríamos trabalhando como cobradores do ônibus Otto.
Ninguém melhor do que Caio para ensinar sobre a vida. Caio exalava contradições e ideais. Não tinha ídolos, era um verdadeiro iconoclasta.
Tínhamos dois períodos de aula com o Caio por semana, os dois primeiros da segunda-feira. Eu era sempre o primeiro a chegar, pois gostava de ouvir as primeiras palavras malditas do saudoso mestre. Caio sentava-se e começava a contar alguma história que tinha passado no ônibus.
Numa dessas segundas tão esperadas, Caio chega enfurecido e começa a xingar a todos os alunos. Nos chama de idiotas e de imbecis. Algum colega reclamou à direção de que Caio não dava aula. Inflamado, Caio disse mais uma vez que nós deveríamos aproveitar o colégio para aprender a viver e não sobre as idiotices de Vestibular que, segundo ele, já deveríamos ter aprendido e, se não, iríamos aprender sozinho lendo livros ou depois com outro professor, mas não com ele.
Caio virou-se, escreveu “Grécia e Roma” no quadro e começou a dar, injuriado e colérico, uma aula tradicional. A imagem era tão desesperante para mim como colocar o Maradona a jogar vôlei. Era uma lástima, um desperdício.
Felizmente o velho Caio era um idealista que não muda seus métodos e ideias. Ao falar sobre a tradição dos gregos de quebrarem pratos, disse que adoraria fazer isso, mas que, caso fizesse, iria apanhar da mulher.
Caio jamais voltou a dar aula convencional e sim voltou ao seu velho ideal de ensinar a viver. E ninguém jamais ousou em reclamar novamente.
Lembro quando Caio olhava através da janela e fitava uma classe de quinta série e resmungava para si mesmo: “tenho medo de crianças; não sei o que passa nas cabeças deles...”
Através da mesma janela Caio olhava a diretora do colégio, uma loira na casa dos 50 anos estilo matrona juntamente a outras coordenadores, todas também na casa dos 50 com seus cabelos laqueados e pintados de loiro e dizia: “vocês devem ter cuidado com essas velhas loiras; elas querem apenas acabar com as vidas de vocês”.
Uma vez Caio nos fez ler um livro escrito por um judeu sobrevivente ao Holocausto. A tarefa era escrever uma resenha sobre o livro. Li, escrevi e entreguei ao mestre.
Uma semana depois recebo o trabalho com uma nota 10 e com o seguinte comentário abaixo: “sei que não foste tu quem escreveste, mas o autor merece”.
Discuti por muito tempo com Caio na aula tratando de convencê-lo que o texto era meu, mas ele jamais acreditou e levou essa dúvida sobre quem teria escrito para o inferno junto com ele.
Caio era nostálgico. Vivia lembrando dos seus tempos na escola Venezuela na Vila Cruzeiro. Além disso tinha conceitos fantásticos: “um riquinho como vocês e um morto de fome, quando atropelados pelo Otto, viram a mesma merda, viram guisado”.
Caio era tão maldito que uma vez arrancou todos os tubos do seu corpo, abandonou seu leito no hospital e foi tomar uma cerveja no bar da esquina.
Caio chamava Rogério Mendelski, tio de um colega meu, de fascista, na frente dele e isso é nada quando comparado ao dia em que chamou o jornalista de “prostituta”.
Inesquecíveis também eram os acessos de ódio dele contra os donos de cursinhos, ex-colegas dele que hoje andavam de cabelo pintado e tinham motoristas que abriam a porta para eles...
Esse era o Caio, uma pessoa inigualável e incomparável. Um gênio.
domingo, 6 de setembro de 2009
Argentina
O fato que mais chamou a atenção no jogo de ontem foi que, MAIS UMA VEZ, em um jogo decisivo entre Argentina e Brasil, viu-se a consagração de um futebol tático, defensivo e traiçoeiro contra um futebol sem resultados que busca ser virtuoso, mas que não funciona.
O confronto de ontem em Rosário foi incrivelmente semelhante à final da Copa América de 2007. A Argentina com uma proposta extremamente ofensiva com uma defesa desprotegida contra um Brasil de futebol tacanho e covarde, que algumas vezes chega a ser constrangedor devido a atitude de time do pequeno do interior gaúcho jogando contra a dupla GRE-nal em Porto Alegre, mas extremamente eficiente.
Em 2007 a Argentina vinha fazendo uma Copa América brilhante, impecável, mostrando um futebol sensacional, ofensivo e fazendo muitos gols. Enfrentou na final um Brasil fechado e que assumiu sua inferioridade técnica e apostou nos contra-ataques e em sua defesa intransponível.
No primeiro contra-ataque, Júlio Baptista abriu o marcador e explicitou um dos principais problemas da selecao argentina: a falta de caráter. Após o gol, mesmo que ainda seguia dominando o jogo, a Argentina jamais ameaçou recuperar-se e acabou colapsando e perdendo por 0-3 mesmo sendo infinitamente superior tecnicamente.
Analisando o jogo de ontem, vale salientar que, após de ainda ser muito superior tecnicamente, a Argentina vem jogando extremamente mal e ontem, por mais incrível que possa parecer, até o gol do Brasil, vinha fazendo o seu melhor jogo. Sofreu o gol em uma bola parada pelo alto e ruiu, jamais conseguiu recuperar-se.
