quarta-feira, 17 de junho de 2009

Mais Um Ataque



Sei que meus ataques à Igreja são freqüentes, mas não posso deixar passar mais esse momento de indignação de minha parte. Ontem, pela terceira vez em minha vida, fui a uma missa. Evidentemente, por obrigação social.

A minha primeira vez foi em uma missa de sétimo dia de um tio. Nessa, o padre ofereceu revistas para vender causando indignação às pessoas que lá estavam prestando suas condolências. Sem mais comentários.

A segunda foi a do meu casamento. Casei com uma católica (felizmente, não-praticante), ou seja, fui obrigado a ir a essa missa.

E a terceira foi ontem, velório do pai de um amigo da Marcela que jamais conheci e, provavelmente, jamais conhecerei, mas fui pelo meu cônjuge, obrigações cretinas e hipócritas sociais.

Antes de começar a despejar meu ódio, alguns fatos no mínimo cômicos, sim, a igreja e suas cerimônias muitas vezes me parecem cômicas. O morto foi cremado e chegou naqueles carros fúnebres gigantes que parecem limusines e a caixinha, do tamanho dessas caixas de anéis ou relógios, veio lá atrás do carro, perdida em uma fúnebre imensidão. Engraçado.

A chegada da caixinha à igreja também é deveras hilária, pois na frente estão duas mulheres, até bem interessantes eram, forçando uma cara de cu e vestidas como aeromoças e atrás alguém traz a caixa com as cinzas.

Enquanto o padre falava e repetia aquele monte de baboseiras, eu olhava para um cara na minha frente, um nerd com o sex appeal de James Dean elevado à potência -1.

Durante os 40 minutos de missa que mais pareceram quarenta séculos, ele passou uma espécie de batom nos lábios TRÊS vezes e, se não bastasse, após cada aplicação, ele se virava, mostrava a seu cônjuge como tinha ficado e esperava a aprovação dessa. Coitada.

Agora o ódio.

Por que, RAIOS, temos que sofrer tanto quando estamos na dita “casa do senhor”? Por que todo esse medo, esse temor, esse clima depressivo que somos COMPELIDOS a ter?

Eu cruzava as pernas, me criticavam; ria, me xingavam; abraçava, me recriminavam; um simples ósculo, me censuravam. E o pior: nem as crianças estavam livres dessa repugnante censura. Por quê? Ele nos vai punir? Seguimos com esse sentimento medieval de temer a Deus, de aparentar sofrimento perante Ele. Seria Deus um ser assim tão rancoroso? Como pode Ele ser assim tão bacana, “o cara” e tão rancoroso e vingativo ao mesmo tempo? Será que ainda mantém sua raiva para com a Humanidade porque matamos o seu único filho? Não terão sido 2009 anos suficientes para superar esse trauma? Não considera ele que NENHUM ser humano da atualidade estava vivo no ano zero? Bom, talvez a Hebe estivesse...

Antes de terminar já vou deixar meu manifesto por escrito de como quero que seja a minha “cerimônia” final. Cremem-me e me tirem no mar ou pela janela. Deu.

E a única conclusão que posso tirar de isso tudo é que é um imenso orgulho ser ateu.

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