Um fato curioso e emblemático que vale a pena salientar: Crespo, que era o artilheiro argentino na Copa América, se lesionou nas quartas-de-final e esteve ausente até o fim da competição. Essa saída de Crespo foi o fim de uma era de uma Argentina que sempre teve um nove de ofício. Desde então, nunca mais a Argentina entrou em campo com um centroavante de área e ontem pudemos sentir como fazem falta.
Vimos ontem duas propostas de jogo completamente antagônicas: o futebol que visa o virtuosismo da Argentina contra o futebol eficiente de Dunga. A Argentina entrou em campo com uma formação suicidamente ofensiva enquanto que o Brasil entrou em campo com um ferrolho de gigantes e com a intenção de explorar os contra-ataques, tarefa do gênio Kaká. Mais uma vez, infelizmente para o bem do futebol, a proposta de Dunga se mostrou mais eficaz e, em duas bolas paradas (vale salientar que o segundo gol foi originado de uma falta que não foi) fez dois gols e acabou com qualquer chance de reação argentina.
Os erros de Maradona
Como já externei em outras oportunidades, considero o trabalho de Maradona extremamente decepcionante e cito os principais erros:
1. Falta de continuidade. Uma selecao reúne-se, em média, a cada dois meses. Não há, evidentemente, tempo para treinar. Qual é a solução lógica? Manter uma mesma base em todos os jogos assim como faz Dunga. Quem não sabe que o time de Dunga é Júlio César, Maicon, Lúcio, Juan, André Santos, Gilberto, Elano, Felipe Melo, Kaká, Robinho e Luís Fabiano? Agora alguém se arrisca a dizer o qual é o time titular de Maradona? Não creio, pois nem ele sabe, pior, não sabe nem qual é o esquema tático. Dátolo não havia sido jamais convocado; estreou e foi titular. Seba Dominguez a mesma coisa, entre outros.
2. Defesa. Não creio que todo grande time deva começar por um grande goleiro, mas sim acredito que todo time, no futebol de hoje, deve ter uma grande defesa para pensar em ganhar alguma coisa e a Argentina deve ter a pior defesa entre as grandes seleções do mundo. Não me refiro apenas a jogadores e sim a um sistema que expõe o sistema defensivo a todo o momento. É charmoso apostar nessa ideia argentina de futebol que sempre visa o ataque e aposta em jogadores habilidosos como Messi e Agüero, mas infelizmente a defesa é mais crucial do que isso e nada melhor para corroborar essa ideia do que analisar a defesa de Dunga, talvez a melhor do mundo na atualidade. Um ferrolho! Intransponível. Dunga jogou com dois zagueiros altos e com os laterais fazendo uma função de terceiro e quartos zagueiros. Talvez a característica mais peculiar do futebol brasileiro seja a atuação ofensiva de seus laterais, mas Dunga acabou com isso e plantou Maicon e Santos lá atrás. Além disso, destaco Júlio César, o melhor goleiro do mundo disparado na atualidade. O que fez Maradona? Colocou para jogar em um clássico de vida ou morte uma dupla de zaga verde. Seba Dominguez jamais havia jogado na selecao enquanto que Otamendi, uma das grandes revelações do Vélez campeão, jamais havia iniciado um jogo como titular e ambos tiveram uma atuação ruim. Será que não seria mais adequado escalar zagueiros de experiência internacional como Samuel ou Coloccini?
3. Estatura. Duvido que algum torcedor argentino como eu tinha alguma esperança de gol nos lances de bola parada. Era impossível! Nem os defensores argentinos eram altos, era simplesmente impossível de conseguir qualquer coisa por cima. Será que não é óbvio que, contra um time que joga retrancado como o Brasil, a escalação de um centroavante de ofício, forte e grande, era fundamental? E a Argentina tem, entre outros, Milito, artilheiro do campeonato italiano e López, artilheiro do campeonato português e francês. Era visível que não havia como penetrar em uma defesa tão fechada, com pelo menos seis defensores fixos atrás todo o tempo (Luisão, Lúcio, Maicon, Santos, Gilberto e Melo), por baixo não dava, tanto é que o gol argentino saiu de um chute da intermediária.
4. A escalação de Messi. Atrás, tendo que buscar a bola no meio de campo, Messi tinha que passar por três ou quatro jogadores e, quando chegava perto da área, já estava exausto. Considero a atuação de Messi ontem heróica, não aceito críticas que alegam que Messi não joga o que joga no Barcelona. A diferença é simples: no Barcelona há um homem de área, antes Eto´o e agora Ibra, tem Henry, Iniesta, Toure e principalmente Xavi sempre aproximando, ou seja, Messi, quando atropela dois ou três adversários, já está na cara do gol e sempre guarda! Na Argentina Messi joga com pressão, toda bola que pega, por não ter um time que funcione ao seu lado, tem a obrigação de definir sempre e isso é inviável.
5. A renúncia de Riquelme. É visível a falta de um jogador de criação e que jogue pelo centro no meio de campo. Desde a renúncia de Román, Maradona desistiu dessa vital posição, desse homem que facilita a vida de jogadores como Messi, Tévez e Agüero. Há inúmeros jogadores argentinos excelentes que poderiam fazer essa função, mas Maradona se mostra abalado pela saída de Riquelme e monta um meio de campo com dois volantes e dois meio-campistas que jogam abertos pelos flancos.
6. A falta de caráter. Uma selecao como a argentina não pode desesperar-se e desistir de um jogo por tomar o primeiro gol. Até o gol de Luisão, a Argentina jogava bem, dominava APESAR de não conseguir furar o ferrolho brasileiro. Tomou o gol em um lance bizarro em que o jogador adversário mais alto era o único que estava totalmente desmarcado e todos se desesperaram, exatamente como aconteceu na final de 2007.
Essa sucessão de erros de Maradona coloca a Argentina em uma situação mais do que dramática. Faltam três jogos, sendo que dois extremamente difíceis fora de casa, Paraguai e Uruguai. O Paraguai entrará em campo sabendo que falta apenas uma vitória para garantir sua vaga na copa. Para piorar, na última rodada o clássico do Rio da Prata pode ser uma batalha caso o Uruguai esteja ainda com chances de vaga. Completando, Peru em casa.
A Argentina vive momentos de pavor. Nenhum argentino anda dormindo tranqüilo, pois o risco é imenso, o risco de perdermos uma das melhores seleções do mundo e o melhor jogador do mundo.
Que saudades de um centroavante que faça gols, um Batistuta. Luís Fabiano pode ter aberto os olhos de Maradona, pois mostrou o quão importante é ter um atacante que não perca gols. Apostaria em Milito apesar da sonsa atuação ontem; E que saudades de um Simeone no meio, um homem que sempre mantinha uma faca na boca, que impunha um caráter, mas esse jogador, infelizmente, não há nesse momento.
Mas ainda há vida. Aposto em uma vitória agônica em Assunção o que considero que praticamente garante a vaga, pois depois o próximo jogo é Peru em casa. Tenho certeza que chegaremos de sangue doce em Montevidéu e aí torcerei por uma derrota caso os orientais necessitem três pontos para garantirem sua vaga.
Aguante Argentina!
O confronto de ontem em Rosário foi incrivelmente semelhante à final da Copa América de 2007. A Argentina com uma proposta extremamente ofensiva com uma defesa desprotegida contra um Brasil de futebol tacanho e covarde, que algumas vezes chega a ser constrangedor devido a atitude de time do pequeno do interior gaúcho jogando contra a dupla GRE-nal em Porto Alegre, mas extremamente eficiente.
Em 2007 a Argentina vinha fazendo uma Copa América brilhante, impecável, mostrando um futebol sensacional, ofensivo e fazendo muitos gols. Enfrentou na final um Brasil fechado e que assumiu sua inferioridade técnica e apostou nos contra-ataques e em sua defesa intransponível.
No primeiro contra-ataque, Júlio Baptista abriu o marcador e explicitou um dos principais problemas da selecao argentina: a falta de caráter. Após o gol, mesmo que ainda seguia dominando o jogo, a Argentina jamais ameaçou recuperar-se e acabou colapsando e perdendo por 0-3 mesmo sendo infinitamente superior tecnicamente.
Analisando o jogo de ontem, vale salientar que, após de ainda ser muito superior tecnicamente, a Argentina vem jogando extremamente mal e ontem, por mais incrível que possa parecer, até o gol do Brasil, vinha fazendo o seu melhor jogo. Sofreu o gol em uma bola parada pelo alto e ruiu, jamais conseguiu recuperar-se.
Um fato curioso e emblemático que vale a pena salientar: Crespo, que era o artilheiro argentino na Copa América, se lesionou nas quartas-de-final e esteve ausente até o fim da competição. Essa saída de Crespo foi o fim de uma era de uma Argentina que sempre teve um nove de ofício. Desde então, nunca mais a Argentina entrou em campo com um centroavante de área e ontem pudemos sentir como fazem falta.
Vimos ontem duas propostas de jogo completamente antagônicas: o futebol que visa o virtuosismo da Argentina contra o futebol eficiente de Dunga. A Argentina entrou em campo com uma formação suicidamente ofensiva enquanto que o Brasil entrou em campo com um ferrolho de gigantes e com a intenção de explorar os contra-ataques, tarefa do gênio Kaká. Mais uma vez, infelizmente para o bem do futebol, a proposta de Dunga se mostrou mais eficaz e, em duas bolas paradas (vale salientar que o segundo gol foi originado de uma falta que não foi) fez dois gols e acabou com qualquer chance de reação argentina.
Os erros de Maradona
Como já externei em outras oportunidades, considero o trabalho de Maradona extremamente decepcionante e cito os principais erros:
1. Falta de continuidade. Uma selecao reúne-se, em média, a cada dois meses. Não há, evidentemente, tempo para treinar. Qual é a solução lógica? Manter uma mesma base em todos os jogos assim como faz Dunga. Quem não sabe que o time de Dunga é Júlio César, Maicon, Lúcio, Juan, André Santos, Gilberto, Elano, Felipe Melo, Kaká, Robinho e Luís Fabiano? Agora alguém se arrisca a dizer o qual é o time titular de Maradona? Não creio, pois nem ele sabe, pior, não sabe nem qual é o esquema tático. Dátolo não havia sido jamais convocado; estreou e foi titular. Seba Dominguez a mesma coisa, entre outros.
2. Defesa. Não creio que todo grande time deva começar por um grande goleiro, mas sim acredito que todo time, no futebol de hoje, deve ter uma grande defesa para pensar em ganhar alguma coisa e a Argentina deve ter a pior defesa entre as grandes seleções do mundo. Não me refiro apenas a jogadores e sim a um sistema que expõe o sistema defensivo a todo o momento. É charmoso apostar nessa ideia argentina de futebol que sempre visa o ataque e aposta em jogadores habilidosos como Messi e Agüero, mas infelizmente a defesa é mais crucial do que isso e nada melhor para corroborar essa ideia do que analisar a defesa de Dunga, talvez a melhor do mundo na atualidade. Um ferrolho! Intransponível. Dunga jogou com dois zagueiros altos e com os laterais fazendo uma função de terceiro e quartos zagueiros. Talvez a característica mais peculiar do futebol brasileiro seja a atuação ofensiva de seus laterais, mas Dunga acabou com isso e plantou Maicon e Santos lá atrás. Além disso, destaco Júlio César, o melhor goleiro do mundo disparado na atualidade. O que fez Maradona? Colocou para jogar em um clássico de vida ou morte uma dupla de zaga verde. Seba Dominguez jamais havia jogado na selecao enquanto que Otamendi, uma das grandes revelações do Vélez campeão, jamais havia iniciado um jogo como titular e ambos tiveram uma atuação ruim. Será que não seria mais adequado escalar zagueiros de experiência internacional como Samuel ou Coloccini?
3. Estatura. Duvido que algum torcedor argentino como eu tinha alguma esperança de gol nos lances de bola parada. Era impossível! Nem os defensores argentinos eram altos, era simplesmente impossível de conseguir qualquer coisa por cima. Será que não é óbvio que, contra um time que joga retrancado como o Brasil, a escalação de um centroavante de ofício, forte e grande, era fundamental? E a Argentina tem, entre outros, Milito, artilheiro do campeonato italiano e López, artilheiro do campeonato português e francês. Era visível que não havia como penetrar em uma defesa tão fechada, com pelo menos seis defensores fixos atrás todo o tempo (Luisão, Lúcio, Maicon, Santos, Gilberto e Melo), por baixo não dava, tanto é que o gol argentino saiu de um chute da intermediária.
4. A escalação de Messi. Atrás, tendo que buscar a bola no meio de campo, Messi tinha que passar por três ou quatro jogadores e, quando chegava perto da área, já estava exausto. Considero a atuação de Messi ontem heróica, não aceito críticas que alegam que Messi não joga o que joga no Barcelona. A diferença é simples: no Barcelona há um homem de área, antes Eto´o e agora Ibra, tem Henry, Iniesta, Toure e principalmente Xavi sempre aproximando, ou seja, Messi, quando atropela dois ou três adversários, já está na cara do gol e sempre guarda! Na Argentina Messi joga com pressão, toda bola que pega, por não ter um time que funcione ao seu lado, tem a obrigação de definir sempre e isso é inviável.
5. A renúncia de Riquelme. É visível a falta de um jogador de criação e que jogue pelo centro no meio de campo. Desde a renúncia de Román, Maradona desistiu dessa vital posição, desse homem que facilita a vida de jogadores como Messi, Tévez e Agüero. Há inúmeros jogadores argentinos excelentes que poderiam fazer essa função, mas Maradona se mostra abalado pela saída de Riquelme e monta um meio de campo com dois volantes e dois meio-campistas que jogam abertos pelos flancos.
6. A falta de caráter. Uma selecao como a argentina não pode desesperar-se e desistir de um jogo por tomar o primeiro gol. Até o gol de Luisão, a Argentina jogava bem, dominava APESAR de não conseguir furar o ferrolho brasileiro. Tomou o gol em um lance bizarro em que o jogador adversário mais alto era o único que estava totalmente desmarcado e todos se desesperaram, exatamente como aconteceu na final de 2007.
Essa sucessão de erros de Maradona coloca a Argentina em uma situação mais do que dramática. Faltam três jogos, sendo que dois extremamente difíceis fora de casa, Paraguai e Uruguai. O Paraguai entrará em campo sabendo que falta apenas uma vitória para garantir sua vaga na copa. Para piorar, na última rodada o clássico do Rio da Prata pode ser uma batalha caso o Uruguai esteja ainda com chances de vaga. Completando, Peru em casa.
A Argentina vive momentos de pavor. Nenhum argentino anda dormindo tranqüilo, pois o risco é imenso, o risco de perdermos uma das melhores seleções do mundo e o melhor jogador do mundo.
Que saudades de um centroavante que faça gols, um Batistuta. Luís Fabiano pode ter aberto os olhos de Maradona, pois mostrou o quão importante é ter um atacante que não perca gols. Apostaria em Milito apesar da sonsa atuação ontem; E que saudades de um Simeone no meio, um homem que sempre mantinha uma faca na boca, que impunha um caráter, mas esse jogador, infelizmente, não há nesse momento.
Mas ainda há vida. Aposto em uma vitória agônica em Assunção o que considero que praticamente garante a vaga, pois depois o próximo jogo é Peru em casa. Tenho certeza que chegaremos de sangue doce em Montevidéu e aí torcerei por uma derrota caso os orientais necessitem três pontos para garantirem sua vaga.
Aguante Argentina!
So Long
Além de ter sido uma grande oportunidade para rever alguns familiares e amigos, a minha curta estadia em Porto Alegre gerou outro grande resultado. Desde o dia em que cheguei, 28 de julho, passei a ter uma ideia distinta da cidade.
Até a minha ida à Londres em abril de 2005, tinha grande simpatia por Porto Alegre. Após alguns dias na capital inglesa, passei a considerar Porto Alegre uma cidade exemplo do atraso do Terceiro Mundo. Como afirmou Edgar Morin “as grandes cidades do
Terceiro Mundo passaram diretamente da selvageria ao caos sem passar pelo esplendor”. O sistema americano copiado pelas grandes cidades terceiro-mundistas fez com que essas aglomerações humanas se tornassem desagradáveis, poluídas e dotadas de um crescimento desregrado. São cidades atormentadas pela violência urbana, com pouca ou nada de vida de rua e que segue a receita ianque de xópins aliados a carros, receita essa que aniquila a vida social de rua e padroniza tudo, rouba a alma.
A minha segunda experiência de vida no exterior, agora em Medelín na Colômbia é uma das responsáveis dessa “re-admiracão” pela capital dos gaúchos. É inevitável não comparar a qualidade de vida entre Medelín e Porto Alegre depois de voltar dessa curta experiência gaúcha tendo estado vivendo na Colômbia por mais de meio ano. O caos total e a imbecilizacão dominante aqui nesse rincão do mundo fazem com que Porto Alegre e sua população sejam valorizados por mim.
Já na chegada no aeroporto, o ar frio, a aparência europeia de sua caucasiana população servem como um agradável cartão de visitas. Logo segue o trânsito. Ria sozinho a cada pisca-pisca que via cintilar na minha frente. Coloca-se pisca-pisca para tudo, para trocar de pista, enfim, usa-se como deveria ser usado e isso me fez sentir bem. Sem contar o trânsito tranqüilo, a ausência de buzinas, a menor quantidade de motos, as avenidas longilíneas e bem sinalizadas, enfim, resumindo, o sentimento era parecido de quando cheguei à Londres.
Mas o melhor de tudo é poder conversar. Sinto falta de falar com pessoas que não estarão dispostas a apenas conversar sobre novelas, vidas de celebridades, histórias de bebedeiras deles mesmos ou sobre celulares. Já sinto falta de poder falar de livros e/ou filmes. Sinto falta do futebol de verdade, do frio, de mulheres sem plásticas, de carne boa, de doces incríveis, de cultura de mesa, de poder sair de casa e escutar um acústico do Pink Floyd, de estar livre do lixo musical indígena, de poder me reunir com uma ou mais pessoas e que não seja apenas com o intuito de atingir a inconsciência através do álcool. Faz falta as opções culturais de Porto Alegre, que se não são as de uma grande cidade europeia pelo menos existem, sinto também muita falta da zona sul, do Guaíba espelhado circundado por um céu cinzento e nublado. Sinto falta dos dias de inverno chuvoso, bem como sinto falta de olhar os parques ensolarados em dias de frio intenso.
Sinto falta do senso crítico, sinto falta de conviver com pessoas que sabem pelo menos onde fica a França, Itália e Inglaterra, sinto muita falta do humor, ah, o humor! A ironia! Poder comentar sobre algum fato que não tenha acontecido no perímetro urbano de Porto Alegre e mesmo assim as pessoas com as quais eu estou falando demonstram interesse e conhecimento. Sentia falta de poder ir a qualquer parte sem ter que ficar me preocupando com o que os outros vão comentar sobre como estou vestido.
Enfim, muito bom, saudades cada vez maiores dessa cidade feia por fora, mas ainda com alguma beleza especial por dentro. Aqui estou de volta sob o mesmo regime de calor de mais de 30 graus todos os dias do ano, comida que beira o asqueroso, conversando sobre como a fulaninha bateu o carro depois de encher a cara de cachaça em uma reunião de inauguração de apartamento ou sobre qual o melhor celular, ou então, o fundo do poço, vendo homens comentar sobre o capítulo passado da novela e isso que teve jogo da selecao colombiana...
E, para completar, para acabar com o humor de qualquer pessoa, a música de fundo, a pior e mais nojenta música do planeta...me entristece.
Até a minha ida à Londres em abril de 2005, tinha grande simpatia por Porto Alegre. Após alguns dias na capital inglesa, passei a considerar Porto Alegre uma cidade exemplo do atraso do Terceiro Mundo. Como afirmou Edgar Morin “as grandes cidades do
Terceiro Mundo passaram diretamente da selvageria ao caos sem passar pelo esplendor”. O sistema americano copiado pelas grandes cidades terceiro-mundistas fez com que essas aglomerações humanas se tornassem desagradáveis, poluídas e dotadas de um crescimento desregrado. São cidades atormentadas pela violência urbana, com pouca ou nada de vida de rua e que segue a receita ianque de xópins aliados a carros, receita essa que aniquila a vida social de rua e padroniza tudo, rouba a alma.
A minha segunda experiência de vida no exterior, agora em Medelín na Colômbia é uma das responsáveis dessa “re-admiracão” pela capital dos gaúchos. É inevitável não comparar a qualidade de vida entre Medelín e Porto Alegre depois de voltar dessa curta experiência gaúcha tendo estado vivendo na Colômbia por mais de meio ano. O caos total e a imbecilizacão dominante aqui nesse rincão do mundo fazem com que Porto Alegre e sua população sejam valorizados por mim.
Já na chegada no aeroporto, o ar frio, a aparência europeia de sua caucasiana população servem como um agradável cartão de visitas. Logo segue o trânsito. Ria sozinho a cada pisca-pisca que via cintilar na minha frente. Coloca-se pisca-pisca para tudo, para trocar de pista, enfim, usa-se como deveria ser usado e isso me fez sentir bem. Sem contar o trânsito tranqüilo, a ausência de buzinas, a menor quantidade de motos, as avenidas longilíneas e bem sinalizadas, enfim, resumindo, o sentimento era parecido de quando cheguei à Londres.
Mas o melhor de tudo é poder conversar. Sinto falta de falar com pessoas que não estarão dispostas a apenas conversar sobre novelas, vidas de celebridades, histórias de bebedeiras deles mesmos ou sobre celulares. Já sinto falta de poder falar de livros e/ou filmes. Sinto falta do futebol de verdade, do frio, de mulheres sem plásticas, de carne boa, de doces incríveis, de cultura de mesa, de poder sair de casa e escutar um acústico do Pink Floyd, de estar livre do lixo musical indígena, de poder me reunir com uma ou mais pessoas e que não seja apenas com o intuito de atingir a inconsciência através do álcool. Faz falta as opções culturais de Porto Alegre, que se não são as de uma grande cidade europeia pelo menos existem, sinto também muita falta da zona sul, do Guaíba espelhado circundado por um céu cinzento e nublado. Sinto falta dos dias de inverno chuvoso, bem como sinto falta de olhar os parques ensolarados em dias de frio intenso.
Sinto falta do senso crítico, sinto falta de conviver com pessoas que sabem pelo menos onde fica a França, Itália e Inglaterra, sinto muita falta do humor, ah, o humor! A ironia! Poder comentar sobre algum fato que não tenha acontecido no perímetro urbano de Porto Alegre e mesmo assim as pessoas com as quais eu estou falando demonstram interesse e conhecimento. Sentia falta de poder ir a qualquer parte sem ter que ficar me preocupando com o que os outros vão comentar sobre como estou vestido.
Enfim, muito bom, saudades cada vez maiores dessa cidade feia por fora, mas ainda com alguma beleza especial por dentro. Aqui estou de volta sob o mesmo regime de calor de mais de 30 graus todos os dias do ano, comida que beira o asqueroso, conversando sobre como a fulaninha bateu o carro depois de encher a cara de cachaça em uma reunião de inauguração de apartamento ou sobre qual o melhor celular, ou então, o fundo do poço, vendo homens comentar sobre o capítulo passado da novela e isso que teve jogo da selecao colombiana...
E, para completar, para acabar com o humor de qualquer pessoa, a música de fundo, a pior e mais nojenta música do planeta...me entristece.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Adendo
Esqueci de mencionar no texto anterior que a irmã do cafetão é casada com um narcotraficante, ou seja, se eu começar a não responder os e-mails e não aparecer no MSN, já sabem, boquinha cheia de formigas...
Mas o que queria abordar aqui é a impressionante roubalheira que é o sistema aéreo aqui. Para terem uma ideia, se compramos um vôo São Paulo – Medelín – São Paulo, vale cerca de 500 dólares mais uns 100 dólares de taxas.
Já se compramos Medelín – São Paulo – Medelín, os mesmos 500 dólares mais 370 de taxas! Um absurdo.
A América Latrina realmente é um atraso. Estava vendo essa semana que um voo de Auckland para Los Angeles está custando os mesmos 800 dólares do meu voo de Medelín para São Paulo. Não dá para aceitar passivamente.
Mas o que queria abordar aqui é a impressionante roubalheira que é o sistema aéreo aqui. Para terem uma ideia, se compramos um vôo São Paulo – Medelín – São Paulo, vale cerca de 500 dólares mais uns 100 dólares de taxas.
Já se compramos Medelín – São Paulo – Medelín, os mesmos 500 dólares mais 370 de taxas! Um absurdo.
A América Latrina realmente é um atraso. Estava vendo essa semana que um voo de Auckland para Los Angeles está custando os mesmos 800 dólares do meu voo de Medelín para São Paulo. Não dá para aceitar passivamente.
terça-feira, 21 de julho de 2009
Vende-se
Em um aspecto viver na Colômbia é como retornar à infância. Aqui, não decido aonde vou. Meu direito de ir e vir é limitado. Devido ao fato de estar começando uma vida aos 26 anos, e também devido ao fato de ser uma pessoa avessa a novas relações pessoais, tenho uma vida social bastante limitada. Não decido aonde ir; apenas vou onde sou convocado.
Um ex-colega de faculdade da Marcela, homossexual, cocainômano e metrossexual, encontrou, em alguma investida sua em busca de homem em uma favela, uma família de crianças belíssimas. Três guriazinhas lindas e um guri. Todos com uma aparência atípica em uma terra de crianças feias. Olhos azuis, cabelos loiros, essas crianças realmente chamam a atenção.
Ter encontrado essas crianças em um antro de criminalidade, miséria e violência fez com quê o cidadão em questão visse a sua chance de ganhar dinheiro fácil. A Colômbia, e especialmente Medelín, possui um mercado de moda muito forte e, obviamente, a figura dos modelos é destacada. Vale salientar que a Colômbia não segue um padrão de beleza de modelos tradicional, ou seja, mulheres magras e caucasianas, e sim prezam por fêmeas fartas e curvilíneas.
Devido a sua metrossexualidade e conseqüente relação com o mundo da moda, o nosso amigo não perdeu mais do que um minuto até decidir “adotar” essas pobres crianças.
Levou-os em agências de modelos infantis, todos já desfilaram e realizaram trabalhos e agora, sob uma campanha de construir uma casa às crianças, realiza eventos para arrecadar fundos para isso. Sexta-feira passada estive presente sendo testemunha in locus da barbaridade que está sendo feita com essas indefesas crianças em um ato disfarçado de “ajuda humanitária” tão crível como a “ajuda humanitária” americana no Kweit durante a Guerra do Golfo.
Pagamos cerca de R$40,00 para entrar a uma discoteca. Evidentemente, não pude escolher e fui induzido a fazer parte desse ato obsceno. Na discoteca, para a minha surpresa, encontrei as crianças. Uma guriazinha, de cerca de cinco anos, estava na porta recebendo os convidados. Era obrigada a agir como uma diva e distribuir beijos a todas as pessoas que adentravam no recinto.
Saliento mais uma vez que se tratava de uma discoteca, com venda de bebida alcoólica e música mais do que alta, beirando o insuportável. E sim, as crianças circulavam livremente por lá. Em qualquer país que almeja a ser civilizado, crianças jamais seriam permitidas dentro de uma discoteca, mas na Colômbia tudo pode.
A festa se arrastava, música ruim e alta, calor insuportável até que, para a minha tristeza e decepção para com a Humanidade, uma mulher na faixa dos 30 anos de notória vida devassa, uma possível fracassada drogada, sobe a um pequeno palco e chama, em meio a incessantes microfonias, as crianças a subirem no palco, isso já perto da meia-noite. Para que vocês me entendam, a menor delas tem uns dois anos de idade e estava visivelmente assustada.
Todas sobem no palco e são obrigadas a dançar para “divertir” o público que exigia a recompensa pela ajuda que estavam dando com seus R$20,00 de ingresso. Todos sorriam.
Tiravam-se fotos. As pobres meninas dançavam timidamente, infantilmente. A que estava na porta recepcionando os crápulas, dizia em tom ameaçador à outra de cerca de quatro anos: “Baile! Baile! Tienes que bailar!”
Com exceção da Marcela e eu, todos sorriam, todos estavam achando o máximo comprovando que se trata de um povo com zero senso crítico, povo sujo e corrompido.
Entre goles de cachaça, sorriam para as pobres crianças que os divertiam aquela noite.
Ao fim da triste apresentação, sobe ao palco o canalha organizador com seu terno branco com capuz e sapatos também brancos e pontudos estilo Peter Pan e abraça o guri. E sorri.
Impossível não questionar a filantropia desse cidadão. Por que não ajudar crianças pobres E FEIAS que terão menos chances de sair da merda que essas pobres, MAS LINDAS? Com ou sem a ajuda desse sanguessuga, essas crianças inevitavelmente viriam a ter muito mais chances em uma sociedade que tanto valoriza a aparência quando comparadas aos seus vizinhos feios e com traços indígenas.
Não posso deixar de comentar que, nesse evento para ajudar e COM A PRESENCA de crianças, houve um xou musical hediondo de um travesti que depois chamou ao palco duas “amigas” sendo que uma era visivelmente infectada, deveria pesar cerca de 30 quilos. Nada mais propício de se ter em uma festa para e COM crianças.
Realmente é difícil ser detentor de valores. É difícil não conseguir desfrutar de um crime contra crianças; é difícil ver um abuso de menores e sentir-se ofendido, ultrajado. É, também, insuportável saber que patrocinei a cocaína de um canalha, um vigarista com pinta de cafetao barato de nariz operado.
É, para finalizar, duro ver uma criança de cinco anos de idade dançando reggaeton (ritmo criado em Porto Rico – preciso dizer algo mais? – que é uma espécie de versão latina do hip hop americano, ritmo favorito de vadias e de gângsters wannabes, público numeroso por aqui) em cima de uma mesa, depois da meia-noite em uma discoteca e, ainda por cima, contava com a parceria de um idiota asqueroso que lhe fazia companhia, o mesmo idiota que usava batom na igreja (essa é para leitores assíduos).
Eu, cada vez mais, desisto da Humanidade e temo em por filhos nesse mundo lixo. Princípios, exijo a volta dos princípios...
Um ex-colega de faculdade da Marcela, homossexual, cocainômano e metrossexual, encontrou, em alguma investida sua em busca de homem em uma favela, uma família de crianças belíssimas. Três guriazinhas lindas e um guri. Todos com uma aparência atípica em uma terra de crianças feias. Olhos azuis, cabelos loiros, essas crianças realmente chamam a atenção.
Ter encontrado essas crianças em um antro de criminalidade, miséria e violência fez com quê o cidadão em questão visse a sua chance de ganhar dinheiro fácil. A Colômbia, e especialmente Medelín, possui um mercado de moda muito forte e, obviamente, a figura dos modelos é destacada. Vale salientar que a Colômbia não segue um padrão de beleza de modelos tradicional, ou seja, mulheres magras e caucasianas, e sim prezam por fêmeas fartas e curvilíneas.
Devido a sua metrossexualidade e conseqüente relação com o mundo da moda, o nosso amigo não perdeu mais do que um minuto até decidir “adotar” essas pobres crianças.
Levou-os em agências de modelos infantis, todos já desfilaram e realizaram trabalhos e agora, sob uma campanha de construir uma casa às crianças, realiza eventos para arrecadar fundos para isso. Sexta-feira passada estive presente sendo testemunha in locus da barbaridade que está sendo feita com essas indefesas crianças em um ato disfarçado de “ajuda humanitária” tão crível como a “ajuda humanitária” americana no Kweit durante a Guerra do Golfo.
Pagamos cerca de R$40,00 para entrar a uma discoteca. Evidentemente, não pude escolher e fui induzido a fazer parte desse ato obsceno. Na discoteca, para a minha surpresa, encontrei as crianças. Uma guriazinha, de cerca de cinco anos, estava na porta recebendo os convidados. Era obrigada a agir como uma diva e distribuir beijos a todas as pessoas que adentravam no recinto.
Saliento mais uma vez que se tratava de uma discoteca, com venda de bebida alcoólica e música mais do que alta, beirando o insuportável. E sim, as crianças circulavam livremente por lá. Em qualquer país que almeja a ser civilizado, crianças jamais seriam permitidas dentro de uma discoteca, mas na Colômbia tudo pode.
A festa se arrastava, música ruim e alta, calor insuportável até que, para a minha tristeza e decepção para com a Humanidade, uma mulher na faixa dos 30 anos de notória vida devassa, uma possível fracassada drogada, sobe a um pequeno palco e chama, em meio a incessantes microfonias, as crianças a subirem no palco, isso já perto da meia-noite. Para que vocês me entendam, a menor delas tem uns dois anos de idade e estava visivelmente assustada.
Todas sobem no palco e são obrigadas a dançar para “divertir” o público que exigia a recompensa pela ajuda que estavam dando com seus R$20,00 de ingresso. Todos sorriam.
Tiravam-se fotos. As pobres meninas dançavam timidamente, infantilmente. A que estava na porta recepcionando os crápulas, dizia em tom ameaçador à outra de cerca de quatro anos: “Baile! Baile! Tienes que bailar!”
Com exceção da Marcela e eu, todos sorriam, todos estavam achando o máximo comprovando que se trata de um povo com zero senso crítico, povo sujo e corrompido.
Entre goles de cachaça, sorriam para as pobres crianças que os divertiam aquela noite.
Ao fim da triste apresentação, sobe ao palco o canalha organizador com seu terno branco com capuz e sapatos também brancos e pontudos estilo Peter Pan e abraça o guri. E sorri.
Impossível não questionar a filantropia desse cidadão. Por que não ajudar crianças pobres E FEIAS que terão menos chances de sair da merda que essas pobres, MAS LINDAS? Com ou sem a ajuda desse sanguessuga, essas crianças inevitavelmente viriam a ter muito mais chances em uma sociedade que tanto valoriza a aparência quando comparadas aos seus vizinhos feios e com traços indígenas.
Não posso deixar de comentar que, nesse evento para ajudar e COM A PRESENCA de crianças, houve um xou musical hediondo de um travesti que depois chamou ao palco duas “amigas” sendo que uma era visivelmente infectada, deveria pesar cerca de 30 quilos. Nada mais propício de se ter em uma festa para e COM crianças.
Realmente é difícil ser detentor de valores. É difícil não conseguir desfrutar de um crime contra crianças; é difícil ver um abuso de menores e sentir-se ofendido, ultrajado. É, também, insuportável saber que patrocinei a cocaína de um canalha, um vigarista com pinta de cafetao barato de nariz operado.
É, para finalizar, duro ver uma criança de cinco anos de idade dançando reggaeton (ritmo criado em Porto Rico – preciso dizer algo mais? – que é uma espécie de versão latina do hip hop americano, ritmo favorito de vadias e de gângsters wannabes, público numeroso por aqui) em cima de uma mesa, depois da meia-noite em uma discoteca e, ainda por cima, contava com a parceria de um idiota asqueroso que lhe fazia companhia, o mesmo idiota que usava batom na igreja (essa é para leitores assíduos).
Eu, cada vez mais, desisto da Humanidade e temo em por filhos nesse mundo lixo. Princípios, exijo a volta dos princípios...
Assinar:
Postagens (Atom)
